Petrobras e OGX pressionam e Ibovespa amarga mais uma forte queda, de 2,15%

Já na semana, o índice também fechou negativo, com baixa de 4,43%; crescimento chinês e crescimento doméstico preocupam investidor

Publicidade

SÃO PAULO – A sexta-feira, que “ameaçou” ser de otimismo para o Ibovespa, com a tentativa de estender os ganhos observados da véspera, tornou-se mais um dia de queda do índice. O Ibovespa fechou em queda de 2,15%, a 49.332 pontos, a quarta queda registrada nesta semana – apenas na véspera o benchmark da bolsa fechou no azul no período -, fazendo com que o índice fechasse a semana em baixa de 4,43%. O giro financeiro foi de R$ 8,24 bilhões. 

Semana esta que foi marcada por bastante tensão no mercado brasileiro, que seguiu as perdas acumuladas na semana anterior com a notícia de que a Standard & Poor’s revisou a perspectiva para o rating do Brasil para negativa – o que pode indicar um rebaixamento da nota de crédito nacional. Os dias que se seguiram também não foram fáceis, com as declarações do Banco do Japão e do BCE (Banco Central Europeu) decepcionando o mercado, que já estava fragilizado em meio às indicações de que o Federal Reserve está se preparando para reduzir o programa de flexibilização monetária, levando a uma fuga de capital estrangeiro do País.

Apesar de subir na quinta-feira, em um movimento de repique após fortes baixas, o índice voltou a fechar esta sessão em patamares observados apenas em agosto de 2011, quando a mesma S&P rebaixou a nota de crédito dos Estados Unidos, no dia 8, mas ainda acima do observado na última quarta-feira, quando atingiu os 49.180 pontos.

Nesta sessão, a China seguiu em destaque. O gigante asiático – maior parceiro comercial do Brasil – mostrou estar “confortável” com um crescimento menor do que 7%. Atualmente, o gigante asiático é o principal parceiro comercial nacional, e uma desaceleração do crescimento chinês deve colocar em discussão as exportações de dois dos principais produtos brasileiros: a soja e o minério de ferro.

Petrobras e OGX pressionam o índice 
Grande parte do movimento também ocorreu por conta das ações da Petrobras (PETR3; PETR4), que apresentam fortes perdas. As ordinárias caíram 4,73%, para R$ 16,53, enquanto as preferenciais tiveram perdas de 3,94%, aos R$ 18,06. A companhia foi impedida de importar e exportar por conta de dívidas tributárias no valor de R$ 7,3 bilhões e, segundo Ministério Público Federal, caso tenha que depositar a sua dívida em juízo, corre o risco de quebrar. 

Em destaque também, estiveram as ações da OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,97, -7,62%) que, após chegarem a abrir em alta após o anúncio de reestruturação do grupo EBX, passaram a cair forte após a agência de classificação Fitch Ratings rebaixá-la para “lixo” e considerar um calote dos papéis. Com isso, os papéis fecharam pela primeira vez abaixo de R$ 1,00.  

Continua depois da publicidade

Poucas ações se salvaram nesta sessão, que viu apenas 10 das 71 ações do índice fecharem em alta, com destaque para a Eletropaulo (ELPL4), com ganhos de 9,27%, a R$ 6,72. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 0,97 -7,62 -77,85 214,03M
 GFSA3 GAFISA ON 3,32 -7,26 -29,51 44,70M
 MMXM3 MMX MINER ON 1,46 -7,01 -67,19 15,33M
 JBSS3 JBS ON 6,01 -5,80 +1,18 40,08M
 LLXL3 LLX LOG ON 1,19 -5,56 -50,42 11,80M


As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Continua depois da publicidade

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 6,72 +9,27 -59,99 33,60M
 AMBV4 AMBEV PN 78,30 +2,17 -7,75 186,21M
 BRPR3 BR PROPERT ON 18,96 +1,94 -23,89 253,67M
 CSNA3 SID NACIONAL ON 6,42 +1,10 -43,61 86,72M
 UGPA3 ULTRAPAR ON 51,00 +0,79 +11,60 48,59M


As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 28,28 -1,29 806,42M 36.172 
 PETR4 PETROBRAS PN 18,06 -3,94 690,04M 33.983 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 29,38 -2,13 438,34M 24.857 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 12,66 -1,63 274,01M 32.283 
 BRPR3 BR PROPERT ON 18,96 +1,94 253,67M 9.281 
 BBDC4 BRADESCO PN 29,50 -2,09 232,10M 16.861 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 0,97 -7,62 214,03M 26.062 
 AMBV4 AMBEV PN 78,30 +2,17 186,21M 9.185 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 22,92 +0,48 157,53M 17.128 
 VALE3 VALE ON 30,08 -2,62 141,47M 13.835 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

PIB em foco
As expectativas de um crescimento menor que o esperado no Brasil aumentam entre os investidores. O banco de investimentos Morgan Stanley revisou suas projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2,8% para 2,5%. Eles também se mostraram menos otimistas para 2014, passando as projeções de 3,4% para 3,2% no ano.

Continua depois da publicidade

O IBC-Br (Índice Mensal de Atividade Econômica) também chamou a atenção. Considerado uma prévia da tendência do PIB, o índice registrou alta de 0,84% em abril, o que mostra desaceleração em relação a março, já que o desempenho foi revisado de alta de 0,72% para 1,07%. Segundo consenso do mercado, os analistas esperavam alta de 0,78% no mês. Com o resultado e a revisão, o indicador acumula crescimento de 3,43% em 2013.

EUA: indústria em foco
Nos EUA, o setor industrial trouxe preocupações aos investidores. A produção da indústria registrou estabilidade em maio, decepcionando as expectativas de alta de 0,1% dos analistas, ao passo que a utilização da capacidade do setor apontou 77,6%, ante 77,8% esperados pelo mercado. O sentimento do consumidor norte-americano piorou em junho, segundo o Michigan Sentiment, caindo de 84,5 em maio para 82,7 em junho, abaixo das projeções de 83,0.

Ainda nos EUA, destaque para as declarações do FMI (Fundo Monetário Internacional), ao pedir que o país revogue os fortes cortes de gastos do governo, além de recomendar que o Federal Reserve continue com o programa de compra de títulos até pelo menos o final do ano. Por lá, os índices de bolsa fecharam entre baixa de 0,5% e 0,7%. 

Tópicos relacionados

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.