Reação aos resultados

Petrobras e Vale disparam mais de 3% após balanço; Ambev afunda mais de 8%

Outras empresas divulgaram resultados e suas ações repercutiram na Bolsa hoje, como Usiminas e Fleury

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Petrobras
(Shutterstock)
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SÃO PAULO — Três das maiores empresas da Bolsa brasileira, a Petrobras (PETR3, PETR4), a Vale (VALE3) e a Ambev (ABEV3), divulgaram resultados entre a noite de ontem e a manhã desta sexta-feira (25).

Os investidores e analistas reagiram aos números de forma distinta — as ações da Petrobras e da Vale fecharam em forte alta de mais de 3%, enquanto os papéis da Ambev despencaram 8,3% na B3.

No caso da Petrobras, em geral, o balanço da estatal no terceiro trimestre veio acima das expectativas de analistas consultados pela Bloomberg.

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A empresa teve lucro líquido de R$ 9,087 bilhões, alta de 36,8% ante o mesmo período do ano passado. O resultado resultado esperado era de R$ 8,410 bilhões.

O Credit Suisse destacou o Ebitda recorrente ex-IFRS, que ficou 15% acima do esperado pelo banco suíço, enquanto o lucro liquido ficou 9% acima do estimado. Se ajustado pelos fatores não recorrentes (ganho com a BR Distribuidora, impairments, write off de imposto diferido), seria ainda melhor, segundo o Credit.

A geração de caixa também foi uma surpresa positiva e reduziu a dívida liquida em US$ 6,6 bilhões. A alavancagem caiu para um pouco abaixo de 2 vezes a relação entre dívida líquida e o Ebitda nos últimos doze meses.

Para a XP Research, os resultados da Petrobras foram positivos. “Em um trimestre em que preços de petróleo foram em média 9,5% menores em relação ao período anterior, a empresa demonstrou resiliência, com geração de caixa em patamares saudáveis e redução do endividamento”, aponta o analista Gabriel Fonseca.

O Bradesco BBI ressaltou que, após o balanço do terceiro trimestre, é muito alta a chance de que a Petrobras vai ter lucro líquido de mais de R$ 40 bilhões em 2019.

“Se isso acontecer, os dividendos que serão pagos aos detentores de ações ordinárias vão praticamente se igualar aos proventos pagos aos acionistas preferencialistas”, disse o analista Vicente Falanga.

Vale (VALE3)

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Ao contrário da Petrobras, o balanço da Vale no terceiro trimestre ficou aquém do esperado, mas a companhia conseguiu reduzir seu endividamento, o que foi bem avaliado por analistas e investidores —e, por isso, a ação subiu.

A mineradora reportou lucro de R$ 6,461 bilhões, abaixo das expectativas (R$ 10,9 bilhões) de analistas consultados pela Bloomberg.

No acumulado de 2019, apesar do forte desempenho operacional, a Vale apresenta prejuízo líquido de R$ 503 milhões, principalmente por conta das provisões e despesas incorridas com a ruptura da barragem de Brumadinho (R$ 24,1 bilhões).

O prejuízo líquido atribuído aos acionistas é de R$ 264 milhões no ano.

A XP Investimentos destacou que os resultados foram em linha com as expectativas, sendo a forte geração de caixa o principal destaque positivo, levando a um impressionante nível de alavancagem de 0,5 vezes a dívida líquida/Ebitda (US$ 5,3 bilhões), o mais baixo patamar desde o quarto trimestre de 2008.

“Com a normalização das operações, todos os olhos estão (ou deveriam estar) voltados para os dividendos de 2020, cujo restabelecimento vemos como a principal alavanca de valor para a empresa. As ações da Vale negociam a 4,2 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda de 2020, o que consideramos como atrativo. Reiteramos recomendação de Compra e esperamos reação positiva das ações diante dos resultados”, disse a XP.

