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SÃO PAULO – O pessimismo dos mercados em relação à recuperação da economia norte-americana, mesmo após a aprovação do aumento no teto da dívida do país, é exagerado. A opinião é do economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), Rubens Sardenberg, que concedeu uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (3) para apresentar a Pesquisa de Projeções Macroeconômicas e Expectativa de Mercado para este ano e para 2012.
Segundo Sardenberg, a crise da dívida da principal economia do mundo de alguma maneira está resolvida, dentro da expectativa. “É claro que tem uma série de coisas em aberto, e, portanto, esse é um assunto que ainda vai preocupar, mas acho que isso é algo superado”, disse. “Como vai ter mais restrição fiscal, teremos menos crescimento em uma economia já debilitada. Isso é ruim para a recuperação global”, completou.
O economista avalia que isso deve atingir o Brasil, assim como outros países. Contudo, segundo ele, o principal impacto que nós deveremos sentir é o aumento dos investimentos estrangeiros. Se o cenário externo está preocupante, os investidores voltam a buscar por mercados mais seguros, nos quais o Brasil atualmente está inserido.
“Temos que ver como a economia norte-americana vai se comportar no terceiro trimestre. O mercado parece que está extremamente pessimista em relação à recuperação dos EUA, mas talvez a gente possa ver um desempenho não tão ruim quanto se espera”, disse Sardenberg.
China, EUA e Europa
Mesmo assim, o economista-chefe da Febraban acredita que, no cenário de curto e médio prazos, não há expectativa de mudança estrutural de projeções de crescimento para o Brasil e outros países emergentes em decorrência do clima de cautela sobre a recuperação dos Estados Unidos. “A China deve continuar crescendo assim como a economia brasileira no curto e médio prazos”, disse.
Porém, “se o crescimento da China fosse de alguma forma afetado por uma piora no quadro norte-americano, ai sim teríamos um impacto importante no Brasil, especialmente no que diz respeito a demanda por commodities”, revelou Sardenberg.
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Em relação à crise da dívida soberana na Europa, o economista destacou que o pacote de € 109 bilhões acertado entre os ministros de Finanças da Zona do Euro para resgatar a economia da Grécia colocou panos quentes no assunto. Segundo ele, a única forma de a crise fiscal europeia atingir drasticamente a economia brasileira seria através do desmembramento de alguns países da Zona do Euro, com saída das economias periféricas do bloco.
“O mercado está colocando nos preços uma perspectiva bastante pessimista em relação ao crescimento da economia global, mas não estamos vendo isso nos resultados das empresas por aqui. Se as crises piorarem, a maior preocupação seria o câmbio, mas não vejo isso acontecer”, concluiu o economista.