Perspectivas para 2011 de transporte e logística seguem favoráveis

Portos e navegação costeira deverão ser os destaques no setor de logística; aéreas precisam vencer gargalos

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SÃO PAULO – Com forte correlação ao desempenho econômico do País e em meio à necessidade de fortes investimentos na área de infraestrutura nos próximos anos, as empresas de transportes, logísticas e concessões rodoviárias têm grandes chances de manterem em 2011 o bom desempenho visto ao longo de 2010 – com exceção da ALL (ALLL3, -52,18%) e da LLX (LLXL3, -50,97%), todas as ações voltadas a esses setores registram um desempenho acima do Ibovespa.

Com as projeções mais recentes do Focus mostrando que o PIB (Produto Interno Bruto) deverá continuar crescendo em 2011, o transporte e circulação de cargas deverá manter o bom ritmo apresentado como forma de abastecer a economia. Além disso, eventos como a Copa do Mundo em 2014 e as Olímpiadas do Rio em 2016 deverão trazer investimentos em estradas e rodovias, assim como aumentar a demanda no transporte aéreo.

Para o transporte aéreo, o cenário continua favorável, embora 2010 tenha mostrado que os gargalos em infraestrutura precisam ser reparados com certa urgência. Já para as concessionárias, o volume de tráfego deverá manter-se forte em 2011, embora os níveis esperados devam ficar abaixo do que foi visto em 2010 – acompanhando a desaceleração prevista para o País. Já para as empresas de logística, o otimismo fica com aquelas voltadas para o segmento de portos e navegação costeira, que deverão registrar forte evolução, acompanhando a melhora do comércio internacional do Brasil.

Por se tratar de segmentos distintos, dividiremos a matéria em três dos pontos mais citados pelos analistas:

Companhias Aéreas
Concessionárias e transporte rodoviário
Logística hidroviária


2010: demanda boa, resultados nem tanto
Embora o setor tenha se beneficiado pela crescente demanda de passageiros, o ano de 2010 também deixou evidente os problemas enfrentados pelas companhias aéreas. Para a Fator Corretora, o principal desafio será conciliar essas duas variáveis da melhor forma possível. “Em 2011, as empresas aéreas devem equilibrar a continuidade do crescimento da demanda com gargalos de infraestrutura aeroportuária”, explica a equipe da corretora, formada pelos analistas Jacqueline Lison, Luiz Guilherme Fonseca e Matheus Renault.

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Além disso, o trio de analistas explica que, embora as companhias aéreas tenham visto uma evolução na demanda neste ano, seus resultados operacionais não conseguiram refletir esse cenário positivo. Isso ocorreu, na visão deles, por conta de três fatores. O primeiro foi a maior competição no mercado doméstico. “TAM e GOL perderam participação de mercado para pequenas companhias, em especial para a Azul, que em outubro aumentou seu market share para 5,7% de 3,5% no mesmo período do ano anterior”, ressaltam. No mesmo mês, TAM e GOL ocupavam uma fatia de 42,6% e 40%, respectivamente, do mercado brasileiro.

O segundo fator levantado por Lison, Fonseca e Renault foi a renovação da frota, que ganhou forças nesse ano por conta do cenário mais favorável para obtenção de crédito, e deverá se manter em 2011. O terceiro ponto que prejudicou os números de 2010 foi o aumento dos custos de combustível, em virtude do rali de alta da commodity visto no mercado internacional.

2011: cenário positivo, com consolidação continuada
Para a Fator, a demanda do setor aéreo deverá permanecer aquecida em 2011, seguindo o crescimento econômico nacional. Além disso, o processo de consolidação iniciado em 2010, que teve seu ápice com a fusão de atividades entre a TAM e a Lan Chile, anunciada em agosto, pode se estender. “Esse movimento deve continuar nos próximos anos e a tendência é de que haja maior concentração em grandes grupos, formados por fusões”, projetam os analistas.

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Além das fusões, também é esperado que o processo de parcerias e associações continue ocorrendo nos próximos anos, o que é bastante positivo para as companhias aéreas, afirmam Lison, Fonseca e Renault. Em 2010, a TAM anunciou sua integração à rede Star Alliance, além de iniciar o acordo de code share com a Continental Airlines e ampliar os acordos existentes com Lufthansa, US Airways, ANA, Swiss e Trip.