De acordo com os analistas do Safra, os resultados da Vale no quarto trimestre devem “permanecer sólidos, sustentados por maiores embarques, preço do minério de ferro a US$ 80-90 e redução de US$ 1-1,5/t nos custos de caixa C1”.

Embora cerca de 5% abaixo da previsão dos analistas, após ajustes por despesas relacionadas a Brumadinho, os resultados operacionais do terceiro trimestre foram bons, mostrando tendências positivas em termos de volume e custo.

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O analista Thiago Lofiego, do Bradesco BBI, disse que os resultados da Vale vieram fracos, conforme o esperado.

“Achamos que é uma notícia positiva que a Vale está reavaliando seu portfólio de ativos. Esperamos que os ativos de carvão e alguns ativos de níquel, como VNC e Indonésia, sejam incluídos em um plano de desinvestimento, potencialmente apresentado no evento Vale Day em NY, no início de dezembro”, disse.

“Sobre os dividendos, a administração está adotando uma abordagem conservadora, mencionando o foco na reparação dos danos causados ​​pelo acidente em Brumadinho, embora pensemos que a Vale possa anunciar dividendos significativos em 2020. No lado operacional, a tendência é positiva, com queda de C1, frete e melhoria de prêmios. Mantemos nosso rating Outperform na Vale.”

Ambev (ABEV3)

A Ambev foi o grande destaque do dia, com uma queda de mais de 8% das ações após a divulgação de resultados. O lucro líquido de R$ 2,498 bilhões no terceiro trimestre deste ano foi 11,6% inferior aos R$ 2,824 bilhões registrados em igual período de 2018.

O lucro líquido ajustado da fabricante de bebidas foi de R$ 2,441 bilhões entre julho e setembro, queda de 15,8% no comparativo anual. A companhia afirmou que a piora do desempenho reflete a maior despesa de Imposto de Renda — no período, a linha ficou em R$ 222,0 milhões.

Já o Ebitda ajustado da Ambev atingiu R$ 4,410 bilhões no terceiro trimestre, 4,0% abaixo do registrado em igual período do ano passado, enquanto a margem Ebitda ajustado ficou em 36,9%, contra 41,5%. Nas operações brasileiras, o Ebitda caiu 13,3%, para R$ 2,404 bilhões,

No Brasil, o volume de vendas de cervejas recuou 2,8%, após ajuste de preços e um cenário competitivo potencializado por descontos realizados pela concorrência. Esses fatores ajudaram no tombo das ações da InBev na Europa.

A receita líquida consolidada subiu 8,1% no terceiro trimestre, para R$ 11,958 bilhões, com acréscimo no volume de 0,8% e crescimento na receita líquida por hectolitro (ROL/hl) de 7,2%.

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Para a XP Research, a Ambev apresentou resultados mais fracos do que o esperado no terceiro trimestre, com a queda de 2,8% no volume de cerveja no Brasil na base anual sendo o principal destaque negativo (versus as estimativas da XP de alta de 1,5%).

Os volumes da América Latina e da América Central superaram as estimativas, mas passaram longe de compensar os resultados do Brasil, tanto nos segmentos de cerveja quanto no de bebidas não alcoólicas (NAB).

“Após a superação das expectativas do consenso no resultado do último trimestre (2T) e a subsequente alta das ações, todos os olhos estavam voltados para os volumes, com o mercado esperando algo próximo de um crescimento baixo – expectativa que não se materializou”, avaliou Betina Roxo, analista da XP.

Também para o Itaú BBA, o resultado da Ambev foi negativo. Segundo a instituição, o Ebitda ajustado ficou 3% abaixo das estimativas e 6% inferior ao do consenso.

“A surpresa positiva do lucro líquido foi inteiramente atribuível a um ganho não recorrente de R$ 170 milhões”, afirmou a equipe de análise do banco, pontuando o desempenho fraco de cervejas no Brasil, assim com as margens não alcoólicas e Ebitda abaixo em todos os negócios no exterior.

