Destaques da Bolsa

Petrobras desaba 6%, siderúrgicas e bancos caem e frigoríficos disparam após acordo

Confira os principais destaques da Bovespa na sessão desta terça-feira

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SÃO PAULO – O Ibovespa registrou mais um dia de forte queda, caindo 1,26%, aos 55.498 pontos, pressionado principalmente pela derrocada das ações da Petrobras, Vale, bancos e siderúrgicas. Enquanto isso, driblando o dia negativo do mercado, os papéis dos frigoríficos subiram forte após a confirmação da assinatura de diversos acordos entre o Brasil e a China, retirando a proibição da exportação da carne bovina brasileira ao gigante asiático.

Ainda na lista de acordos entre os dois países, destaque também para a Embraer, que subiu com a confirmação de um pedido firme da Tianjin Airlines para E-Jets, enquanto Ecorodovias desabou após comprar fatia restante da Elog. Confira abaixo os principais destaques da Bolsa nesta sessão:

Frigoríficos
As ações dos frigoríficos dispararam após a visita do primeiro-ministro da China, Li Keqiang, ao Brasil resultar em acordos para exportação de carne bovina brasileira para a China, conforme divulgado pelo Palácio do Planalto. Na Bolsa, as ações da JBS (JBSS3, R$ 16,88, +4,26%) e Marfrig (MRFG3, R$ 4,17, +3,22%) ficaram entre as maiores altas do Ibovespa hoje. Fora do índice destaque para a Minerva (BEEF3, R$ 10,00, +6,38%).

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Ainda hoje, a agência de rating Standard & Poor’s elevou a nota de crédito da JBS em moeda estrangeira e local de longo prazo para “BB+”, com perspectiva positiva. Segundo o relatório da S&P, “a elevação nos ratings é reflexo de margens Ebitda e Geração de Caixa mais fortes, o que resultou em uma redução significativa no endividamento ao longo dos últimos trimestres, apesar das aquisições da Primo Smallgoods, Tyson Foods e da Big Frango, as quais totalizaram um montante aproximado de R$ 5 bilhões”.

Petrobras (PETR3, R$ 13,75, -6,08%; PETR4, R$ 12,91, -6,31%)
As ações da Petrobras desabaram novamente nesta terça-feira, dois pregões após a divulgação do balanço do primeiro trimestre. Apesar do resultado ter superado as expectativas, ontem mesmo analistas ressaltaram preocupação com o endividamento e o futuro da companhia. O banco Goldman Sachs chegou a rebaixar a recomendação de neutra para venda, assim como o preço-alvo dos papéis diante de perspectivas de preços mais baixos do petróleo. Hoje, o petróleo Brent, negociado em Londres e usado como referência pela estatal, caía 2,69%, a US$ 64,49. Fora isso, nesta tarde, o Planalto assinou acordos no montante de US$ 7 bilhões entre empresas chinesas – Cexim e Banco de Desenvolvimento Chinês – e a Petrobras. 

Ainda no noticiário, a companhia pode ter que compensar o Tesouro em até R$ 20 bilhões. O valor ainda está sendo negociado e deve ser fechado no início do ano que vem, disse um fonte com conhecimento no assunto à Bloomberg. O movimento negativo dá sequência à reação do mercado quanto ao resultado do primeiro trimestre, que, embora o lucro tenha vindo acima do esperado, as expectativas para o futuro ainda seguem cautelosas.

Além disso, a Petrobras é alvo em novas ações na Justiça dos Estados. Mais um grupo de fundos americanos entrou com processo contra a estatal na Corte de Nova York, alegando que o esquema de corrupção na empresa provocou prejuízos de milhões de dólares.   

Usiminas (USIM5, R$ 5,25, -3,67%)
A companhia anunciou ontem à noite que está desligando altos fornos em Cubatão e Ipatinga, que representam 18% da capacidade anualizada. Segundo o BTG Pactual, a notícia é ruim, mas não chega a ser uma grande surpresa, dado que os números da demanda seguem fracos (em abril a demanda caiu 17% na comparação anual, enquanto os estoques subiram). Entretanto, os analistas ressaltam que o papel tem performado bem e não é esperado nenhuma recuperação rápida. Para eles, a ação deve sofrer no curto prazo.

