Petrobras e siderúrgicas sobem forte e puxam Ibovespa; dólar consolida queda

Índice volta a subir depois de quebrar ontem uma sequência de três altas; investidores ainda digerem a notícia da prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto

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SÃO PAULO – O Ibovespa sobe nesta quarta-feira (15) puxado pelas fortes altas da Petrobras em meio a notícias de vendas de ativos para desinvestimento e do setor siderúrgico com novidades da OPA da Usiminas. O índice também refletia a surpresa positiva com o IBC-Br, que anula o pessimismo em torno do PIB (Produto Interno Bruto) da China no primeiro trimestre de 2015, que registrou um avanço de 7%, o menor desde 2009. Investidores ainda digerem a notícia da prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Às 15h33 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tinha alta de 1,42%, a 54.748 pontos, enquanto o dólar comercial consolidava queda após um início de pregão volátil e operava com baixa de 0,64%, a R$ 3,0428 na compra e a R$ 3,0433 na venda. 

Para o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, a Bolsa reflete mais as questões pontuais de empresas e setores como a venda de ativos da Petrobras e a OPA (Oferta Pública de Ações) da Usiminas do que questões macro. Na sua avaliação, o IBC-Br foi um dado positivo, mas tinha efeito marginal no desempenho do índice. 

Por falar nele, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) surpreendeu positivamente ao subir 0,38% em fevereiro na comparação com janeiro, segundo dados dessazonalizados, informou o BC nesta quarta-feira. Em janeiro o indicador caiu 0,11% sobre o mês anterior. Analistas consultados pela Reuters esperavam recuo de 0,20% na comparação mensal em fevereiro, de acordo com a mediana de 24 projeções que foram de recuo de 2,0% a alta de 1,22%.

Em relatório ao mercado, a Guide Investimentos lembra que ontem o Brasil sofreu a maior redução nas estimativas para 2015 e 2016, considerando os principais países desenvolvidos e emergentes. Segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), o PIB contrairá 1% em 2015 (anta prévia +0,3% há seis meses). Para 2016, reduziu-se a projeção de 1,5% para 1,0%.

Petrobras e Vale em destaque
O noticiário segue movimentado para a Petrobras (PETR3; PETR4), que sobe forte após registrar mais uma sessão de alta na véspera. No noticiário da companhia, estão as informações sobre a venda de ativos, o relatório da agência internacional de energia e a expectativa pelo balanço.

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Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, às vésperas da reunião do conselho de administração que, finalmente, poderá pôr um fim à novela do atraso na divulgação do balanço financeiro de 2014, a diretoria Financeira da Petrobras corre contra o tempo para conseguir unanimidade na aprovação dos números que serão apresentados. O diretor Financeiro da petroleira, Ivan Monteiro, tem se reunido previamente com os conselheiros para detalhar o trabalho feito para chegar aos números que devem ser divulgados, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

A Vale (VALE3; VALE5) operava entre perdas e ganhos, com forte volatilidade, também em um dia recheado de notícias, tanto positivas quanto negativas. Enquanto a companhia aprovou o pagamento da primeira da parcela de remuneração mínima aos acionistas em 2015, no valor bruto de R$ 3,1 bilhões, o que corresponde a R$ 0,601760991 por ação ordinária ou preferencial em circulação, além de ter conseguido benefício fiscal para ampliar terminal no Pará, a companhia foi cortada pelo JPMorgan.

O corte foi de overweight para neutro e, segundo o relatório do banco, reflete a queda do preço do minério de ferro. 

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As ações da Usiminas (USIM5) têm forte alta em meio a notícia de que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) decidiu que a operação de compra da participação da Previ na Usiminas pela Ternium, anunciada em outubro, disparou a obrigação de OPA pelas ações ordinárias da siderúrgica brasileira. A Ternium anunciou em outubro a compra de ações, em uma operação de 616,7 milhões de reais e que envolveu 51,5 milhões de papéis.

Para João Pedro, da Leme, a alta da Usiminas puxava todo o setor siderúrgico, que, em condições normais, estaria em queda por conta dos dados ruins na China. Tinham alta CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4). 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 CSNA3 SID NACIONAL ON 6,56 +12,33
 USIM5 USIMINAS PNA 5,30 +7,94
 PDGR3 PDG REALT ON 0,58 +7,41
 PETR3 PETROBRAS ON 13,29 +6,75
 PETR4 PETROBRAS PN 13,24 +6,00

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 KROT3 KROTON ON 10,68 -1,57
 FIBR3 FIBRIA ON 42,82 -1,56
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 14,48 -1,16
 HYPE3 HYPERMARCAS ON 20,84 -1,04
 VALE5 VALE PNA EJ 15,23 -0,90
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

EUA refletem livro Bege
As bolsas norte-americanas sobem entre 0,6% e 0,9% depois da divulgação do Livro Bege do Federal Reserve, com os relatórios regionais sobre a economia dos Estados Unidos. Segundo o documento, o a economia continuou a crescer na maior parte das regiões dos EUA do meio de fevereiro ao meio de março, com melhora nas vendas do varejo e aumento na demanda para o setor de serviços. 

