Petrobras: bons 2T e dividendos, mas por que ações fecharam em queda de 3%?

Mesmo com números fortes, ações registraram uma sessão de forte queda

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Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos — Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos — Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

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As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) chegaram a subir cerca de 2% após a divulgação de dividendos fortes de R$ 17,4 bilhões e lucro quase dobrando a R$ 52,44 bilhões. Contudo, os ativos amenizaram os ganhos rapidamente, zerando logo após a abertura e fechando em forte queda, com PETR3 em baixa de 3,42% (R$ 45,69) e PETR4 caindo 2,99% (R$ 40,86).

Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, a indicação da Petrobras de que é muito improvável o pagamento de dividendos extraordinários neste ano pesou negativamente.

Já para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o movimento das ações indica que o balanço foi positivo, mas não trouxe surpresa suficiente para sustentar a alta da abertura. “Vale ressaltar que parte relevante desse desempenho já estava precificada, porque o mercado conhecia a produção recorde e sabia que a alta do petróleo durante o conflito no Oriente Médio favoreceria o trimestre”, avalia.

Além disso, depois da reação inicial aos números, os investidores passaram a olhar a principalmente para a sustentabilidade desse resultado. O lucro foi beneficiado por um cenário excepcional para o petróleo, enquanto o caixa operacional sofreu com R$ 9,7 bilhões ainda não recebidos em subsídios aos combustíveis. Também pesaram o custo de R$ 4,9 bilhões com a tributação das exportações e o aumento dos investimentos.

“Na minha visão, o movimento reflete o equilíbrio entre resultados operacionais muito fortes e dúvidas sobre petróleo, conversão do lucro em caixa, interferência governamental e espaço para manutenção dos dividendos nos próximos trimestres”, conclui.

Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, aponta que, apesar de reportar bons resultados e informar o pagamento de bons dividendos, as ações da petroleira vinham de uma alta de quase 15% no mês de julho. “Acredito que o movimento de hoje retrate um pouco os investidores realizando parte deste lucro do mês passado”, aponta.

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Com R$52,4 bilhões apurados entre abril e junho, a estatal alcançou o terceiro maior lucro líquido trimestral de sua história. O montante ficou também acima da expectativa de R$44,7 bilhões apontada por pesquisa da LSEG junto a analistas do setor.

Segundo a Petrobras, o resultado refletiu o aumento da produção, apoiado pelo avanço do ramp-up de sistemas de produção e pela entrada em operação da plataforma P-79 no campo de Búzios, além do maior preço médio do petróleo Brent, que subiu para US$104,52 por barril no trimestre, ante US$67,82 um ano antes. 

Os preços da commodity cresceram diante da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que teve início no fim de fevereiro e restringiu parte da oferta de petróleo global.

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A companhia elevou a produção de petróleo no Brasil em 15,2% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, para um recorde de 2,69 milhões de barris por dia (bpd) no país, conforme já havia reportado na semana passada.

“Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras. O aumento do volume de produção de óleo e de derivados, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu nossa geração de caixa”, afirmou o diretor financeiro, Fernando Melgarejo, no relatório.

Além disso, a sessão para o mercado brasileiro como um todo foi negativa e com sinais de saída de estrangeiros – que costumam investir no país por meio das blue chips como Petrobras.

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(com Reuters)