Petrobras e Vale caem forte e Bolsa vira para queda; dólar vai a R$ 2,83

Petróleo cai e China tem nova desaceleração nas taxas de inflação, trazendo nova baixa aos preços das commodities; já no Brasil, indicações de que Congresso pode dificultar vida de Joaquim Levy pesam contra

Publicidade

SÃO PAULO – O Ibovespa virou para queda e passa a operar na mínima nesta terça-feira (10) com quedas de Petrobras e uma queda forte da Vale. O índice reflete notícias de nova desaceleração nos índices de preços ao consumidor e ao produtor na China, atingindo os menores níveis em mais de 5 anos. O barril de petróleo também cai nesta sessão, quase 4%, afetado por perspectivas de que a oferta norte-americana do combustível continue aumentando. Aqui, o dia é de noticiário sobre a Petrobras e dúvidas sobre ajuste fiscal. 

Às 14h36 (horário de Brasília), o benchmark tinha queda de 1,02%, a 48.878 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar comercial subia 1,75%, ficando cotado a R$ 2,8253, na compra e R$ 2,8260, na venda. Já o contrato futuro da moeda norte-americana para março subia 2,12%, a R$ 2,844.

Preocupações com os fundamentos da economia doméstica, tensões na negociação da dívida da Grécia e melhora nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, com aumento de juros à vista, fazem com que o câmbio sofra forte desvalorização. 

Soma-se a isso as dúvidas sobre um ajuste mais forte. Os parlamentares governistas estão se mobilizando para barrar ou atenuar o impacto das medidas de ajuste fiscal do ministro da Fazenda Joaquim Levy, muito mal recebidas pelos sindicalistas e em parte até pelos empresários.

Na agenda, a Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio) mostrou que a taxa de desemprego nacional caiu para 6,5% no quarto trimestre, conforme destacado pelo IBGE. Além disso, Joaquim Levy e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reúnem-se com ministros das Finanças e presidentes dos BCs de diversos países no G-20 em Istambul. 

Já divulgado, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe da primeira quadrissemana de fevereiro acelerou 1,78% ante ao período anterior. As estimativas eram de um avanço de 1,75%. 

Continua depois da publicidade

Ações em destaque
A Petrobras (PETR3, R$ 8,99, -2,28%; PETR4, R$ 9,11, -1,83%) caía forte depois de chegar a disparar 5% pela manhã. Notícias dão conta de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, irá ajudar a encontrar solução para o Balanço do terceiro trimestre de 2014 quantificando os valores relacionados às fraudes. Segundo o Valor Econômico, não existem mais desafios técnicos para que a PwC faça a auditoria do balanço do terceiro trimestre de 2014 da petroleira.

Em meio à fraqueza da China, as ações da Vale (VALE3, R$ 20,70, -4,12%; VALE5, R$ 17,90, -3,82%), que tem no gigante asiático o seu principal mercado consumidor, abriram em alta, mas já viravam para queda. 

Os parlamentares governistas estão se mobilizando para barrar ou atenuar o impacto das medidas de ajuste fiscal do ministro da Fazenda Joaquim Levy, muito mal recebidas pelos sindicalistas e em parte até pelos empresários.

Continua depois da publicidade

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PDGR3 PDG REALT ON 0,57 -5,00 -33,72 8,08M
 POMO4 MARCOPOLO PN N2 2,34 -4,49 -29,73 18,17M
 VALE3 VALE ON 20,70 -4,12 -5,52 85,97M
 VALE5 VALE PNA 17,91 -3,76 -6,86 195,49M
 MRVE3 MRV ON 7,00 -3,31 -6,67 6,45M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 QUAL3 QUALICORP ON 23,46 +5,44 -15,61 48,15M
 USIM5 USIMINAS PNA 3,95 +2,60 -21,78 45,20M
 OIBR4 OI PN 6,00 +2,21 -30,31 8,68M
 CSNA3 SID NACIONAL ON 5,09 +2,21 -5,35 28,82M
 SBSP3 SABESP ON 14,32 +2,14 -15,81 12,34M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

China e Grécia
As bolsas asiáticas recuaram nesta terça-feira conforme o nervosismo sobre a potencial saída da Grécia do euro e a escalada do conflito na Ucrânia impactaram o apetite por risco. Em meio às novas sinalizações na Europa, as bolsas do continente europeu também têm um movimento de cautela.

Preocupações sobre as negócios da dívida grega seguem no radar. Ontem, o premiê grego, Alexis Tsipras, reafirmou as suas posições contra a austeridade e rejeitou o programa internacional de resgate antes de reunião de emergência com ministros das finanças da zona do euro esta semana.

Dados chineses ofereceram pouca ajuda aos ativos de risco, à medida que sinais de fraqueza na segunda maior economia do mundo foram reforçados pela inflação atingindo uma mínima de cinco anos. Por outro lado, preocupações crescentes sobre a desaceleração devem elevar as perspectivas para mais estímulos.

Tópicos relacionados


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.