Contudo, 8 de 12 distritos do Fed disseram que suas economias cresceram em níveis “modestos” ou “moderados”. Já os mercados de trabalho foram qualificados como “estáveis” ou com recuperação “modesta” com algumas demissões já sendo sentidas no setor de óleo e gás com a queda livre dos preços do petróleo em meio à guerra de preços entre os produtores de xisto e a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).  

Por falar em petróleo, o combustível tem nova valorização depois que os estoques nos EUA subiram “apenas” 1,294 milhões de barris na semana passada, ante um aumento de 10,949 milhões registrado no período anterior. Hoje eles estão em 484 milhões. Além disso, traz alívio também a notícia de que o Irã se juntou à Líbia na defesa do corte da produção. O barril do WTI (West Texas Intermediate) subia 5,91%, a US$ 56,40. 

Os mercados também repercutiam o dado de produção industrial do país. O indicador nos Estados Unidos teve a maior queda em mais de 2 anos e meio em março, pressionada por um recuo na produção em mineração e concessionárias de serviços públicos, oferecendo novas evidências de que o crescimento econômico desacelerou com força no primeiro trimestre.

A produção industrial caiu 0,6% em março após ter avançado 0,1% em fevereiro, informou nesta quarta-feira o Federal Reserve, banco central dos EUA. O recuo de março foi o maior desde agosto de 2012 e pior do que as expectativas de economistas de uma queda de apenas 0,3%.

Vale lembrar que dados macroeconômicos fracos na maior economia do mundo nem sempre são considerados ruins pelo mercado, uma vez que eles afastam a probabilidade de que o Federal Reserve eleve os juros por lá mais cedo, o que causaria um impacto negativo no apetite por risco ao redor do mundo. 

Ásia cai após PIB da China
Locomotiva do mundo durante a primeira década do século XXI, a China cresceu 7% no primeiro trimestre de 2015, trazendo um alívio aos investidores, que temiam um número menor depois da queda de 15% nas exportações registrada na Balança Comercial de março. Ainda assim, a maioria dos mercados acionários asiáticos fecharam em queda nesta quarta-feira (15).

Leituras fracas da demanda do consumidor e da atividade industrial, salientaram a necessidade de mais medidas de estímulo de Pequim. Após uma alta inicial, as ações em Xangai passaram a cair e fecharam em baixa de 1,3 por cento.

O índice de Xangai vem subindo há seis semanas consecutivas uma vez que investidores escolheram focar na perspectiva de estímulos extras, mas aparentemente já passou da hora de acontecer alguma realização.

De modo decepcionante, tanto as vendas no varejo quanto a produção industrial não atingiram as expectativas, com a atividade manufatureira registrando expansão ao ritmo mais lento desde a crise financeira de 2008.

Draghi e BCE
Já no continente europeu, o principal índice de ações europeias subiu nesta quarta-feira, após o Banco Central Europeu (BCE) dizer que segue comprometido com o programa completo de compra de ativos para recuperar a economia da zona do euro. O índice FTSEurofirst 300 das principais ações europeias subiu 0,63 por cento, aos 1.650 pontos, após ter atingido 1.653 pontos na máxima, nível que não era visto há quase 15 anos.

No mês passado, o BCE adotou um programa de impressão de dinheiro que disse que irá durar até pelo menos setembro de 2016. O plano tem ajudado a alimentar um rali nas ações europeias, embora pressione o euro para baixo. “Nosso foco será na implementação total de nossas medidas de política monetária”, disse o presidente do BCE, Mario Draghi.

O FTSEurofirst 300 saltou 21 por cento este ano, superando com força Wall Street, uma vez que investidores apostam que o programa do BCE sustentará a recuperação econômica da Europa e que os lucros corporativos subirão.

“O efeito do ‘quantitative easing’ do BCE é pesado. Com a queda no euro e a queda nos custos de financiamento, há um importante potencial de alta para as margens corporativas na zona do euro”, dusse o chefe global de investimentos multi ativos da AXA Investment Managers, Serge Pizem.

(Com Reuters)

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