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Petrobras cai 4% e Ibovespa fecha em forte queda em dia de “sell-off” global por Grécia

Índice registrou perdas depois de mais um fracasso nas negociações da Grécia a um dia do vencimento da sua dívida; plano de investimentos da Petrobras é divulgado e convence investidores

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SÃO PAULO – O Ibovespa fecha em queda nesta segunda-feira (29), seguindo o desempenho das bolsas mundiais. O noticiário hoje é dominado pela iminência de um default da Grécia, que vê vencer amanhã a sua parcela de 1,6 bilhão de euros de dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Ontem, o país decidiu implementar um controle de capitais, fechando bancos e restringindo saques a 60 euros por dia. No dia 5 de julho, o país terá referendo para a população decidir se aceita as medidas de austeridade impostas pelos credores. 

O benchmark da Bolsa brasileira recuou 1,86%, a 53.014 pontos, voltando ao patamar do começo de junho. O volume financeiro negociado na BM&FBovespa foi de R$ 5,067 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial fechou em queda de 0,28%, a R$ 3,1175 na compra e a R$ 3,1195 na venda. Já no mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 cai 4 pontos-base, a 14,02% ao ano, ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2021 sobe 1 ponto-base, a 12,73%. 

Nem mesmo a frase do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmando que o “Grexit” nunca irá acontecer, impediu que is mercados hoje tivessem dia de “sell-off”. Na Ásia, o Nikkei teve baixa de 2,88%, Shangai caiu 3,29% e o Hang Seng caiu 2,61%. Já pela Europa, o índice FTSE 100 recuou 1,98%, o DAX caiu 3,56%, o CAC 40 despencou 3,74%, o FTSE MIB mergulhou 5,17%, o IBEX 35 teve perdas de 4,56% e o Stox 600 já cai 2,73%. A situação para os índices norte-americanos é parecida. O Dow Jones cai 1,95% ao passo que o S&P 500 recua 2,07% e o Nasdaq registra perdas de 2,41%. Foi o pior pregão do Dow Jones desde outubro e a queda do S&P fez com que o ínidice zerasse os ganhos no ano. 

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Segundo o economista da Elite Corretora, Hersz Ferman, os efeitos imediatos da crise grega são a desvalorização do euro, queda na confiança das empresas e consumidores, redução do nível de risco por parte dos investidores e possível queda da demanda europeia, afetando o preço de commodities e um possível stress por parte dos bancos europeus, que pode afetar o crédito no mundo inteiro. Para ele, isso pode fazer com que o BCE (Banco Central Europeu) decida aumentar o Quantitative Easing. “Creio que os desdobramentos disso, como a saída do país da Zona do Euro, pode trazer mais dúvidas e volatilidade aos mercados”, avalia o economista.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 14,05, -4,10%PETR4, R$ 12,75, -3,48%) fecharam em queda por conta da Grécia, que ofuscou a divulgação do Plano de Negócios e Gestão 2015-2019. Os investimentos totais foram reduzidos em 37% quando comparados ao Plano anterior. O montante de desinvestimentos em 2015/2016 foi revisado para US$ 15,1 bilhões (sendo 30% na Exploração e Produção, 30% no Abastecimento e 40% no Gás e Energia).

Do lado negativo, também ficou o destaque para as ações dos bancos Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,21, -1,27%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,80, -2,86%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,74, -1,63%BBDC4, R$ 28,45, -2,20%) e Santander (SANB11, R$ 16,58, -2,53%). 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 GOLL4 GOL PN N27,35-5,16-51,58
 OIBR4 OI PN5,93-4,82-31,13
 CSNA3 SID NACIONAL ON5,32-4,32+2,94
 TIMP3 TIM PART S/A ON10,24-4,30-11,59
 KROT3 KROTON ON11,65-4,19-24,49

As ações das educacionais voltaram a cair hoje após o governo anunciar que pretende oferecer entre 300 mil e 350 mil novas vagas por ano do Fies, programa de financiamento do governo federal para o ensino superior. No ano passado, foram ofertadas 732 mil. No novo desenho, o financiamento estudantil também transferirá para as faculdades privadas uma parcela muito maior da inadimplência do programa, reduzirá o subsídio que vinha sendo dado pelo Tesouro e aumentará os juros para os estudantes, assim como exigirá maior participação nas mensalidades durante o curso. 

Em relatório, o Credit Suisse disse que o novo Fies é ligeiramente negativo para as empresas. Na Bolsa, as ações da Kroton (KROT3, R$ 11,65, -4,19%) e da Estácio (ESTC3, R$ 17,20, -4,02%) caíram.

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Enquanto isso, a Vale (VALE3, R$ 19,20, -2,14%VALE5, R$ 16,25, -2,69%) teve queda em dia de recuo do minério de ferro. O preço de referência do minério de ferro, com entrega imediata no porto de Tianjin caiu 0,3% nesta segunda-feira, para US$ 60,50 por tonelada.