Além da Usiminas, as demais siderúrgicas caíram forte na Bolsa hoje: CSN (CSNA3, R$ 7,17, -5,53%), Gerdau (GGBR4, R$ 9,45, -3,37%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 8,49, -3,85%). No radar do setor, ontem a INDA divulgou dados mais fracos do que o esperado para o mês de abril referentes a aços planos – usados pelos Usiminas e CSN -, reforçando visão negativa para essas duas empresas, disse o Credit.

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Vale (VALE3, R$ 20,12, -0,59%; VALE5, R$ 16,89, -0,53%)
As ações da Vale seguiram em queda em dia negativo no mercado doméstico e em meio à queda do minério de ferro lá fora. A commodity negociada no porto de Qingdao, na China, caía mais de 3% hoje. Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 10,93, -1,80%), holding que detém participação na mineradora. Para o BTG Pactual, a correção dos preços do minério de ferro, passado o rali recente, é justa, já que os fundamentos não sustentam preços mais altos. “Mercado segue com oferta aquecida e, apesar da volatilidade recente, seguimos cautelosos com a Vale”, comentaram os analistas. Para a agência de ratings Fitch, os preços do minério de ferro vão seguir baixos por vários anos diante do aumento da oferta e da demanda fraca na China.

Ainda hoje a companhia e a Cosco assinaram acordo de afretamento de 25 anos, segundo informou o Palácio do Planalto durante visita do primeiro-ministro da China hoje. Essa transação está relacionada com o acordo assinado com a Cosco em 12 de setembro de 2014. A transação totalizou US$ 445 milhões e o montante será recebido pela a Vale mediante a entrega dos navios para a Cosco, que está prevista para acontecer em junho de 2015.

Lá fora, as ações de sua concorrente BHP também caíram forte entre queda do minério e após ter sua recomendação rebaixada pela HSBC.

Telecomunicações
As empresas de telecomunicações também fizeram parte do acordo feito entre o Brasil e a China, com a Vivo (VIVT4, R$ 47,10, -0,30%) e a TIM Participações (TIMP3, R$ 8,86, +1,61%) também presentes no evento. A Vivo assinou um acordo com a Huawei para ampliar a cobertura e do sinal na região central do Rio de Janeiro. Já a TIM anunciou parceria com a mesma companhia chinesa para criar um centro de inovação.

Ecorodovias (ECOR3, R$ 7,86, -5,30%)
As ações da Ecorodovias desabaram após a companhia comunicar que a BRZ Investimentos, gestora da Logística Brasil, exerceu direito de opção de venda da totalidade de suas ações detidas pela Logística Brasil na Elog, o que fará com que 100% do capital desta última passe a ser detido pela Ecorodovias. A Logística Brasil tinha 20% do capital social votante e total da Elog. 

O motivo da queda é por conta do valor pago pela operação, de R$ 214 milhões. Segundo cálculos do Brasil Plural, essa fatia vale apenas R$ 11,2 milhões, o que significa que houve destruição de valor R$ 202,8 milhões, ou R$ 0,40 por ação. 

Também no radar, o JPMorgan revisou suas estimativas para as empresas de concessões rodoviárias, mas não mudou nenhuma recomendação. Entretanto, o preço-alvo das ações da CCR (CCRO3, R$ 15,47, +0,32%) passou de R$ 17,00 para R$ 16,50, enquanto o da Ecorodovias foi de R$ 10,50 para R$ 10,00. 

Embraer (EMBR3, R$ 23,84, +3,92%)
A Embraer confirmou pedido firme da Tianjin Airlines, subsidiária do Grupo HNA, para 22 aeronaves E-Jets estimado em US$ 1,1 bilhão. Serão 20 E-195 e 2 E-190-E2, segundo o comunicado.

