Destaques da Bolsa

Petrobras cai 6,5% da máxima do dia ao fechamento e PDG afunda 16%; veja mais

Ainda chamaram atenção os papéis da Magazine Luiza, que fecharam no vermelho após falas de Luiza Trajano

Plataforma P-56 da Petrobras
(Agência Petrobras)

SÃO PAULO – O que parecia ser um dia de ganhos para a Bolsa foi frustrado pela queda do Ibovespa, que fechou com perdas de 0,13%, a 53.661 pontos. O mercado viveu forte volatilidade hoje após a divulgação da ata do Fomc, que mostrou que as autoridades regionais do Federal Reserve estão divididas quanto à data de aumento da taxa de juros por lá; enquanto a maioria pede que isto ocorra em junho, outros parecem preferir que o aumento venha só ano que vem. O analista da XP Investimentos, Ricardo Kim, explicou que isto mantém a incerteza sobre as medidas que estão sendo encabeçadas por Janet Yellen.

O mercado passou a operar no vermelho, com a estatal Petrobras fechando com perdas de 2,5%, além disto também chamaram atenção as ações da Copasa, que fecharam com fortes perdas em meio ao racionamento em Belo Horizonte, capital mineira. Fora do Ibovespa e ganhando bastante destaque desde ontem, estiveram ainda as ações da subsidiária da Óleo e Gás Participações, que chegaram a disparada de 3.600% em dois pregões.

Em destaque, esteve ainda a repercussão do IPCA de março que, apesar de atingir o maior valor para o mês desde 1995, foi levemente abaixo do esperado. O mercado olhou ainda para a escolha do vice-presidente Michel Temer para a articulação política do governo.

PUBLICIDADE

Confira os principais destaques desta quarta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 10,56, -2,49%; PETR4, R$ 10,60, -2,66%)
As ações da Petrobras, que chegaram a subir mais de 3% em meio ao noticiário agitado para a companhia e para o setor e em meio às expectativas positivas após a fusão ShellBG, fecharam no vermelho nesta quarta. Da máxima do dia, quando os ativos chegaram a subir 4%, até o fechamento, os ativos da estatal chegaram a 6,5% de queda. A petroleira Shell anunciou na manhã desta quarta-feira a compra da britânica BG em um negócio que soma cerca de 47 bilhões de libras – aproximadamente US$ 69 bilhões. A união das duas empresas é avaliada como o maior negócio entre empresas do setor de energia e gás da década e criará um novo gigante mundial do setor. De acordo com o UBS, o Brasil responde por 39% do valor patrimonial da BG e esta compra seria uma “chancela para o País”.

Porém, a estatal fechou no negativo por excesso de oferta de petróleo. Os estoques de petróleo dos Estados Unidos subiram quase 11 milhões de barris na última semana, maior alta em 14 anos, com aumento das importações, enquanto os estoques de gasolina subiram inesperadamente e os de derivados caíram, segundo dados divulgados pelo governo norte-americano nesta quarta-feira. No noticiário da estatal, a SBM Offshore negou uma notícia de que teria alcançado um acordo de 1,7 bilhão de dólares  com autoridades brasileiras sobre acusações de corrupção. 

“As discussões com autoridades brasileiras estão em estágios iniciais e números não foram acertados”, disse em comunicado no qual nega matéria publicada pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira. O jornal noticiou que a SBM teria aceitado indenizar a Petrobras em 1,7 bilhão de dólares, mas, apesar disso, não consegue fechar um acordo de leniência com o governo devido a um impasse entre o Ministério Público Federal e a Controladoria Geral da União. Vale destacar que os fundos de investimento se organizaram mais uma vez para indicar novos nomes independentes ao conselho de administração da Petrobras. Walter Mendes de Oliveira Filho e Guilherme Affonso Ferreira vão ser apresentados aos acionistas na próxima AGO, no dia 29/04. Se eleitos, se juntam a Deyvid Bacelar, representante dos empregados, e a Luiz Navarro, indicado pela União, na nova composição do colegiado, que deve ser menos político e mais técnico do que o anterior.

PDG Realty (PDGR3, R$ 0,58, -15,94%)
Após fecharem no topo dos ganhos das últimas duas semanas em meio a um “short squeeze” em seus papéis, que fizeram com que os investidores em meio ao temos pela falta de ações em aluguel passassem a comprar os ativos, as ações da PDG Realty já devolvem praticamente metade de seus ganhos do período, fechando como a maior queda do Ibovespa nesta quarta. 

