Publicidade
Os valores do Bitcoin caíram para o nível mais baixo desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo. Se os mercados de previsão estiverem corretos, a criptomoeda mais popular do mundo pode cair muito mais.
O Bitcoin perdeu 40% desde que atingiu o recorde histórico de mais de US$ 126.000 em outubro, perdendo impulso, narrativa e sua posição como proteção contra riscos ao mesmo tempo.
Contratos na Polymarket, uma plataforma descentralizada de previsões popular entre especuladores nativos de cripto, agora indicam 82% de chance de o Bitcoin cair para US$ 65.000 neste ano, um nível cerca de 13% menor que os atuais US$ 73.200.
Oportunidade com segurança!
Alguns estão apostando em uma queda ainda maior. As chances de o valor terminar abaixo de US$ 55.000 subiram para cerca de 60%, enquanto as chances de uma recuperação que leve a moeda novamente para US$ 100.000 caíram para 54%, ante 80% no início do ano.
A tendência pessimista é ainda mais forte em contratos de curto prazo. Um mercado de fevereiro na Polymarket agora atribui 72% de chance de o Bitcoin ser negociado abaixo de US$ 70.000 até 1º de março — um aumento de mais de 35 pontos percentuais desde o início do mês. Cerca de US$ 1,7 milhão em apostas sustentam esse resultado, refletindo o pessimismo dos traders em tempo real, enquanto saídas de recursos de ETFs e correlações macroeconômicas fracassadas aumentam as dúvidas no setor.
“Isso basicamente reflete o sentimento pessimista nos mercados neste momento”, disse Ilan Solot, da Marex, citando, entre outros fatores, a recente incapacidade do Bitcoin de agir como um ativo de proteção.
Continua depois da publicidade
Sentimento negativo
O sentimento do mercado cripto está muito negativo desde o início de outubro, quando uma queda surpresa em um fim de semana liquidou bilhões de dólares em diversas posições. Em retrospectiva, foi um momento significativo: os tokens não conseguiram se recuperar desde então. Uma nova onda de vendas no último fim de semana deixou o clima ainda pior. O valor total do mercado cripto agora está em cerca de US$ 2,5 trilhões, abaixo dos mais de US$ 4 trilhões registrados em outubro.
“Esses mercados em queda costumam ser muito brutais para quem usa alavancagem. E a quantidade de dinheiro destruída em 10 de outubro é muito maior do que na queda anterior, em novembro de 2022”, disse Dan Morehead, fundador da Pantera Capital. “Isso causa muita dor. E muitos desses investidores não voltam ao mercado — e isso leva tempo.”
Os fluxos para ETFs de criptomoedas ajudaram a sustentar os preços no ano passado, quando dezenas de bilhões de dólares entraram apenas em fundos de Bitcoin. Mas essa fonte de apoio secou: como categoria, os ETFs de cripto negociados nos EUA tiveram saídas de quase US$ 4 bilhões nos últimos três meses, segundo dados compilados pela Bloomberg. O investidor médio agora está no prejuízo em seu investimento, de acordo com pesquisas da Glassnode e K33.
“Observamos uma queda notável nos fluxos para ETFs spot dos EUA, que são uma grande fonte de potencial entrada de novo dinheiro no setor”, escreveu Alex Saunders, do Citi, em um relatório. “Essa falta de nova demanda coincidiu com investidores de longo prazo passando a se preocupar com uma fraqueza cíclica do Bitcoin.”
Ainda assim, a sabedoria coletiva — quando vista pela lente dos mercados de previsão — contrasta fortemente com o que os otimistas de Wall Street sobre cripto vêm promovendo: que os tokens digitais estão prestes a se recuperar.
O gestor de recursos e personalidade do setor fintech Tom Lee, por exemplo, previu em novembro que o Bitcoin poderia voltar para a faixa entre US$ 150.000 e US$ 200.000, previsão que não se concretizou. E embora empresas como Standard Chartered Plc e Bernstein tenham reduzido suas projeções, elas ainda esperam uma alta relevante: ambas afirmam que o Bitcoin pode atingir US$ 150.000 até o fim do ano.
Continua depois da publicidade