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SÃO PAULO – Contrariando a percepção da maioria das pessoas, os estudantes do ensino médio japonês estão menos interessados no estudo que os seus colegas norte-americanos e chineses. A constatação se baseia em uma pesquisa elaborada pela Fundação Hitotsubashi Bungei Kyoiku Shinkokai, que está ligada ao Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia do Japão.
A pesquisa envolveu alunos do ensino médio dos três países, dos quais 1.300 do Japão, 1.300 da China e 1.000 dos EUA. Em um momento em que o governo estuda possíveis mudanças no currículo japonês, a pesquisa, publicada nesta semana, causou muita controvérsia, pois também constatou que esses mesmos estudantes não se orgulham do Japão e estão pessimistas com relação ao seu futuro.
Menos estudo e atenção nas aulas
Uma análise dos resultados da pesquisa permite verificar que 45% dos estudantes do ensino médio japonês afirmaram que raramente estudam durante a semana, com exceção do horário em que estão na escola. Percentual muito mais elevado do que os registrados nos EUA (15%) e China (8%).
Entre os japoneses entrevistados, 73% afirmaram que freqüentemente dormem ou perdem atenção na classe, frente a 49% dos norte-americanos e 29% dos chineses. Outra constatação impressionante é a de que, enquanto 80% dos estudantes chineses e norte-americanos afirmam fazer seus deveres de casa, no Japão este percentual é bem menor, de 53%.
Pessimistas com o futuro
Quando perguntados sobre o que gostariam de fazer, 38% dos estudantes japoneses afirmaram que gostariam de viver sem ter que trabalhar, a maior percentagem entre os três países analisados. Cerca de 16% deles afirmam que acreditam que seu futuro será ruim ou não tão bom.
A pesquisa também avaliou o patriotismo destes estudantes. Enquanto mais da metade dos estudantes norte-americanos e chineses afirmou ser patriota, entre os japoneses esta resposta foi dada por pouco mais de 10% dos entrevistados. Mais ainda, 57% dos estudantes japoneses não se sentem orgulhosos ao ver a bandeira japonesa, enquanto 65% têm este mesmo sentimento com relação ao hino nacional.
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A queda nos padrões de ensino e no grau de motivação dos estudantes já foi constatada há alguns anos, mas até o momento pouco tem sido feito no sentido de reverter este quadro.