Já a GOL assinou no ano o acordo comercial para a venda de passagens da NOAR, empresa brasileira de aviação regional, além de ter aderido à IATA (International Air Transport Association) e de ter entrado com pedido junto às autoridades brasileira e norte-americana para a implementação de code share com a Delta Airlines.

Mas atenção aos gargalos!
Contudo, para que esse cenário favorável de maior demanda de fato se consolide, as empresas aéreas precisam enfrentar o sério problema de gargalos de infraestrutura. Em agosto, os funcionários da GOL acusaram a companhia de desrespeitar a Lei do Aeronauta, por conta do excesso de horas trabalhadas para amenizar os diversos atrasos e cancelamentos de voos da época.

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Já a TAM viu esses problemas chegarem ao seu ponto mais alto no final de novembro, quando a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) restringiu a empresa de vender passagens domésticas, devido à série de atrasos e cancelamentos de voos.

Contudo, os analistas do setor esperam que parte dos investimentos a serem destinados para importantes eventos que irão ocorrer no País, tais como a Copa do Mundo e as Olimpíadas em 2014 e 2016, respectivamente, deva ser destinada para a melhora desses problemas de âmbito estrutural. No PAC 2, segundo parte do Programa de Aceleração do Crescimento, estão previstos gastos de R$ 3 bilhões em infraestrutura aeroportuária.

“Enquanto essas obras não saem do papel, as empresas deverão continuar a contornar os gargalos de infraestrutura pela formação de hubs em aeroportos ainda ociosos”, frisam Lison, Fonseca e Renault.

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Projeções da Fator Corretora
Ação Recomendação Preço-alvo 2011  Uspide*
TAMM4 Manutenção R$ 45,00  47,59%
GOLL4 Compra R$ 37,00  9,41%

*Baseado na cotação de fechamento da última terça-feira (18)


2011: forte volume, mas aquém de 2010
Assim como para as companhias aéreas, o ano de 2010 também foi de forte crescimento no tráfego das concessões rodoviárias, tendo em vista sua estreita relação com o nível de atividade da economia brasileira. Além disso, ele deverá ser um dos grandes alvos de novos investimentos previstos para infraestrutura, tendo em vista que 60% da produção nacional é transportada pelo modal rodoviário.

Segundo a analista de concessões da Ativa Corretora, Mônica Araújo, os investimentos estimados para as obras para a Copa do Mundo giram em torno de R$ 86 bilhões. Além disso, as estimativas iniciais apontam que serão necessários US$ 14,4 bilhões para financiar as Olimpíadas no Rio de Janeiro.

“Acreditamos que o setor de infraestrutura, mais precisamente o de transportes, terá prioridade nessa nova fase de investimentos estruturais no Brasil visando não somente os eventos de nível internacional mas também dar sustentação a um novo nível de atividade em alguns setores, tais como petróleo, mineração e logística”, ressalta a analista Ativa.

Já o analista da Fator Corretora, Sami Karlik, acredita que as perspectivas permanecem positivas para as concessionárias. Contudo, ele afirma o volume de tráfego rodoviário deverá mostrar desaceleração frente a 2010, acompanhando a desaceleração do ritmo de crescimento do País. A mesma tendência deverá ser vista nas ferrovias, cujo comportamento está diretamente relacionado ao mercado de commodities, o qual deverá mostrar-se estável frente a 2010.

Nesse cenário, Karlik destaca a Tegma (TGMA3), que pode vir a anunciar novas aquisições no segmento de serviços logísticos em setores diferentes do automotivo, com o objetivo de diversificar sua operação. A recomendação do analista da Fator para as ações da companhia é de manutenção.

Licitações de rodovias e aeroportos
Além disso, um evento que ocorreu poucas vezes nesse ano mas que deverá aumentar sua frequência em 2011 é a licitação de rodovias. “Em 2010, apenas duas licitações foram efetivadas; uma na Bahia (sistema rodoviária BA 093) e os trechos Sul e Leste do RodoAnel (São Paulo)”, ressalta Mônica. Para ela, apesar de todo o potencial existente ainda de rodovias com capacidade de serem licitadas, o baixo número de eventos desse tipo reflete o ano eleitoral.

