Peso argentino cai 11% e governo culpa Shell; Brasil pode sofrer com isso

Esse movimento vai seguindo o que se tem visto desde o início do ano, quando a moeda começou um enorme processo de desvalorização - que já supera os 20%

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SÃO PAULO – O peso argentino vem despencando nos últimos dias, apresentando queda de 11% nesta quinta-feira (23), a maior desvalorização dos últimos 12 anos. Esse movimento vai seguindo o que se tem visto desde o início do ano, quando a moeda começou um enorme processo de desvalorização – que já supera os 20%. 

O governo argentino, extra-oficialmente, tem culpado o CEO (Chief Executivo Officer) da Shell, Juan José Aranguren, por conta dessa queda, após ele, supostamente, enviar uma ordem de compra de US$ 3 milhões pela cotação de 8,4 pesos por dólar, quando a moeda estava negociando a 7,14 pesos. “Os mesmos que nos disseram, durante 10 anos, que o dólar valia um peso, agora, querem nos convencer de que vale 13 pesos”, disse Axel Kicillof, ministro da Economia, em referência ao dólar paralelo, cotado a 13 pesos por dólar, um spread de 73% frente ao oficial.

A situação por lá começa a preocupar em relação Brasil – que exporta 30% das suas manufaturas para Argentina, o que é um total de 8% do total das exportações. A depreciação encarece as exportações brasileiras, pode fazer com que a balança comercial se deteriore e pode ocasionar em instabilidade câmbial por aqui, de acordo com a equipe econômica do Itaú BBA.

Se o movimento preocupa o mercado, Guido Mantega, ministro da Fazenda, não perde um fio de cabelo com isso, mostrando-se bastante tranquilo em relação que está acontecendo. Em Davos, o ministro afirmou à Agência Estado que “isso faz parte das flutuações e acredito que não tem uma interferência direta no Brasil”. 

Já para Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, essa movimentação não deve afetar o comércio. “O câmbio flutua nesses momentos de volatilidade e acaba incorporando. O que a Argentina está vivendo já está incorporado ao preço dos ativos lá, não prevejo impacto para o Brasil”, disse. 

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