Petrobras: as falas na tele que explicam virada das ações e fizeram PETR3 saltar 4,8%

Cautela com projetos futuros e investimentos fizeram com que as ações ganhassem ânimo durante a teleconferência; PETR3 teve desempenho superior a PETR4 na sessão

Lara Rizério Camille Bocanegra

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A sessão pós-resultados da Petrobras (PETR3;PETR4) prometia ser de marasmo para as ações da estatal. Contudo, em uma reviravolta, os papéis passaram a subir no fim da manhã, fechando a sexta-feira (7) com ganhos de 4,83% (R$ 34,28) para PETR3 e de 3,77% (R$ 32,18) para PETR4.

A companhia divulgou seu balanço na noite da última quinta-feira, com dados operacionais que surpreenderam o mercado, mas com dividendos de R$ 12,2 bilhões em linha com boa parte das projeções por conta do aumento dos investimentos em capital (capex). Os investimentos reportados foram de US$ 5,5 bilhões (versus US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões nos últimos trimestres e alta de 24% ante o 2T25), impulsionados principalmente por projetos de desenvolvimento do pré-sal. 

Isso geral um sinal de alerta no mercado: conforme ressaltou o Bradesco BBI, o capex poderia ofuscar os fortes resultados operacionais, já que se manteve persistentemente alto ao longo do ano e aumentou ainda mais dias antes da apresentação da atualização estratégica da empresa.

Análise de Ações com Warren Buffett

Desta forma, no after market da última quinta pouco depois após o balanço, os próprios ADRs (recibo de ações negociado nos EUA) pouco se movimentavam. Na abertura da B3, as ações alternavam entre leves perdas e ganhos.

A sessão prometia ser de poucas movimentações, mas os ativos PETR3 e PETR4 passaram a acelerar os ganhos no fim da manhã desta sexta, em um movimento que coincidiu com as declarações de executivos da estatal em teleconferência.

Na webcast, o diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, apontou que a Petrobras está acelerando investimentos neste ano e vê menos flexibilidade para alterar os aportes previstos em horizontes mais curtos no próximo plano de negócios. O executivo afirmou que o ritmo de execução dos aportes em 2025 está acima do projetado, com os valores devendo encerrar o ano entre o centro e o teto da projeção.

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Essas declarações poderiam ser negativas para as ações da companhia. Melgarejo ainda avaliou que há menos flexibilidade para mexer nos valores em horizontes mais curtos, com projetos em andamento e com os quais a petroleira já tem compromissos firmados com fornecedores.

Contudo, para os anos mais à frente e para investimentos não contratados, Melgarejo disse que a Petrobras pode avaliar postergações se houver uma pressão “muito grande” sobre os preços do petróleo Brent.

O diretor financeiro afirmou ainda que “a palavra é ‘cautela'” no que diz respeito a dividendos e fusões e aquisições (M&As, na sigla em inglês). Segundo ele, a estatal não avalia no momento qualquer mudança em sua política de dividendos, o que animou as ações durante a tele.

“O primeiro ponto que despertou atenção foi a indicação de que a empresa está acelerando o cronograma de investimentos já contratados, mantendo, simultaneamente, uma postura cautelosa em relação a novos projetos. O Diretor Financeiro deixou claro que, caso o preço do barril de petróleo Brent apresente uma queda significativa, a Petrobras poderá adiar investimentos ainda não contratados. Essa postura agradou os investidores, pois reforça a percepção de que a companhia está priorizando retornos consistentes, em detrimento do crescimento a qualquer custo”, avalia Jose Áureo Viana, especialista em investimentos e sócio da Blue3 Investimentos.

Outro aspecto que foi positivamente avaliado pelo mercado foi a cautela em relação aos dividendos extraordinários. “O Diretor Financeiro afirmou que, atualmente, não há caixa excedente que justifique uma distribuição adicional, além da política regular da empresa. Essa declaração foi interpretada como um sinal de gestão responsável, alinhada à manutenção do limite de endividamento estabelecido pela companhia nos últimos anos”, aponta o especialista.

Assim, avalia o analista, esses dois fatores combinados transmitem ao mercado uma mensagem de estabilidade e responsabilidade na gestão da empresa. “A Petrobras continua investindo, mas sem comprometer sua solidez financeira ou negligenciar a disciplina que tem sustentado os resultados recentes. A combinação de governança e previsibilidade explica a boa performance das ações”, aponta Viana.

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Na véspera, a companhia anunciou lucro líquido de US$ 6,03 bilhões no terceiro trimestre, alta de 2,7% na comparação anual, apesar de uma queda do preço do petróleo no período, após a companhia registrar um recorde de exportações com o avanço da produção do pré-sal.

O Itaú BBA ressalta ainda a diferença entre as ações PETR3 e PETR4, sendo que os ativos ordinários tiveram uma alta bem superior aos preferenciais.

Para o BBA, apesar das preocupações com uma provável redução no rendimento dos dividendos no 4T25 devido ao aumento das despesas de capital e à flexibilidade limitada para adiar investimentos de 2026, o que impactou negativamente as expectativas dos investidores locais, a reação das ações foi oposta, com o melhor desempenho da PETR3 possivelmente impulsionado por investidores internacionais.

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“A reação positiva pode ser explicada pelo fato de o resultado operacional acima do esperado ter compensado o aumento das despesas de capital e mantido o rendimento dos dividendos inalterado para o 3T25 (para investidores com foco no curto prazo) e/ou pelo aumento da confiança na execução dos projetos de E&P (exploração e produção) e no consequente crescimento da produção e da geração de caixa no médio e longo prazo (para investidores com foco no longo prazo)”, avalia o banco, que tem recomendação equivalente à compra para as ações.

(com Reuters)

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.