Outros resultados

As ações da Usiminas (USIM5) também reagiram aos resultados divulgados referentes ao terceiro trimestre. Os papéis fecharam em queda de 0,28%, mas chegaram a subir mais de 3% no intraday.

A empresa teve um prejuízo de R$ 138,98 milhões, revertendo lucro líquido de R$ 171,246 milhões do segundo trimestre e ganhos líquidos de R$ 289,131 milhões do terceiro trimestre do ano passado.

O Ebitda ajustado atingiu R$ 441,169 milhões, com uma margem de 11,5%. Em relação ao segundo trimestre, houve uma queda de 23,4%. Na comparação anual, a queda foi de 59,2%.

A receita líquida somou R$ 3,849 bilhões de julho a setembro, representando estabilidade na comparação anual e alta de 4% frente ao intervalo entre abril e junho deste ano.

Para o Morgan Stanley, a Usiminas reportou Ebitda modestamente abaixo do consenso, mas o Ebitda ajustado veio bem abaixo das suas estimativas.

“Do lado positivo, apesar da grande perda no lucro, o caixa das operações superou generosamente nosso número”, escreveram os analistas Carlos De Alba, Eduardo Bordalo e Jens Spiess, destacando ainda a redução das despesas com vendas, gerais e administrativas.

Do lado negativo, o Morgan Stanley pontua o volumes de aço e preços abaixo do esperado, assim como o aumento do custo do produto vendido, tanto em aço quanto em mineração.

“A Usiminas está altamente exposta ao mercado doméstico de aço e deve continuar enfrentando meses desafiadores pela frente, com um lento crescimento de volume”, afirmaram.

A recomendação dos analistsas para Usiminas é “equal-weight”, justificado pela expectativa de que os papéis da companhia não superem o Ibovespa até que as condições macroeconômicas no Brasil melhorem — com a volta, por exemplo, da confiança nos negócios e melhora da atividade econômica.

Já a varejista Lojas Renner (LREN3) registrou um lucro líquido de R$ 189,3 milhões no terceiro trimestre deste ano, desempenho 2,6% inferior ao reportado no mesmo período do ano passado e abaixo das expectativas.

O Ebitda total ajustado atingiu R$ 360,4 milhões, aumento de 3,9% e uma margem de 18,7% — queda de 1,6 ponto porcentual.

A receita líquida da Renner somou R$ 1,931 bilhão, expansão de 12,9%. Já as vendas no conceito mesmas lojas subiram 8,3% no terceiro trimestre, acelerando a alta em relação ao aumento de 6,9% do mesmo período do ano passado.

O Credit Suisse avaliou que a Lojas Renner entregou um resultado sólido, mostrando um nível de “execução exemplar”. A instituição destacou que o lucro ficou em linha com as suas expectativas, mesmo desconsiderando itens não recorrentes do terceiro trimestre do ano passado.

O Credit Suisse informou ainda que elevou o preço-alvo da companhia para 2020 de R$ 48 para R$ 55, mesmo mantendo a recomendação neutra.

Outra empresa que também divulgou resultados foi o laboratório Fleury (FLRY3), que registrou lucro líquido de R$ 94,8 milhões no terceiro trimestre, desempenho 4,9% superior ao reportado no mesmo período do ano passado.

O Ebitda atingiu R$ 196,5 milhões, uma alta de 8,2%, com uma margem de 26,0% (-0,58 p.p.). A receita somou R$ 755,7 milhões, representando um avanço de 10,6%.

Para o Bradesco BBI, o resultado veio em linha com o esperado. O ponto negativo destacado foi a margem bruta, que caiu 1,1 p.p., a 29,5%. O banco afirmou ainda que o Ebitda continua sob pressão, devido a piora de mix, especialmente nos segmento B2B, além de aumento nos custos de materiais.

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