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Petrobras e estatais caem 4% e puxam o Ibovespa após habeas corpus para Lula; dólar sobe

Dia que já era negativo ficou pior ainda depois de notícia de que Mauricio Ramos Thomaz entrou com pedido de habeas corpus para Lula; dólar vira para forte alta

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (25) repercutindo o pedido de habeas corpus preventivo para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi feito pelo consultor Mauricio Ramos Thomaz. A notícia mexeu com os investidores desde o fim da manhã. Com isso, empresas estatais ou ligadas ao governo caíram forte e trouxeram mais pressão negativa à Bolsa, que já caía por causa do aumento do desemprego de 6,4% para 6,7% e das tensões por causa da crise da Grécia. Lá fora, as bolsas dos Estados Unidos sobem. 

O benchmark da Bolsa brasileira caiu 1,24%, a 53.175 pontos. O volume financeiro negociado na BM&FBovespa foi de R$ 6,467 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial recuou 0,86%, a R$ 3,1269 na compra e a R$ 3,1281 na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 11 pontos-base, a 14,06% ao ano, ao passo que o DI para janeiro de 2021 tinha alta de 15 pontos-base, a 12,83%.

Para Hersz Ferman, economista da Elite Corretora, a queda de hoje ocorre porque o mercado está vendo os efeitos de uma falta de governabilidade na economia. Ele lembra do caso da Medida Provisória 672, que foi aprovada ontem na Câmara dos Deputados, e que reajusta todas as aposentadorias pela regra do salário mínimo até 2019, gerando um custo extra em torno R$ 9,2 bilhões por ano. 

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“A base do governo está contra. E pegar agora o símbolo máximo do PT em um escândalo de corrupção impacta demais o governo e a base, que está já está deixando de apoiar as medidas de ajuste fiscal”, afirma o economista. Segundo ele, isso traz uma incerteza política ainda maior, o que obviamente também afeta o econômico porque prejudica a capacidade do Estado de fazer políticas públicas. “Acho que esse assunto da Lava Jato chegando mais nos degraus de cima faz com que fique cada vez pior o humor para investir no Brasil”, disse. 

Na semana passada, quando executivos da Odebrecht como seu presidente, Marcelo Odebrecht, foram presos, a Bolsa teve um desempenho negativo. Isso porque episódios assim trazem manchas para a imagem do País no cenário internacional, como comentou o analista Ricardo Kim, da XP Investimentos. Com mais da metade do peso do capital negociado na BM&FBovespa nas mãos de investidores estrangeiros, qualquer notícia que afete a ordem institucional é vista como negativa. 

Ações em destaque
As ações de Petrobras (PETR3, R$ 13,98, -4,38%; PETR4, R$ 12,60, -4,55%) estiveram entre as maiores quedas hoje. Junto com ela, outras estatais e empresas ligadas ao governo também viram desvalorização. Eletrobras (ELET3, R$ 6,02, -3,99%; ELET6, R$ 8,67, -3,02%) e JBS (JBSS3, R$ 15,35, -3,82%), que possui participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) operaram em queda. 

No radar da Petrobras ainda, segundo o Globo, a companhia vai alterar a forma de divulgação dos próximos planos de negócios. No lugar de uma entrevista coletiva com executivos da estatal e detalhamento de todos os pontos, haverá apenas a publicação na internet, como fazem outras companhias, para evitar o acesso de pontos estratégicos da petroleira para os concorrentes. A diretoria da estatal apresentará ao conselho de administração três propostas de corte nos investimentos para o período de 2015 a 2019: R$ 44,1 bilhões, R$ 66,2 bilhões e R$ 88,2 bilhões.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 PETR4 PETROBRAS PN12,60-4,55+25,75
 PETR3 PETROBRAS ON13,98-4,38+45,78
 CMIG4 CEMIG PN11,54-4,15-9,37
 ELET3 ELETROBRAS ON6,02-3,99+3,79
 ESTC3 ESTACIO PART ON18,83-3,93-19,54

Os papéis da Vale (VALE3, R$ 19,32, -2,42%; VALE5, R$ 16,50, -3,23%) recuaram seguindo o movimento do minério de ferro. A commodity fechou em queda de 0,54%, a US$ 62,19 no porto de Qingdao. 

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Depois de abrir em alta, recuperando-se da queda de ontem, as ações da Cemig (CMIG4, R$ 11,54, -4,15%) registraram perdas. O movimento de baixa começou ontem após a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de negar pedido de renovação de concessão da hidrelétrica de Jaguara. Em comunicado, a companhia disse que respeita a decisão e aguarda a publicação do resultado do julgamento para tomar as medidas judiciais cabíveis.

O Santander afirma que a notícia é negativa “já que companhia terá menos energia para vender no mercado à vista e compensar o impacto negativo do déficit da produção hidrelétrica”. Assim, os investidores provavelmente pedirão uma nova estratégia da administração para o futuro da Cemig “já que o guidance divulgado em maio inclui a renovação dos contratos de concessão”. 

