Petrobras começa a ser boa opção de compra, diz gestor de R$ 10 bilhões

No entanto, Eliseo João Viciana, VP da Mapfre Investimentos, diz que investidor deve pensar com horizonte de longo prazo

Publicidade

SÃO PAULO – O mercado ainda está com o pé atrás com a Petrobras (PETR3, PETR4). Muitos investidores enxergam uma intervenção estatal exagerada, como por exemplo, o fato da empresa ter segurado o reajuste da gasolina para conter o avanço da inflação no ano passado. O lucro da companhia caiu em 2012 na comparação com o ano anterior e quem possui papéis ordinários vai receber dividendos bem menores.

No entanto, para Eliseo João Viciana, vice-presidente da Mapfre Investimentos, gestora de recursos que administra cerca de R$ 10 bilhões, as ações da petrolífera começam a atingir patamares atrativos. “Já está chegando a um ponto que começa a ficar interessante alocar posição”, disse ao InfoMoney. Mas ele ressalta que o investidor deve pensar com horizonte de tempo maior. “Se você olhar para dois ou três anos, ainda vai continuar complicado [investir na companhia]. Se você pensar no longo prazo, focando na qualidade e no potencial da empresa, acaba ignorando um pouco essa oscilação de curto prazo, já que o papel sofreu muito”, aponta.

Na opinião dele, apesar das intervenções do governo, a Petrobras é uma empresa “muito boa”. “Seu corpo técnico é bom, ela é dona da maior parte do petróleo brasileiro, é uma presença monopolista”, avalia. Viciana enfatiza que mesmo sem um concorrente direto no mercado nacional e com uma das maiores reservas de petróleo do planeta, a estatal está sendo precificada abaixo da colombiana Ecopetrol, que tem cerca de 20% das reservas da petrolífera brasileira. “Por mais que esses problemas influenciem, se você comparar, está demais”, diz.

O gestor lembra que hoje a força maior do mercado para os papéis da empresa é de venda e que uma das maiores preocupações dos investidores é com o fato de que a Petrobras pode precisar de mais recursos e, para isso, além de vender ativos, pode fazer novas captações no mercado. No entanto, mesmo que a companhia perca o grau de investimento e seja ainda mais penalizada, ele acha que existem pontos favoráveis que não podem ser esquecidos. “A Petrobras é praticamente ‘dona’ de um mercado e muitas coisas podem ser resolvidas com uma ‘canetada’. Pode acontecer um reajuste de “X”% [nos combustíveis] e incrementar o caixa da empresa, e ela voltar a ter capacidade de investimento. É uma decisão muito mais de estratégia macro do governo do que micro”, diz o executivo.

Vale
Outra blue chip que pode ser uma boa alternativa é a Vale. O VP da Mapfre lembra que os papéis também sofreram bastante com os problemas econômicos globais, que reduziram a demanda de commodities, mas o papel já começa a figurar como uma opção de investimento.

“[A Vale] Tem um mercado importante, e a mineradora está se desfazendo dos negócios que não estão atreladas ao principal core business da companhia, levantando caixa”, afirma Viciana. Na opinião dele, tanto Vale quando Petrobras estão em um período de “transição”. “É aquele momento em que vale a pena olhar com bastante cuidado, focar muito na análise. E nos detalhes que até mesmo o pessoal que cobre a empresa e não olha no dia a dia”, conclui.


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip