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Petrobras e bancos sobem mais de 2% e puxam o Ibovespa; dólar cai a R$ 3,17

Índice sobe seguindo o movimento dos ADRs no 9 de julho refletindo expectativas de acordo grego e medidas chinesas contra recentes quedas; DIs recuam

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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em alta nesta sexta-feira (10), seguindo o desempenho dos ADRs (American Depositary Receipts) de empresas brasileiras negociados em Nova York, que subiram forte no feriado. Quem dá o tom na sessão é o cenário externo, com o índice da bolsa de Xangai atingindo o seu maior ganho em dois dias desde 2008 depois das intervenções do governo chinês para frear a queda de 30% do mercado por lá nas últimas três semanas. Também fica no ar o otimismo em meio a especulações de que a Grécia pode conseguir um resgate até domingo. 

Às 15h31 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira subia 1,72%, a 52.672 pontos. Com isso, o índice volta a operar acima dos 52.500 pontos, importante suporte perdido no começo da semana. Enquanto isso, o dólar comercial caía 2,03%, a R$ 3,1661 na compra e a R$ 3,1680 na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 14 pontos-base, para 13,56%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 recua 9 pontos-base, para 12,62%.  

Segundo o economista da Elite Corretora, Hersz Ferman, apesar do novo plano apresentado pela Grécia ser bastante semelhança ao que já foi recusado anteriormente, ele é um fato que o mercado não esperava, de modo que os investidores já voltam a colocar no preço um acordo entre os gregos e seus credores. Esta questão, para ele, ofusca todas as demais no mercado. 

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Já para as commodities realmente o principal driver acaba sendo a recuperação da bolsa chinesa. Contudo, o economista se diz cético a respeito da efetividade das medidas anunciadas pelo governo chinês para conter as quedas recentes. “As medidas tomadas, de impedir algumas vendas e o governo comprar ativos, são pouco sustentáveis no longo prazo”, avalia. 

Blue chips disparam
As ações da Vale (VALE3, R$ 17,47, +1,81%VALE5, R$ 14,75, +1,44%), sobem forte refletindo a recuperação do minério de ferro. Na quinta-feira (9), a commodity spot 62% no porto de Qingdao subiu 9,87% e hoje ela voltou a ter alta de 2,27%, atingindo US$ 50,10 a tonelada.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN69,50+4,04
 BBDC4 BRADESCO PN EJ28,38+3,69
 SANB11 SANTANDER BR UNT16,97+3,60
 BBAS3 BRASIL ON23,93+3,32
 PETR3 PETROBRAS ON13,39+3,16

 

 

Ainda entre as blue chips, a Petrobras (PETR3, R$ 13,37, +3,00%PETR4, R$ 11,87, +2,77%) registra ganhos apesar do petróleo ter virado para queda. O barril do Brent recua 0,53%, a US$ 58,30, enquanto o barril do WTI (West Texas Intermediate) tem queda de 0,74%, a US$ 52,39. 

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Uma notícia que fica no radar da estatal é o recuo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de sua intenção de colocar em votação imediatamente a proposta do senador José Serra (PSDB-SP) que desobriga a Petrobras de ser operadora única e ter participação mínima de 30% na exploração do pré-sal. Renan anunciou a criação de uma comissão especial para discutir num prazo de 45 dias.

Dentro do setor com maior participação na carteira teórica do Ibovespa, os bancos como Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,73, +3,18%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,63, +2,37%BBDC4, R$ 28,39, +3,73%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,95, +3,41%) também sobem forte. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia
 GOAU4GERDAU MET PN5,02-5,64
 TIMP3TIM PART S/A ON9,57-2,94
 ECOR3ECORODOVIAS ON7,30-2,41
 SBSP3SABESP ON16,70-2,34
 GOLL4GOL PN N26,07-2,10


Do lado negativo estão os papéis de companhias cujos ADRs caíram no feriado, como é o caso de Sabesp (
SBSP3, R$ 16,70, -2,34%), que subiu nas três sessões da semana em meio a declarações do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), de que não haverá rodízio de água. Além dela, TIM (TIMP3, R$ 9,57, -2,94%) é outra ação que viu seu ADR se desvalorizar ontem.

Xangai e Grécia no radar
O governo chinês anunciou medidas como proibição à venda de ações por controladores e executivos de companhias listadas por seis meses, ordem para companhias comprarem ações e investigação de operações vendidas. Isso provocou uma alta de 4,55% na bolsa de Xangai nesta sexta, depois de já ter subido mais de 5% ontem. 

Enquanto isso, o dia também é de alta para as bolsas europeias, com a expectativa de que um acordo dos credores com a Grécia pode ser fechado. O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, afirmou nesta sexta-feira que uma “grande decisão” pode ser tomada pelo grupo quando se reunir para uma sessão emergencial no sábado depois que a Grécia entregou uma nova proposta para financiamento emergencial.

O endosso parlamentar dos compromissos imediatos das reformas que a Grécia está oferecendo aos credores europeus permitiria ao país avançar na corrida para obter um novo empréstimo, evitar a falência do Estado e uma possível saída da zona do euro. “As novas propostas da Grécia foram recebidas pelo presidente do Eurogrupo Dijsselbloem”, tuitou o porta-voz do ministro. “Importante para as instituições considerarem isto em suas análises.”

Já o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, fez um apelo a parlamentares do seu partido nesta sexta para que apoiem um duro pacote de reformas após oferecer abruptamente concessões de última hora para tentar salvar o país da catástrofe financeira.

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Outros destaques
No cenário doméstico, o mais importante fato da quinta foi a aprovação também no Senado da regra que estende o reajuste do salário mínimo a todas as aposentadorias até 2019. A medida deve ser vetada pela presidente Dilma Rousseff (PT), já que deve gerar R$ 9,2 bilhões em gastos extras por ano para a Previdência.

Além disso, a produção industrial em São Paulo apresentou queda de 13,7%, a maior queda desde abril de 2009, quando caiu 14,3%. Todas as atividades industriais na região registraram queda, segundo a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Outra notícia importante, mas que não traz tanto impacto hoje é a redução da projeção de crescimento global em 2015 pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Para o Brasil, em particular, o FMI ajustou sua estimativa para o recuo na economia a 1,5% em 2015, ante 1,0% antes. Para o ano que vem, a entidade também passou a ver um crescimento mais modesto para o país, de 0,7% contra projeção anterior de 1,0%.

Ainda na agenda, a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, disse ver sinais de que a economia dos EUA está melhorando e acreditar que a primeira alta nas taxas de juros será necessária ainda este ano. “Eu acho que será apropriado em algum momento ainda este ano dar o primeiro passo para elevar as taxas e, assim, começar a normalizar a política monetária”, disse ela em discurso no The City Club de Cleveland.