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Além disso, a fabricante de aeronaves anunciou a venda de um jato executivo de médio porte Legacy 500 à Middle EastAirlines – Airliban (MEA), empresa aérea nacional do Líbano, e de um avião executivo de maior porte Legacy 650 para a alemã Air Hamburg. A entrega do jato à MEA está prevista para o quarto trimestre deste ano, enquanto a da aeronave da Air Hamburg para o terceiro trimestre.

Copel (CPLE6, R$ 35,10, +2,12%)
As ações da Copel subiram com potencial venda das ações ordinárias e maiores dividendos. Uma notícia do Valor hoje mostrou que o Secretário da Fazenda do Paraná considera vender parte das ações que o Estado tem na Copel e na Sanepar para ajudar as finanças e, potencialmente, maximizar os dividendos das duas companhias. Para o Credit Suisse, o discurso de maximização de dividendos pode ajudar o desempenho do papel no curto prazo, já que esse costuma ser um driver relevante.

Bancos 
As ações dos bancos voltaram a cair forte hoje diante da possibilidade de aumento da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para as instituições financeiras de 15% para 17%, conforme noticiado ontem e que provocou o recuo desses papéis na segunda-feira. Nesta sessão, os papéis de todos os grandes bancos listados na Bovespa caíram: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 37,16, -1,41%), Bradesco (BBDC3, R$ 29,32, +0,24%; BBDC4, R$ 31,03, -1,46%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 25,27, -2,96%). 

Em relatório de hoje, o BTG Pactual comenta que segue cauteloso com o setor depois que o Banco Central publicou pesquisa com condições de crédito, mostrando que o primeiro trimestre foi mais fraco do que o esperado e com leitura de que o segundo trimestre pode mostrar deterioração. “Com o cenário desafiador, esperamos que crescimento de crédito desacelere (possivelmente para menos de 10% ao final do ano), uma vez que principais bancos privados tem reduzido expectativas de PIB para o ano (de forma que não devem ter apetite para acelerar crescimento) e bancos públicos estão desacelerando”, comentaram os analistas.  

OdontoPrev (ODPV3, R$ 11,45, +0,09%)
A companhia foi incluída na lista de empresas cuja venda de planos foi suspensa pela ANS. Estão suspensos 17 dentre os 387 plano de saúde odontológicos ativos que compõem o portfólio da companhia. A empresa disse que tomará medidas necessárias para preservar clientes. A suspensão começará no próximo dia 20 de maio e não resultará em qualquer prejuízo no atendimento aos beneficiários dos planos suspensos, nem faturamento regular dos contratos em vigor e nos demais produtos da companhia. Segundo a Guide Investimentos, a notícia poderá impactar negativamente as ações no curto prazo, mas logo a suspensão deve ser revista. 

JHSF (JHSF3, R$ 1,92, +4,35%)
A JHSF firmou com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) um contrato de financiamento no valor de R$ 75 milhões para uso nas obras de implantação do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo (Aeroporto Catarina) cujo projeto foi enquadrado para receber financiamentos de até R$ 390 milhões do BNDES. “O Bridge Loan será quitado quando da liberação do valor do financiamento de longo prazo”, disse a empresa. 

Energisa (ENGI4, R$ 2,57, +0,39%)
As ações da companhia fecharam com leves ganhos após chegarem a disparar 12,89% durante o pregão. A companhia pode iniciar operação de geradora da Vista Alegre II, em Maracaju (MS). A empresa tem autorização para início da operação comercial a partir de hoje, segundo está em despacho da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) publicado no Diário Oficial.

B2W (BTOW3, R$ 26,00, -6,98%)
As ações do grupo de varejo on-line fecharam o dia com forte queda, chegando a atingir na mínima do dia uma desvalorização de 9,02%, a R$ 25,43. O volume movimentado também chamou atenção, atingindo os R$ 140,458 milhões, contra média de 21 dias de R$ 11,490 milhões, mas esse fato ocorreu por conta de uma compra casada feita pelo BTG durante a manhã. Durante a tarde, um relatório dilvulgado pelo BB Investimentos cortou a recomendação das ações da B2W de market perform para underperform (abaixo da média do mercado), com uma redução no preço-alvo de R$ 32,30 para R$ 24,20

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