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 BBSE3BBSEGURIDADE ON35,25+2,53+12,54
 LREN3LOJAS RENNER ON EJ114,15+2,35+51,36
 MRVE3MRV ON7,85+2,21+9,83
 TIMP3TIM PART S/A ON10,60+1,53-8,48
 SUZB5SUZANO PAPEL PNA16,62+1,03+49,01

Do lado positivo estiveram as ações de operadoras de telefonia como TIM (TIMP3, R$ 10,60, +1,53%) e Vivo (VIVT4, R$ 43,47, +0,86%). O grupo francês Vivendi não descarta aumentar sua participação na Telecom Italia, dona da TIM Participações no Brasil, após se tornar o maior investidor do grupo, com fatia de 14,9%, disse o presidente-executivo da companhia, Arnaud de Puyfontaine, em entrevista publicada nesta quinta-feira. 

A Vivendi disse na quarta-feira que elevou sua fatia na Telecom Italia para pouco abaixo de 15%, substituindo a Telefónica como maior acionista e entrando em um país que segundo a empresa tem perspectivas significativas de crescimento.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4PETROBRAS PN12,60-4,55614,51M
 ITUB4ITAUUNIBANCO PN34,35-1,72385,75M
 VALE5VALE PNA16,50-3,23353,80M
 BBDC4BRADESCO PN ED28,62-0,63247,82M
 BRFS3BRF SA ON67,45-1,17244,19M
 PETR3PETROBRAS ON13,98-4,38241,34M
 CIEL3CIELO ON41,78+0,10182,21M
 JBSS3JBS ON15,35-3,82163,32M
 ABEV3AMBEV S/A ON18,94-0,05159,97M
 BBSE3BBSEGURIDADE ON35,25+2,53147,73M

* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Indicadores
Entre os indicadores  macroeconômicos, foi divulgada esta manhã a arrecadação federal em maio, que segundo relatório da Receita Federal somou R$ 91,5 bilhões ante estimativas de chegar a R$ 93,1 bilhões. Foi um avanço nominal de 4,1% na comparação anual e uma retração de 4% considerando a inflação. 

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Já entre os dados internacionais, os Estados Unidos soltaram os dados de pedidos de auxílio-desemprego, que ficaram em 271 mil na semana passada, dentro do esperado pelo mercado e acima do número da semana anterior, de 268 mil. Já o PCE ficou em 0,1% e a renda individual dos norte-americanos cresceu 0,5% em maio, contra 0,4% esperados. O gasto dos consumidores, também referente ao mês de maio, subiu 0,9%, contra expectativas de 0,7%. 

No radar ainda fica ainda a decisão da Câmara dos Deputados de estender o reajuste do salário mínimo a todos os aposentados, o que pode causar impacto nas contas públicas e, portanto, deve ser vetado pela presidente Dilma Rousseff (PT) caso também passe no Senado. 

Por fim, o Governo Central, formado por Banco Central, Previdência e Tesouro Nacional, teve um déficit primário de R$ 8,051 bilhões em maio. No acumulado do ano até o mês passado, a economia feita para o pagamento de juros estava positiva em 6,626 bilhões de reais.

Grécia no radar
As tensões envolvendo a dívida grega e um acordo entre o país e seus credores continuou no radar nesta quinta. A Grécia mais uma vez não conseguiu fechar um acordo com seus credores internacionais nesta quinta-feira, montando um esforço de última hora para sábado para evitar o calote na semana que vem em meio a temores de turbulências no mercado financeiro. Os ministros das Finanças da zona do euro encerraram a terceira reunião em uma semana sem acordo depois que três instituições credoras apresentaram proposta final de reformas em troca de dinheiro confrontando o governo de esquerda de Atenas.

“A porta ainda está aberta para que o lado grego venha com novas propostas ou aceitem o que esta à mesa”, declarou o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, para repórteres antes de informar líderes da União Europeia (UE), que participavam de uma cúpula ao lado, sobre o impasse.

Na medida em que o tempo passa, aumentam os temores sobre o pagamento da dívida com os credores, com vencimento para a próxima terça-feira (30) para que o país honre seus compromissos de 1,6 bilhão de euros com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Depois de uma nova reunião frustrada, as atenções dos investidores se voltam para uma nova rodada de dois dias de negociações, acompanhadas pelos ministros das finanças de diversos países da Zona do Euro.

Caso um acordo não seja alcançado e a Grécia não consiga honrar seus pagamentos, ela terá de abandonar o bloco. Para que novas injeções de estímulos por parte dos credores seja aprovada, o país precisa ceder com novas iniciativas de austeridade – o que o governo de Alexis Tsipras teima em aceitar, sob pressão também do Congresso e da população local, sem contar com as tradicionais bandeiras do partido que o elegeu.