Já a notícia positiva ficou por conta da visita da presidente Dilma Rouseff (PT) ao presidente dos EUA, Barack Obama, que deverão assinar nesta segunda cerca de 15 acordos de cooperação em uma série de áreas, como previdência, meio ambiente, educação e agricultura. Entre eles está um acordo que prevê a exportação de carne bovina in natura brasileira ao mercado norte-americano – no ano passado, esse comércio foi de apenas US$ 95 mil. A expectativa é de que 14 Estados brasileiros obtenham licença para vender aos norte-americanos. Vale só destacar que as vendas de carne in natura para os EUA têm importância comercial limitada, até por conta da “falta de boi” aqui no mercado doméstico, comentou a XP Investimentos.  

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 NATU3NATURA ON27,40+1,41-10,71
 MRFG3MARFRIG ON5,64+0,71-7,54
 GGBR4GERDAU PN7,75+0,65-18,05
 ENBR3ENERGIAS BR ON11,56+0,61+30,47
 CTIP3CETIP ON EJ33,90+0,41+8,14

O presidente da JBS (JBSS3, R$ 15,93, -1,06%), Wesley Batista, comentou neste domingo que a liberação do mercado americano deve ter impacto “espetacular” e será um “marco histórico” para a pecuária brasileira. Na Bolsa, ações da Marfrig (MRFG3, R$ 5,64, +0,71%) foram impactadas pela notícia e subiram. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4PETROBRAS PN12,75-3,48806,35M
 PETR3PETROBRAS ON14,05-4,10291,99M
 BRFS3BRF SA ON65,70-2,67241,01M
 ITUB4ITAUUNIBANCO PN34,21-1,27235,37M
 KROT3KROTON ON11,65-4,19228,50M
 BBDC4BRADESCO PN ED28,45-2,20190,80M
 VALE5VALE PNA16,25-2,69168,31M
 SUZB5SUZANO PAPEL PNA16,28-3,61122,06M
 ABEV3AMBEV S/A ON19,00-0,94110,99M
 BBAS3BRASIL ON23,80-2,86110,75M

* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Grécia no radar
“A chance de um acordo até o começo do fim de semana parecia de 50%, mas agora estamos com zero e uma grande dose de incerteza adicional surgiu com o anúncio do referendo grego, o congelamento da linha de liquidez emergencial do BCE (Banco Central Europeu) e o esperado atraso no pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) esta semana”, dizem os analistas do Royal Bank of Scotland (RBS) em relatório enviado aos clientes nesta manhã.

O maior risco para diversos especialistas é de contágio para outros países da zona do euro, que podem sair depois da Grécia, como Portugal, Espanha e Itália. O risco, no entanto, é menor do que há alguns anos. “Primeiro porque os bancos europeus já reduziram bastante sua exposição à Grécia. Depois, porque outras economias consideradas vulneráveis do bloco, como Espanha, Portugal e Irlanda, estão caminhando na direção de colocar suas contas em dia e retomar o crescimento”, diz o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria em entrevista à BBC.

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Para mercados emergentes como o brasileiro, o risco trazido pela crise da Grécia é o surgimento de uma forte aversão ao risco entre os investidores internacionais, prejudicando principalmente os emergentes. O real, por exemplo, deve se desvalorizar, com uma corrida por ativos mais seguros como os títulos da dívida norte-americana.

O analista da Spinelli, Elad Revi, diz que esta situação gera incertezas em escala global. “Quanto ao que afeta diretamente o Brasil, pensemos que, no caso de, de fato, a Grécia ‘defaultar’, o fluxo de capital mundial se volta diretamente ao que chamamos de porto-seguro, então, Franco Suiço, Ouro, EUA por exemplo. Brasil, infelizmente não está nesse conjunto, logo, sai capital estrangeiro daqui; por essa e outras ‘n’ razões claro. Saindo capital daqui afeta diretamente bolsa e câmbio em um primeiro instante”, explica.

No entanto, ele diz que o risco da Grécia sair da zona do euro efetivamente é complexo demais para ser calculado. Revi lembra que por mais que se monitore a situação do país todos os dias, há sempre uma novidade, como o referendo, que surpreendeu até aos credores.

Apesar de toda a negatividade no cenário de hoje, o analista independente do blog WhatsCall, Flávio Conde, diz que a sua recomendação é não vender. “A gente vai viver uma semana atípica com um mini pânico por causa da Grécia que vai juntar com a corrupção no Brasil. É preciso aguentar”, explica, apostando em correções nas próximas semanas.

Cenário doméstico
Também teve algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 oscilou de uma retração de 1,45% para uma de 1,49%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9% este ano. Para a Selic, as projeções foram elevadas de 14,25% para 14,5%. 

Na agenda de hoje, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, viajou aos Estados Unidos e garante estar bem após internação por conta de uma embolia pulmonar. Quem também está nos EUA é a presidente Dilma Rousseff (PT), que se reúne com o presidente norte-americano, Barack Obama, para assinar uma série de acordos comerciais. Sua viagem chegou a ser adiada na manhã de sábado para que ela se reunisse com ministros depois que eles foram citados na delação premiada do executivo da UTC, Ricardo Pessoa, como envolvidos no escândalo de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal.