Pessimista, Bradesco introduz preço-alvo de 2010 para VCP e Aracruz

Analistas expõem fragilidade das margens da companhia resultante da fusão e apontam riscos para os acionistas

Publicidade

SÃO PAULO – Introduzindo o preço-alvo de 2010 das ações de VCP (VCPA3) e Aracruz (ARCZ6), os analistas da Bradesco Corretora frisaram os fundamentos da nova companhia que será formada pela fusão destas duas: a Fibria.

As metas para 2010 foram estabelecidas em R$ 3,00 por ação, para os papéis da Aracruz e R$ 22,80 para as ações da VCP (Fibria). A recomendação para os dois ativos é underperform – abaixo do mercado.

A recomendação é explicada por diversos fatores, conforme expõe a equipe, dentre os quais se destacam o fraco nível dos preços internacionais de celulose, a valorização do real, que traz impactos negativos para a empresa, e, principalmente, a alta dívida que a Fibria irá herdar.

Dívida

Segundo as estimativas da corretora, são mais de R$ 14,1 bilhões em dívidas, o que deverá exercer grande pressão sobre as margens da empresa, fazendo-se necessário o seu refinanciamento.

Neste ponto, os analistas levantaram as seguintes hipóteses: incrementar o programa de emissão de títulos da dívida da empresa, a venda de todos os papéis que a companhia tiver em tesouraria e uma nova emissão de ações. Eles apostam na última alternativa.

“Acreditamos que uma emissão de ações poderá proporcionar uma estrutura de capital mais confortável” apontam os analistas, que não deixam de lembrar dos impactos negativos que esta emissão teria sobre os acionistas.

Continua depois da publicidade

Rali

“Intrigados com o rali das ações da VCP e da Aracruz, nós e outros analistas fundamentalistas não conseguimos achar qualquer justificativa razoável” afirma a corretora.

Segundo ela, o que deve ter ocorrido foi um fluxo de capital para os papéis, gerado por uma retenção de liquidez, conforme o grande volume de dinheiro injetado nos mercados este ano se viu com poucas alternativas de aplicação.

Desta forma, a criação da Fibria, desde já uma das maiores empresas do setor no mundo, desfrutando dos menores custos de produção do planeta, se tornou uma opção “atrativa” dentro do segmento de papel e celulose, apesar das fracas métricas.