Destaques do Dia

Petrobras cai mais de 2% e “volta” para 2005; elétricas vão do céu ao inferno

Dia de extremos no Ibovespa: CSN dispara 12% com megarecompra de ações, enquanto Dasa recua 9% um dia após disparar 12%; MRV despenca 12% após balanço

SÃO PAULO – A sexta-feira foi extremamente volátil na Bovespa: as ações do setor elétrico, que ameaçaram mais um pregão de alta após o pacotão de medidas anunciado pelo governo, fecharam com quedas de até 6%; já CSN, Dasa, Cremer e MRV mostraram oscilações de mais de 10% no pregão, enquanto a Petrobras acelerou suas perdas no final do pregão e fechou abaixo de R$ 13,00 pela primeira vez desde maio de 2005.

Elétricas: notícia foi boa ou ruim?
Depois de abrirem animadas, as ações do setor elétrico viraram e caíram nesta sessão, com uma leitura mais detalhada do mercado sobre o anúncio do “socorro” do governo ao setor, que trouxe mais uma ajuda paliativa do que uma solução real, disse o analista Carlos Müller, da Geral Investimentos. Os papéis da Cemig (CMIG4, -5,98%, R$ 12,90), Eletrobras (ELET3, -3,36%, R$ 4,89; ELET6, -2,06%, R$ 9,05), Eletropaulo (ELPL4, -2,64%, R$ 7,73) e Copel (CPLE6, -3,64%, R$ 25,15) apresentavam as maiores quedas entre as elétricas. Com isso, o IEE (índice de ações que compila as empresas do setor listadas na Bolsa) caiu 2,14%.

Apesar das 3 grandes medidas anunciadas na noite da véspera pelo governo darem um certo alívio às distribuidoras, o risco de racionamento ainda traz pressões negativas no setor, comentou o analista Elad Revi, da Spinelli. Além disso, a informação de que o governo dividirá a conta com o consumidor também não agradou muito, disse. Pelo comunicado do governo, o consumidor irá arcar, a partir de 2015, com os R$ 8 bilhões que serão captados pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) no mercado financeiro. 

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Além disso, nesta tarde, o presidente do conselho de administração da CCEE, Luiz Eduardo Barata, disse que o prazo para contratação de eletricidade no leilão de energia existente ainda não está definido.

CSN dispara 12% com recompra; Usiminas e Gerdau também sobem
As ações da CSN (CSNA3) dispararam 11,74%, cotadas a R$ 9,61, depois do anúncio de um programa agressivo de recompra de ações – na máxima do dia (R$ 9,97), os papéis da siderúrgica chegaram a marcar ganhos de 15,93%. O volume financeiro negociado por CSNA3 somou R$ 186,8 milhões, o triplo da média diária vista nos últimos 21 pregões.

Na véspera, o conselho de administração da siderúrgica autorizou a abertura de um novo programa de recompra de ações, podendo adquirir 70.205.661 papéis – o que representa quase 10% das ações em circulação – e terá duração de um mês (entre 14 de março e 14 de abril), diferente dos outros programas de recompra, que normalmente duram 12 meses. Em relatório, a Planner Corretora comentou que o anúncio pode trazer estabilidade às ações, depois de forte pressão no início do ano, que foi acentuada com a divulgação do resultado do quarto trimestre no final de fevereiro.

As ações da Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4) também subiram forte nesta sessão, mas em reflexo a um relatório animador do JPMorgan. Os papéis registraram ganhos de 5,24% e 1,95%, respectivamente, cotados a R$ 9,03 e R$ 14,14. O banco de investimentos elevou a recomendação das duas empresas de neutra para overweight (desempenho acima da média).

Vale e Petrobras têm dia volátil; estatal renova mínima 2005
As duas empresas com maior participação no Ibovespa, Petrobras (PETR3-2,50%, R$ 12,10; PETR4-2,52%, R$ 12,78) e Vale (VALE3-0,14%, R$ 29,26; VALE5+0,77%, R$ 25,96) tiveram forte volatilidade antes do vencimento de opções sobre ações, evento que costuma trazer grande volatilidade na Bolsa. No caso da estatal, com a queda, os papéis da estatal renovaram sua mínima desde maio de 2005.

O vencimento de opções sobre ações ocorre toda 3ª segunda-feira do mês – no caso de março, ele acontecerá no próximo dia 17. Dessa forma, os grandes investidores que possuem opções fazem pressão no mercado para que o preço das ações esteja em um patamar suficiente para que seus contratos não “virem pó” – expressão utilizada no mercado de derivativos para as opções que deixaram de ter valor no dia do vencimento. 

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Sobre a Petrobras, vale destacar a ata da reunião do conselho fiscal divulgada nesta tarde, com os membros recomendando que a companhia reduza sua alavancagem, temendo que a deterioração nas contas possa colocar o rating  – No ano passado, o Bank of America Merrill Lynch elaborou um estudo mostrando que a companhia é a mais endividada do mundo. Além disso, a LCA Consultores estima novo revés para a Petrobras, uma vez que pode ser usada pelo governo para “compensar” os estímulos concedidos às elétricas no pacote de medidas anunciado na última quinta-feira.