Dentre as oportunidades esperadas, Karlik chama atenção para os programas de concessões rodoviárias esperados, como o de Minas Gerais e de São Paulo, bem como as licitações de aeroportos, com o Antonio Carlos Jobim (RJ), o Viracopos (SP) e o Internacional São Gonçalo do Amarante (RN) entre os principais candidatos.

“O setor certamente será sacudido com uma série de oportunidades que devem ser implementadas a partir de 2011”, complementa a analista da Ativa.

Atenção às concessões federais!
Contudo, os analistas destacam as concessões federais da Bahia e de Minas Gerais, que preveem mudanças na normalidade dos projetos, podendo inclusive o conceito de TIR (Taxa Interna de Retorno) variável, ou seja, com revisão de tarifas a cada cinco anos, explica Karlik.

Já Mônica destaca que as concessões antigas previam uma TIR próxima de 20% ao ano, enquanto que as últimas indicam uma taxa entre 6% e 8% ao ano. “Esse é um fator importante que tem gerado desconforto entre o poder concedente e as concessionárias, não somente pela possibilidade de revisão das cláusulas dos contratos antigos como pela expectativa de menor retorno nas novas licitações, em especial em concessões rodoviárias”, explica.

CCR: top pick do setor
Em meio ao cenário esperado para o ano que vem, a analista da Ativa acredita que no ramo de concessões a CCR (CCRO3) é a melhor posicionada para colher benefícios, mantendo-a como top pick do setor. A ação também é a preferida pelo Bank of America Merrill Lynch, que destaca o desempenho abaixo da média do mercado desses ativos em 2010, o que indica uma boa oportunidade de entrada.

Além disso, os analistas Renato Mimica e Sara Delfim, que assinam o relatório do banco, também destacam a proteção que esse segmento possui contra a inflação. Segundo a dupla de análise, CCR, OHL (OHLB3) e EcoRodovias (ECOR3) possuem 47%,44% e 41%, respectivamente, de suas receitas atreladas ao IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). Vale mencionar que, embora o papel CCRO3 seja o preferido deles, as outras duas ações citadas também têm recomendação de compra.


Portos e navegação costeira deverão se destacar em 2011
As premissas adotadas para essas empresas acabam sendo praticamente as mesmas vistas para as concessionárias: a forte correlação com a economia brasileira deverá manter esse segmento de negócio em crescimento em 2011, além de também ter grande possibilidade de tirar proveito dos robustos investimentos em infraestrutura esperados para os próximos anos.

Contudo, as perspectivas dos analistas para as empresas responsáveis pelo transporte mostram-se mais favorável. “Acreditamos em maiores crescimentos para as empresas dos segmentos de portos e navegação costeira com aumento do fluxo de comércio internacional”, ressalta Karlik, da Fator Corretora. “Este é o principal meio de transporte para o comércio exterior”, complementa Mônica, da Ativa.

Para ele, o volume de contêineres vindo de fora para dentro do Brasil deverá aumentar no próximo ano, acompanhando a trajetória de desvalorização do dólar. Além disso, a forte participação da malha rodoviária na economia nacional, embora traduza-se em maiores investimentos recebidos, inibe seu potencial de crescimento, cenário exatamente oposto ao da malha hidroviária.

Por fim, destaque para a possibilidade de que os terminais portuários também se tornem alvo de licitação em 2011.”Com o Decreto Presidencial que entrou em vigor em 30 de outubro, o País passou a ter um plano de outorga para o segmento portuário. Com isso, surgirão oportunidades levantadas pelo Governo Federal e o setor privado”, explica o Karlik, destacando as licitações previstas do terminal de granéis de Ilhéus e do terminal de contêineres de Manaus.

Compra para Santos Brasil, Wilson Sons e Log-in
Em meio a esse cenário, tanto a Ativa quanto a Fator demonstram bastante otimismo aos papéis das três empresas com atuação nesse mercado – Santos Brasil (STBP11), Log-in (LOGN3) e Wilson Sons (WSON11) -, com ambos recomendando a compra dos três ativos.

O destaque principal fica com a Santos Brasil. Mônica, da Ativa, destaca que a empresa possui 49% da participação de mercado no Porto Santos, além de também responder por 40% do volume de conteinerês dos portos brasileiros. “É a nossa top pick”, exalta a analista. Já Karlik, da Fator, destaca que a companhia é a principal candidata para o arrendamento do Terminal da Prainha, localizado no Porto de Santos, caso ele de fato entre em processo de licitação.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers