Petrobras acelera e Ibovespa renova máxima do ano com 3ª alta seguida

Índice sai do zero a zero a poucos instantes do fim, impulsionado pela intensificação de ganhos da estatal; Vale e siderúrgicas fecham na contramão

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SÃO PAULO – Após registrar movimento quase lateral durante boa parte da tarde, o Ibovespa conquistou sua terceira alta seguida e renovou a máxima do ano nesta terça-feira (10), ao terminar o dia com ganhos de 0,61%, a 54.604 pontos, na máxima do dia. Contribuiu para mais um dia positivo para o benchmark da bolsa brasileira a intensificação dos ganhos dos papéis da Petrobras (PETR3, R$ 17,17, +1,60%; PETR4, R$ 18,34, +1,49%) na última hora de pregão. Com isso, as ações da estatal somaram alta na casa dos 12% nas últimas 3 sessões, influenciando o recente rali eleitoral. O giro financeiro da Bovespa foi de R$ 6,92 bilhões.

À espera de mais pesquisas eleitorais – Vox Populi, Ibope e Sensus –, após o último Datafolha, que mostrou a volta das quedas da presidente Dilma Rousseff na corrida às urnas, o clima político voltou a chamar atenção do mercado. Nesta tarde, o PMDB decidiu por apoiar novamente o PT em nível nacional e manter a chapa Dilma-Temer, vencedora das últimas eleições. O anúncio pode ampliar a viabilidade eleitoral da candidatura da atual presidente e afastar de vez o fantasma do coro “Volta, Lula”, ainda existente em grupos internos do PT e outros simpatizantes ao popular ex-presidente.

Além da notícia, a Uvesp (União dos Vereadores do Estado de São Paulo) informou que a nova pesquisa Ibope, por eles contratada, deve ser divulgada ainda na noite desta terça-feira, o que pode ter alimentado novo otimismo dos investidores na Bovespa. Vale lembrar que a perda de espaço da presidente Dilma na corrida eleitoral tem significado toadas importantes de otimismo no mercado nacional, uma vez que uma parcela considerável dos investidores repudia sua gestão no âmbito econômico.

Já no campo econômico, os indicadores antecedentes continuaram a indicar em abril que o ritmo de crescimento brasileiro está enfraquecendo, assim como em boa parte das grandes economias emergentes, de acordo com informações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O resultado do Brasil caiu para 98,5 em abril, de 98,6 em março, enquanto o da Rússia recuou para 99,2, de 99,3. Os dados de China e Índia ficaram estáveis em 98,6 e 97,9 em abril, respectivamente. Os números das quatro economias ficaram abaixo da marca de 100,00, o que indica que o crescimento econômico deve ficar abaixo da taxa de tendência.

Ainda no cenário macroeconômico nacional, atenção ainda para os números de inflação, com IPC-Fipe desacelerando alta para 0,22% na 1ª quadrissemana de junho e o prévia de junho mostrando recuo de 0,64% do IGP-M, segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas).

Destaques do pregão
Entre os principais ganhos do dia apareceram as ações das elétricas, dando sequência aos ganhos da véspera em meio à redução dos preços de energia, liderados pelos papéis da Eletropaulo (ELPL4, R$ 10,07, +3,18%). Em seguida, ainda no mesmo setor, apareceram as da Light (LIGT3, R$ 21,75, +2,98%), que sobiram após prever investimentos de R$ 4,5 bilhões entre 2014 e 2017. Desse total, R$ 1,05 bilhão serão investidos em 2014, aumento de 24,8% sobre 2013, quando foram de R$ 845 milhões. Já a média anual entre 2015 e 2017 será de R$ 1,07 bilhão.

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Outras elétricas também registraram alta, de olho na reunião pública da diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que discutirá sete propostas de abertura de novas audiências públicas, com temas que afetam os cofres das companhias do setor. Dentre as sugestões, estão o aprimoramento da metodologia de revisão tarifária, custos operacionais e perdas de energias.

Enquanto isso, os papéis da Ambev (ABEV3) registraram perdas de 0,43%, depois de chegarem a cair mais de 1% após a companhia ter a recomendação dos seus ativos reduzida pelo Credit Suisse de outperform para neutra. Os papéis fecharam precificados em R$ 16,33.

Também na ponta de baixo, destaque para as ações das companhias dos setores de mineração e siderurgia, com Vale (VALE3, R$ 29,44, -0,64%; VALE5, R$ 26,40, -0,79%), CSN (CSNA3, R$ 9,35, -1,06%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,12, -1,93%) driblando a terceira sessão de três ganhos seguidos do Ibovespa. Sobre a mineradora, segundo o Barclays, a queda de 30% do preço do minério de ferro deixou a companhia “cara demais”.

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As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 2,28 +3,64 -36,49 198,52M
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 10,07 +3,18 +12,58 15,79M
 BBAS3 BRASIL ON 25,86 +2,99 +8,78 277,11M
 LIGT3 LIGHT S/A ON 21,75 +2,98 +8,25 26,34M
 QUAL3 QUALICORP ON 24,10 +2,55 +7,11 38,53M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 8,12 -1,93 -42,86 60,05M
 DTEX3 DURATEX ON 9,41 -1,77 -21,28 14,28M
 HGTX3 CIA HERING ON 23,41 -1,68 -20,25 72,81M
 BRAP4 BRADESPAR PN 19,66 -1,50 -18,37 22,95M
 KLBN11 KLABIN S/A UNT N2 11,30 -1,40 n/d 37,96M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 18,34 +1,49 627,29M 482,67M 34.722 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN EDB 33,78 -0,27 471,53M 299,05M 23.328 
 VALE5 VALE PNA 26,40 -0,79 333,25M 369,83M 22.623 
 BBAS3 BRASIL ON 25,86 +2,99 277,11M 146,19M 20.934 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 33,64 +0,78 247,73M 268,67M 14.020 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,33 -0,43 222,99M 149,82M 22.740 
 PETR3 PETROBRAS ON 17,17 +1,60 200,26M 139,09M 16.269 
 OIBR4 OI PN 2,28 +3,64 198,52M 102,65M 38.123 
 ESTC3 ESTACIO PART ON 28,80 -0,96 189,27M 84,62M 9.563 
 VALE3 VALE ON 29,44 -0,64 146,88M 99,94M 10.635 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

EUA, China e dólar
Na maior economia do mundo, destaque para os dados de estoque de atacado, que subiram acima do esperado, a 1,1% em abril, ante expectativa de alta de 0,2%. Já os dados de abertura de vagas de emprego nos EUA aumentaram para 4,46 milhões em abril, ante 4,17 milhões em março. Por lá, os três principais índices acionários fecharam praticamente estáveis.

Além disso, a China seguiu no radar dos mercados: dados mostraram que a inflação ao consumidor subiu 2,5% em maio, ante crescimento de 1,8% no mês anterior, enquanto os preços ao produtor caiu 1,4%, frente queda de 2% em abril.

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Já o dólar teve nova sessão de desvalorização ante o real. Nesta terça-feira, a moeda americana fechou com perdas de 0,13%, a R$ 2,2281 na venda, voltando a se aproximar da antiga “zona de conforto” para o mercado cambial nacional.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.