Vale (VALE3, R$ 18,75, -1,32%; VALE5, R$ 15,65, -2,55%)
Após a forte alta da sessão anterior, as ações da Vale fecharam em queda nesta quarta. O Conselho de Estado da China, que é o gabinete do governo, afirmou nesta quarta-feira que vai reduzir os preços de energia e o imposto sobre minério de ferro para diminuir os custos das empresas e apoiar a economia. Preços de energia com base em carvão devem ser reduzidos em uma média de cerca de 0,02 yuan (US$ 0,003) por quilowatt-hora, disse o gabinete em um comunicado no site do governo. A partir do próximo mês, o governo vai reduzir o imposto existente sobre minério de ferro em 40%, afirmou, sem dar mais detalhes.

PUBLICIDADE

Já o BTG Pactual cortou o preço-alvo para os ADRs da companhia, além de prever que a Vale pode suspender os dividendos temporariamente em 2016.

CCX Carvão (CCXC3, R$ 0,44, +12,82%)
As ações da CCX dispararam hoje, chegando a ter alta superior a 20% na máxima do dia, após a International Chamber of Commerce negar pedido da Yildirim. A YCCX Colombia, controlada pela YildirimHolding protocolou requerimento junto ao ICC para emitir uma ordem proibindo a CCX Colômbia de negociar com outros potenciais compradores a venda dos ativos ou a venda de ações, segundo comunicado. O árbitro de emergência negou pedido da YCCX.

“Isso significa que a CCX Colômbia e controladoras não estão impedidas de participar da venda de ações de emissão da CCX Colômbia (e/ou de quaisquer de suas controladoras) a qualquer terceiro”, informou o comunicado.

A companhia “não tomou qualquer providência em relação à correspondência enviada pelo Blackstone Advisory Partners, na condição de assessor financeiro de um grupo de fundos soberanos e grandes investidores estrangeiros organizados em regime de capital sindicalizado, contendo oferta não solicitada de aquisição das ações de emissão da CCX Colômbia”. A “análise da oferta não solicitada pelo conselho de administração ainda está pendente e até o momento nenhuma decisão em relação ao assunto foi tomada pelo conselho”.

OGSA (OGSA3, R$ 38,39, +219,12%)
A ação da subsidiária da Óleo e Gás Participações (OGXP3), antiga OGX, empresa fundada por Eike Batista que entrou com pedido de recuperação judicial em 2013, seguiu em destaque ao subir fortemente pela segunda sessão seguida. 

Após subirem 642,59% ontem, os papéis fecharam com fortes ganhos e chegaram a atingir os R$ 60,00 nesta quarta, com um volume de negócios de R$ 160 mil e apenas 30 negócios sendo realizados. Apenas 20 negócios foram feitos ontem. No acumulado de dois dias, a alta chega a 3.603,7%. Na última terça-feira, analistas não souberam justificar o movimento, e lembraram que, atualmente, é difícil encontrar alguma corretora que ainda acompanha estes papéis.

Fibria (FIBR3; R$ 43,30, -1,86%) e Suzano (SUZB5, R$ 14,15, -1,39%)
Em mais um dia de queda do dólar, que cai 1,64% e atinge os R$ 3,08, as ações das empresas exportadoras fecharam com fortes quedas, com destaque para as de papel e celulose Fibria e Suzano. Já a Embraer (EMBR3) fechou com perdas mais amenas que os ativos do mesmo setor.

Cosan Logística (RLOG3, R$ 2,90, +1,40%)
A ação da Cosan Logística fecharam com fortes ganhos após a companhia ter aprovado um programa de recompra de 4,89 milhões de ações ordinárias em um ano, representativas de 1,204284% da quantidade total de ações. O prazo para a aquisição será até 7 de abril de 2016.

Lojas Americanas (LAME4, R$ 16,91, +1,20%)
As ações da Lojas Americanas também subiram após o Conselho aprovar a criação de um novo programa de recompra de ações de emissão da própria companhia, para cancelamento ou permanência em tesouraria e posterior alienação, iniciado no último dia 30 de março e que se encerrará em 29 de março de 2016, até o limite de 17.524.269 ações ordinárias e 27.793.101 ações preferenciais. O montante corresponde a 10% das ONs e 5,7% das PNs em circulação.

Estácio (ESTC3, R$ 19,93, +2,21%)
As ações da Estácio tiveram leve alta nesta sessão entre a estimativa de queda das matrículas e a recomendação de compra das ações pelo BTG Pactual. A Estácio estima queda de até 43% em matrículas com Fies em 2014, segundo informações do jornal Valor Econômico de hojePor outro lado, o BTG Pactual reitera recomendação de compra para as ações da empresa após encontro da companhia com analistas ontem.

A avaliação é de que a Estácio não alterou suas metas após mudanças no Fies e as iniciativas de crescimento de base de alunos e cortes de custos devem se traduzir em expansão de margem e crescimento sólido do Ebitda em 2015. 