MRV cai 12% após resultado
As ações da MRV Engenharia (MRVE3) intensificaram as perdas durante a tarde e despencaram 12,50% nesta sessão, cotadas a R$ 7,35, após a empresa ter divulgado seu resultado do quarto trimestre. Segundo a XP Investimentos, os números da construtora foram negativos no período, bem abaixo do projetado pelo mercado. Entre os meses de outubro e dezembro do ano passado, a MRV viu sua receita, Ebitda e lucro cair na comparação com o mesmo trimestre de 2012. Além disso, os analistas ressaltaram como preocupação o ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) da empresa de 10,6%.

O volume financeiro negociado por MRVE3 chegou a R$ 127 milhões – a média diária dos últimos 21 pregões era de R$ 28,5 milhões

Dasa cai 9% após disparar 12% na véspera
As ações da Diagnóstico da América (DASA3) caíram forte nesta sessão, após disparada de 12% na véspera. Os papéis da companhia registraram perdas de 9,67%, a R$ 15,13. Na última sessão, ganhou força um rumor sobre a possibilidade da Cromossomo, empresa de Edson Godoy Bueno e sua ex-mulher, fazer uma nova OPA pelas ações da companhia.

Segundo o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, como isto ainda é um rumor e as ações tiveram uma alta bastante agressiva, é possível que este movimento de hoje seja apenas uma correção enquanto nada de concreto é divulgado. Na última quarta-feira, eles concluíram a oferta de aquisição de 150,8 milhões de ações, quando totalizaram participação de 71% na empresa.

Como parte das ações deixaram de ser negociadas na Bovespa, a Dasa vem perdendo significativa liquidez – nesta sexta-feira, elas movimentaram R$ 3,1 milhões, contra média diária de R$ 17,2 milhões. Em relatório divulgado na véspera, o Deutsche Bank avaliou que os papéis da companhia deixaram de ser um “case” de investimento, considerando arriscado os investidores aguardarem uma segunda proposta da Cromossomo Participações.

Cremer salta 9% com OPA
Após anúncio de intenção de OPA (Oferta Pública de Aquisição), as ações da Cremer (CREM3) dispararam 9,43%, a R$ 15,32, nesta sessão. Conforme informou a fornecedora de produtos para cuidados com a saúde, a Arapaima Participações quer realizar uma oferta pelas ações da empresa para tirar a empresa do Novo Mercado, adquirindo até a totalidade de ações ordinárias pertencentes aos minoritários. A operação só será realizada caso o preço das ações da Cremer no âmbito da oferta seja igual ou inferior a R$ 17 por ação, disse a Arapaima. Caso a empresa pague este preço, o valor será 21,4% maior do que o fechamento dos papéis (R$ 14,00) na Bovespa na última quinta-feira (13). 

ALL ganha licença do Ibama e dispara 5%
As ações da ALL (ALLL3) acentuaram ganhos durante a tarde e dispararam 5,15%, cotadas a R$ 7,14 – na máxima do dia, elas chegaram a subir 6,77% -, depois que a empresa informou que recebeu na véspera do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) as últimas licenças ambientais para finalizar o projeto de duplicação do trecho de 264 km de sua ferrovia entre Campinas e o porto de Santos, em São Paulo, depois de quatro anos de espera.

Em relatório, analistas do UBS afirmaram que a licença obtida aumenta o poder de barganha dos acionistas da ALL nas negociações de fusão com a Rumo, empresa de logística do grupo Cosan (CSAN3), classificando a licença como uma grande vitória para a operadora ferroviária.

Anhanguera registra 3ª queda seguida
Envolvida em um processo de fusão com a Kroton (KROT3), que parece se complicar cada vez mais, a Anhanguera (AEDU3, R$ 12,47, -1,66%) viu suas ações caírem mais de 1% pelo 3º pregão. Vale lembrar que na última quarta-feira (12), o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sugeriu que as companhias realizassem uma “transferência de mantença” para evitar que a união se configure em concentração do mercado educacional.

Na visão de especialistas do mercado financeiro, a “solução” mais dificulta do que ajuda a dar andamento na já sensível discussão sobre a operação. Isso porque a autarquia recomenda que os grupos de educação se desfaçam de um dos seus ativos de ensino à distância – se aproximando, assim, do que a equipe do Brasil Plural chamou de “pior cenário possível”. Ainda assim, os papéis AEDU3 seguem bem recomendados pelos analistas, indo de encontro com o atual movimento de maior pessimismo do mercado.

Gol cai pela 7ª vez em 8 pregões
Os papéis da Gol (GOLL4, R$ 9,66, -1,63%) acompanharam o dia negativo da bolsa e registraram mais um dia de perdas, acumulando quedas na casa dos 13% em março. Vale lembrar que as ações da companhia têm um histórico volátil na Bovespa, tendo em vista sua vulnerabilidade em relação aos preços do petróleo. A commodity corresponde a cerca de um terço de todas as despesas operacionais da Gol, o que faz com que um momento de maiores tensões no cenário internacional – como o que visto nos últimos tempos – balance ainda mais as ações da companhia na bolsa.

Suzano cai forte com resultado
Depois de teleconferência sobre resultado do quarto trimestre, as ações da Suzano (SUZB5) acentuaram as perdas e registraram desvalorização de 3,35%, cotadas a R$ 8,65. Segundo a XP Investimentos, a conferência trouxe atualizações negativas a respeito do importante projeto da Suzano do Maranhão, em especial o atraso na ferrovia que prejudicou as vendas do projeto no primeiro trimestre.

Além disso, a contabilização deste apenas em março também não deve ser bem recebida uma vez que o mercado já aguardava a operação em condições normais para o primeiro trimestre de 2014.