Destaques da Bolsa

Petrobras e Vale afundam 4%; holding da Gerdau salta 37% e CSN desaba 22% no mês

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa intensificou perdas na tarde desta quarta-feira (31), após o Senado aprovar o impeachment de Dilma Rousseff. A cassação trouxe uma euforia temporária no mercado, mas desdobramentos do afastamento definitivo da Presidente da República amargou o dia novamente. A decisão de dividir a votação em duas partes – uma para definir a cassação de Dilma Rousseff e a outra para decidir a perda dos direitos políticos por 8 anos -, que resultou na manutenção dos direitos políticos de Dilma, gerou um enorme desconforto nos caciques do PSDB. Muitos deles atribuíram a manobra para “salvar” Eduardo Cunha (PMDB) e por isso já falam de abandonar o barco do agora efetivo governo de Michel Temer.

Segundo o blog de Gerson Camaratti, do G1, surpreso com o resultado da votação que manteve a habilitação política de Dilma Rousseff para funções na administração pública, o líder do governo do Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), entregou o cargo por telefone para o presidente Michel Temer, mas o peemedebista não aceitou. Procurado pelo Blog, Aloyisio negou que tivesse colocado o cargo à disposição.

Além do noticiário interno movimentado, a forte queda do petróleo pressionava as ações da Petrobras, que atingiram queda de 4% na mínima do dia. Os papéis da Vale desabavam 4% também, enquanto os bancos apareciam com queda de cerca de 2% com Itaú Unibanco e BradescoDo lado oposto, as ações da Braskem disparavam 3% com interesse da Ultrapar na companhia. Segundo coluna, no entanto, a compra da fatia da Odebrecht estaria condicionada à permanência da Petrobras como sócia da petroquímica. 

No mês, o índice caminhava para encerrar em alta de 0,85%, puxado pelas ações da Metalúrgica Gerdau, Braskem e Gerdau, que saltaram entre 37% e 15%. Do lado oposto, as ações da CSN registraram as maiores quedas (-22%) afetada por resultado ruim no 2° trimestre. Na esteira, figuraram os papéis da BR Malls e RaiaDrogasil, com perdas de 12,66% e 10,65%, respectivamente. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa neste pregão:

Vale (VALE3, R$ 16,94, -4,02%; VALE5, R$ 14,47, -4,30%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 10,28, -3,56%) seguiram em derrocada na Bolsa, na esteira da queda das principais concorrentes internacionais. Os papéis do setor caíram apesar do dia de leve alta do minério de ferro, que subiu 0,2% no porto de Qingdao, na China. 

As ações das siderúrgicas também perderam força ao longo do dia e fecharam em sentidos opostos, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,08, -1,30%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,71, 0,0%), CSN (CSNA3, R$ 8,60, -1,94%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,47, +2,66%). A CSN teve seu rating rebaixado pela S&PGR de “B-” para “CCC+” no final do pregão. 

No radar da mineradora, os Procuradores estão finalizando investigação criminal a respeito do desastre do rompimento da barragem da Samarco e esperam solicitar à Justiça, no fim de setembro, a acusação de funcionários da empresa, disse Eduardo Aguiar, um dos procuradores envolvidos no caso, em entrevista na terça-feira, em Belo Horizonte. 

A investigação examina suposta negligência que pode constituir acusações de homicídio culposo e possíveis crimes ambientais. “Estamos analisando cada funcionário da Samarco para saber quem tinha o poder para tomar decisões ou evitou a tomada de decisões, aumentando o nível do risco de ruptura da barragem”, diz Aguiar. A Samarco, joint venture entre Vale e BHP, negou qualquer prática irregular. Não há evidência de que alguém colocou a produção acima de controle de segurança ou razão para acreditar que qualquer um da BHP tinha alguma informação que indicava que a barragem estava em perigo, diz Dean Dalla Valle, diretor comercial da BHP, na segunda-feira.

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Petrobras (PETR3, R$ 14,74, -2,90%; PETR4, R$ 12,85, -1,83%)
As ações da Petrobras viram para forte queda entre mau humor interno e derrocada dos preços do petróleo no mercado internacional. Na mínima do dia, os papéis ONs e PNs afundaram 3,75% e 2,90%, respectivamente, a R$ 14,61 e R$ 12,71. O contrato futuro do Brent registrava baixa de 2,13%, a US$ 47,34 o barril, enquanto o WTI caía 2,03%, a US$ 45,41 o barril. A commodity afundava após o Departamento de Energia norte-americano mostrar um avanço de 2,3 milhões de barris, para um total de 525,9 milhões de barris, na semana encerrada em 26 de agosto. Analistas projetavam alta de 900 mil barris no período, segundo compilado feito pela Reuters. 

Além disso, a expectativa de que a reunião informal da Opep, no mês de setembro, gerasse algum acordo para congelar a produção dos países do grupo e impulsionar os preços vinha ajudando a recuperar a commodity, mas declarações de autoridades e dados sobre produção desses países reduziram as esperanças.