Gerdau (GGBR4, R$ 9,70, -1,82%)
As ações da Gerdau fecharam no vermelho nesta quarta, ainda de olho na Operação Zelotes. Segundo a companhia, “até o momento, não foi contatada por nenhuma autoridade pública a respeito da Operação” e  “também reitera que possui rigorosos padrões éticos na condução de seus pleitos junto aos órgãos públicos”.

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 5,00, -8,76%)
Diante do baixo ritmo da economia e da queda na confiança de empresários e consumidores, o setor varejista brasileiro enfrentou um primeiro trimestre difícil em comparação com igual período do ano passado, afirmou na terça-feira a presidente da rede Magazine LuizaLuiza Helena Trajano. As ações da companhia fecharam no vermelho e chegaram a registrar perdas de 7,30% na mínima do dia. 

A executiva afirmou durante evento promovido pela Associação Brasileira de Private Equity e Capital de Risco (ABVCap) que o atual momento político e econômico vivido pelo país “é sério” e defendeu ajuste fiscal planejado pelo governo federal. “O Brasil vive um momento difícil, estamos em um momento político muito mais sério que o econômico, mas essa não é a primeira crise (vivida pelo país)”, disse a executiva no evento, em referência a crises sofridas durante governos anteriores do país.

Copasa (CSMG3, R$ 18,75, -3,94%)
As ações da Copasa fecharam com fortes perdas nesta sessão. A companhia informou que o volume faturado de água recuou 11,7% em março deste ano ante o mesmo mês de 2014, para 52,621 milhões de metros cúbicos. 

Já o volume faturado de esgoto caiu 11,1% na mesma comparação, para 34,423 milhões de metros cúbicos. Segundo a companhia, a redução nos volumes ocorreu em função principalmente da campanha educativa pela redução do consumo ,”que é uma das medidas adotadas pela companhia visando minimizar os impactos da crise hídrica pela qual passa a Região Sudeste”.

Destaque ainda para a notícia de que Belo Horizonte deve decretar racionamento até amanhã. Segundo informação do Jornal O Tempo, será decretado o Estado de escassez hídrica nos mananciais que abastecem a capital de Minas Gerais já nesta quinta. As ações da companhia de eletricidade mineira, Cemig (CMIG4, R$ 13,54, -2,94%), também fechou no vermelho. 

A fonte é a diretora do Instituto Mineiro de Gestão de Águas (Igam), Fátima Chagas, que disse que a situação dos mananciais que abastecem a região metropolitana foi considerada a mais grave no estado desde que medições em sete dias consecutivos ficaram em 70% a média entre as vazões mínimas semanais registradas nos últimos 10 anos. Com a redução no abastecimento de água dos reservatórios de rio Manso, Serra Azul e Paraopeba, a Copasa terá de reduzir em 20% a captação nos mananciais.

B2W Digital (BTOW3, R$ 22,00, +3,92%) e Localiza (RENT3, R$ 38,39, +2,78%)
As ações das duas empresas registraram ganhos após os dados menores do que o esperado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março. Apesar de ter atingido o maior valor para o mês em 20 anos, de 1,32%, o resultado ficou abaixo do esperado pelo mercado, de 1,37%, e reforça a perspectiva de altas menores da taxa de juros no longo prazo, o que beneficia as ações do setor de consumo e varejo. 

CVC (CVCB3, R$ 15,60, +5,98%)
As ações da CVC tiveram mais um dia de alta, a quinta em seis pregões e acumulando ganhos na faixa de 16% e atinge o maior patamar desde 9 de dezembro. A companhia divulgou nesta semana os dados operacionais, considerado positivos. No primeiro trimestre de 2015, as reservas confirmadas cresceram 11,3% em relação ao mesmo período de 2014, totalizando R$ 1.268,7 milhões. O crescimento foi registrado também individualmente por cada um dos três diferentes canais de vendas da operadora: vendas pelas lojas franqueadas (lojas exclusivas), pelos agentes independentes e pelo canal online. 

Sabesp (SBSP3, R$ 18,00, -1,64%)
Nesta quarta, o Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade) condenou por formação de cartel as empresas Saenge Engenharia de Saneamento e Concic Construções. Por decisão unânime do tribunal, foi aplicada multa global de R$ 18,7 milhões após a comprovação de que as empresas realizaram cartel para disputar a licitação da Sabesp. 

Mills e OdontoPrev
A Mills (MILS3, R$ 8,00, -0,74%) foi rebaixada de overweight (exposição acima da média do mercado) para manutenção pelo HSBC, que possui preço-alvo de R$ 9,10 por ação. Já a OdontoPrev (ODPV3, R$ 10,76, -3,47%) também teve sua recomendação rebaixada de overweight para manutenção e com preço-alvo de R$ 11 por papel.