Expectativa para balanços

Petrobras e Vale divulgarão resultados do 4º trimestre de 2019: o que esperar para as gigantes da Bolsa?

Expectativa é de que ambas as companhias terão números sólidos, mas investidores seguirão atentos ao cenário complicado de início do ano para as commodities

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Tratamento de Gás Monteiro Lobato Petrobras
(Agência Petrobras)

SÃO PAULO – Depois dos bancos em destaque nos primeiros dias da temporada de resultados, os investidores ficarão atentos especialmente nesta semana aos dados de duas blue chips ligadas a commodities: a Petrobras (PETR3;PETR4) e a Vale (VALE3).

A estatal divulgará seus números referentes ao quarto trimestre nesta quarta-feira (19), enquanto a mineradora revelará os dados financeiros na próxima quinta-feira (20), ambos após o fechamento do mercado.

A expectativa para ambas as companhias é de divulgação de resultados sólidos, guiados pelos dados positivos de produção para a Petrobras e de vendas para a Vale. No caso da Petrobras, as cotações de petróleo nos últimos três meses ficaram estáveis, enquanto que, no caso da Vale, o minério de ferro registrou uma queda expressiva, mas que deve ser compensado pelos demais dados fortes da companhia.

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Contudo, não é só no passado que os investidores irão mirar: as teleconferências com o mercado também serão observadas de perto pelo mercado, em um começo do ano em que as commodities têm registrado forte baixa por conta dos temores com os efeitos do coronavírus para a economia global, enquanto a Petrobras ainda tem o agravante por conta da recente greve de funcionários da companhia. Apesar dos investidores não estarem olhando tão atentamente para a paralisação iniciada em 1º de fevereiro, esse pode ser um fator preocupante mais à frente.

A teleconferência da Petrobras ocorrerá na quinta-feira (20), às 10h. No caso da Vale, a teleconferência com webcast ocorrerá na sexta-feira (21) às 10h (horário de Brasília).

Confira abaixo o que esperar para o resultado do 4º trimestre das duas gigantes da bolsa:

Petrobras – 19 de fevereiro, após o fechamento do mercado 

Com o preço médio do petróleo relativamente estável nos últimos três meses de 2019, a Petrobras reportará números fortes, apoiado pela boa produção da companhia e pela depreciação do real.

“Projetamos que o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] ajustado chegue a R$ 38 bilhões (alta de 11% no trimestre e de 34% na base de comparação anual”, apontam os analistas do Bradesco BBI.

Os analistas do banco ainda projetam um lucro de R$ 11 bilhões, impulsionados pelos benefícios fiscais de juros sobre o capital próprio. Além disso, eles esperam que a companhia anuncie ao menos R$ 0,25 por ação em JCP para as ações PETR3, uma vez que já anunciaram o mínimo de R$ 0,92 por ação preferencial, mas apenas R$ 0,50 por ação ON referente ao resultado anual de 2019. De acordo com estimativa do consenso Bloomberg, o lucro deve ser de R$ 11,28 bilhões no quarto trimestre de 2019, uma expressiva alta de 438% frente os últimos três meses de 2019.

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O Credit Suisse também tem uma expectativa positiva para o balanço, apontando que a produção cresceu 130 mil barris por dia na base de comparação trimestral – ou alta de 6% – e que isso pode adicionar US$ 600 milhões para o Ebitda do trimestre.

No último trimestre do ano, a produção média diária atingiu 3,025 milhões de barris de óleo equivalente (boe, medida que une barris de petróleo e metros cúbicos de gás). Foi a primeira vez que a empresa rompeu a barreira de 3 milhões de boe por dia, em uma média trimestral.

Além disso, os analistas do Credit avaliam ainda que será importante observar com cautela os números sobre a cessão onerosa no quarto trimestre de 2019, principalmente por se tratar de um montante relevante. A Petrobras recebeu em outubro R$ 34,4 bilhões do governo.

O contrato de cessão onerosa garantia à empresa explorar 5 bilhões de barris de petróleo em áreas do pré-sal pelo prazo de 40 anos. Em troca, a empresa antecipou o pagamento de R$ 74,8 bilhões ao governo. Desde 2013, o governo vinha negociando um aditivo do contrato, depois que a Petrobras pediu ajustes por conta da desvalorização do preço do barril de petróleo no mercado internacional.

“Esse é um tema para os resultados atuais, uma vez que o montante é muito grande. Contudo, este evento não deve ter um impacto substancial na demonstração de resultados do exercício, já que o valor recebido do governo deve ser contrabalanceado pela redução do book value (valor patrimonial) dos direitos à cessão onerosa”, avaliam.

Confira o que esperar para o resultado da Petrobras, segundo consenso Bloomberg: 

Dados da Petrobras (em R$ milhões) 4T184T19E4T19E/4T18
Lucro líquido2.10011.288+438%
Ebitda ajustado27.07337.970+40%
Margem Ebitda33%44%+11 p.p.
Receita líquida 92.79085.434-8%

Vale –  20 de fevereiro, após o fechamento do mercado 

Enquanto isso, sobre a mineradora Vale, a expectativa é por resultados fortes no quarto trimestre de 2019, mas menor geração de fluxo de caixa livre.

“Embora o quarto trimestre de 2019 tenha sido de preços mais baixos do minério de ferro (queda de 14% na base de comparação trimestral), esperamos que os preços realizados diminuam apenas 6%, impulsionado principalmente por prêmios maiores, bem como maiores custos de frete no trimestre”, avaliam os analistas do Credit Suisse.

O Itaú BBA também aponta que os resultados operacionais serão sólidos resultante dos embarques de minério de ferro sazonalmente mais fortes e de menores preços realizados do minério de ferro. Contudo, avaliam, o Ebitda ajustado não leva em consideração o efeito negativo de US$ 3,2 bilhões relativos a baixas contábeis nos segmentos de carvão e níquel no quarto trimestre de 2019.

Além disso, o custo caixa do minério de ferro deve diminuir em termos trimestrais devido à normalização das despesas nas operações paralisadas, enquanto embarques ligeiramente mais fortes podem se traduzir também em uma maior diluição dos custos fixos.

Enquanto isso, na divisão de metais de base, os analistas do banco esperam que os preços e volumes elevados para o níquel e para o cobre levem a  uma alta de 13% do Ebitda em termos trimestrais. Já no caso da divisão de carvão, a expectativa é de um desempenho negativo no Ebitda devido aos preços ainda pressionados do carvão e a uma melhora limitada nos volumes vendidos.

Os analistas da XP Investimentos também estimam outro resultado sólido no quarto trimestre de 2019, seguindo vendas mais fortes, com o guidance de 307 a 312 mil toneladas em 2019. A estimativa do consenso Bloomberg é de uma queda do lucro líquido de 62%, para R$ 5.529 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado deve registrar avanço de 14%, a R$ 19.415 bilhões.

Confira o que esperar para o resultado da Vale, segundo consenso Bloomberg: 

 

Dados da Vale (em R$ milhões) 4T184T19E4T19E/4T18
Lucro líquido14.4855.529-62%
Ebitda ajustado17.05919.415+14%
Margem Ebitda45%46%+1 p.p.
Receita líquida 37.40041.478+11%

 

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