No radar da estatal, a Petrobras negocia a obtenção de mais financiamentos junto a instituições financeiras da China, disseram fontes ao Valor Econômico e as discussões poderão se acelerar esta semana com a presença de uma importante delegação brasileira naquele país. Depois do contrato de financiamento de US$ 1 bi junto ao Eximbank da China, outras operações continuam em negociação. 

Além do financiamento, o presidente da empresa, Pedro Parente, afirmou que a petroleira espera concluir no 1T17 a venda do controle da BR Distribuidora. Até o fim do ano, deve ser concluída a fase de entrega de propostas, para que, em seguida, seja iniciada a etapa de avaliação das melhores ofertas. A ideia, segundo o executivo, é escolher a proposta que melhor se adapte aos interesses da subsidiária e da controladora.

Braskem e Ultrapar
O grupo Ultrapar (UGPA3, R$ 74,43, -0,75%), candidato à compra da BR Distribuidora, também tem interesse na Braskem (BRKM5, R$ 24,11, +3,88%), controlada pela Odebrecht, diz Ancelmo Gois, colunista de O Globo. Porém, a compra da fatia da Odebrecht estaria condicionada à permanência da Petrobras como sócia da petroquímica.

Oi (OIBR3, R$ 3,99, +12,39%; OIBR4, R$ 2,54, +4,53%)
A gestora Capricorn Capital e a Syzgy Capital Management, subsidiária do fundo abutre americano Aurelius Capital Management, reivindicam em documento entregue à Justiça a publicação de lista de credores de cada uma das sete empresas do grupo Oi que estão em recuperação judicial. A companhia divulgou a relação consolidada, o que as credoras consideram uma “grave irregularidade”.

A operadora de telefonia entrou com pedido de proteção contra os credores no dia 20/06. O processo envolve sete empresas do grupo com dívidas de cerca de R$ 65 bi. A Capricorn Capital é detentora de títulos emitidos pela subsidiária da Oi Portugal Telecom International Finance, enquanto a Syzgy Capital Management detém papéis da Oi Brasil Holding Coöperatief U.A. (Finco), todos garantidos pela Oi.

Papel e Celulose
O setor de papéis de embalagens será o primeiro a apresentar recuperação diante de uma retomada da economia. Dados da consultoria e empresa de engenharia Pöyry, da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) e da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) já sinalizam estabilidade em 2016 e retomada do crescimento em 2017, puxada pelo segmento de alimentos. “O setor de embalagens foi um dos mais prejudicados pela crise e será o primeiro a se recuperar”, disse Manoel Neves, gerente de estudos econômicos da Pöyry, em entrevista ao Broadcast. 

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Com a provável recuperação da economia doméstica, a mais beneficiada, nesse sentido, é a Klabin, devido ao fornecimento de embalagens, comentaram os analistas da XP Investimentos. “Ainda enxergamos um risco ainda elevado para o setor de papel e celulose, porém, seguimos monitorando”, disseram. Outras do setor na Bolsa fecharam entre ganhos e perdas: Suzano (SUZB5, R$ 10,20, +0,99%) e Fibria (FIBR3, R$ 22,01, -0,36%). 

BM&FBovespa (BVMF3, R$ 18,16, +0,33%)
Em comunicado ontem, a B&MFBovespa disse que pretende recorrer à Justiça se for derrotada no Carf sobre a amortização do ágio referente à fusão entre a BM&F e Bovespa. A empresa reafirmou o entendimento que o ágio foi constituído regularmente, em estrita conformidade com a legislação tributária. Em relatório, o BTG Pactual ressaltou que como a Bovespa atribui que a probabilidade de perda nesse caso é considerada remota, não há nada provisionado. O julgamento do processo estava marcado para duas semanas atrás mas foi adiado e ainda não há data definida. 

JHSF (JHSF3, R$ 1,73, +10,90%)
Operando entre leilões, as ações da JHSF dispararam até 14% após cinco empresas apresentarem propostas pelo Shopping Tucuruvi, da JHSF Participações, segundo uma fonte a par das negociações disse ao Valor Econômico. São elas: BR Malls (BRML3, R$ 12,34, -0,56%), Fundo de Soberano de Cingapura (GIC), Hemisfério Sul Investimentos (HSI), Multiplan (MULT3, R$ 58,31, -0,97%) e Vinci. A expectativa é de que o negócio seja fechado em 45 dias. O volume financeiro movimentado com a ação ficou em R$ 6,39 milhões, contra média diária de R$ 1,17 milhão dos últimos 21 pregões. 

Elétricas e saneamento
Em relatório, os analistas do Santander revisaram as ações do setor elétrico e de saneamento, com introdução do preço-alvo para 2017. Em destaque, a ação da  Copasa (CSMG3, R$ 32,61, +0,55%) foi rebaixada de compra para manutenção, com preço-alvo de R$ 37,28, enquanto a Eletropaulo (ELPL4, R$ 12,36, +0,82%) foi rebaixada de manutenção para underperform, com preço-alvo para o ano que vem de R$ 13,33. Já Comgás (CGAS5, R$ 52,22, -0,63%) e a Sabesp (SBSP3, R$ 29,75, +2,23%) são destacadas pelos analistas como ações com valuations atrativos e são as top picks no segmento.