Pesquisa do BofA Merrill Lynch mostra gestores à espera de recuperação

Levantamento mostra maior otimismo com retomada do crescimento econômico, principalmente de emergentes

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SÃO PAULO – Ao contrário da relutância vista no mês passado, a pesquisa com gestores de grandes fundos de investimentos realizada pelo Bank of America Merrill Lynch em maio mostrou que os investidores agora estão posicionados para uma recuperação econômica global.

“O inexorável pessimismo de meros três meses atrás foi substituída por um sentimento bastante típico de início de ciclo”, explicou a instituição, ressaltando que para dar continuidade a esse otimismo é necessário que os indicadores econômicos agora venham em linha com o esperado.

A pesquisa da Merrill Lynch mostrou uma melhora significativa nos resultados em relação a abril. Conforme o relatório da instituição, apenas 12% dos gestores esperam que a economia global se deteriore no próximo ano, enquanto no mês passado essa fatia era de 28%.

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“O otimismo em relação à economia global aumentou com um percentual líquido de 57% dos gestores esperando uma economia mais forte – a leitura mais alta desde o início de 2004”, ressaltaram Gary Baker e Michael Hartnett, estrategistas da instituição responsáveis pela pesquisa.

Lucros e inflação

A Merrill Lynch acrescenta ainda que, pela primeira vez desde março de 2005, a pesquisa mostrou uma expectativa de melhora nos lucros corporativos nos próximos 12 meses, com mais de um quarto dos gestores prevendo crescimentos acima de 10% nos ganhos por ação.

Já em relação à inflação, um percentual líquido de 17% dos investidores vê a política monetária global como muito estimulante, sendo que 33% acredita no início de um ciclo de alta dos juros básicos no próximo ano.

Crescimento difuso

Como era de se esperar, a China é o destaque da pesquisa em matéria de otimismo. De acordo com a pesquisa, 61% dos investidores esperam melhoras na economia chinesa nos próximos 12 meses, comparado com a mínima de novembro de 2008, quando a proporção era de -86%.

É interessante ressaltar ainda que, ao contrário dos últimos meses, todas as regiões são fontes de otimismo. “Até mesmo o último reduto do pessimismo, a Europa, onde 35% dos gestores agora esperam crescimento no próximo ano (a primeira leitura positiva desde agosto de 2007)”, informa o Bank of America Merrill Lynch.

Com a melhora do sentimento houve também a elevação do indicador de apetite ao risco e liquidez da pesquisa, que manteve uma trajetória de recuperação, passando de 35 para 38.

Alocação de ativos

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Embora o apetite ao risco tenha melhorado e 12% dos gestores vejam as bolsas como subvalorizadas, a alocação de ativos continuou cautelosa. Os investidores continuam overweight em dinheiro e underweight em relação aos mercados acionários (embora a proporção tenha subido de -17% em abril para -6%), com preferência pelos setores de tecnologia, petróleo e materiais básicos.

“Esta atitude defensiva relativamente firme pode indicar ceticismo em relação ao rali ou pode simplesmente refletir a realidade da velocidade com a qual as coisas se moveram. Nós vemos isso como um suporte potencial e fonte de financiamento para as bolsas nesse ponto”, declaram os estrategistas da Merrill Lynch.

Em relação às regiões, uma porcentagem líquida de 46% dos alocadores estão overweight acerca dos mercados emergentes globais, acima dos 26% vistos em abril. A Europa e o Reino Unido continuam underweight, sendo o Japão o destino menos preferido dos investimentos. Já os Estados Unidos seguem “modestamente” overweight.