Perspectivas: mesmo após perdas intensas, Ibovespa ainda tem espaço para cair

Para analistas, índice pode até ter leve recuperação, mas aposta de mais quedas mostra que a hora das compras ainda não chegou

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SÃO PAULO – Foi a maior queda semanal do Ibovespa desde a penúltima semana de novembro de 2008. E, mesmo assim, ainda há espaço para cair, avaliam os analistas. Para Marlo Barcelos, analista da Investor, o mercado continuará bastante sensível a notícias negativas relacionadas à Europa.

Nos últimos sete dias, o índice desvalorizou-se 6,9% e atingiu os 62.870 pontos – menor patamar desde 5 de fevereiro deste ano. O foco principal de aversão ao risco entre os investidores é mesmo a Grécia e a crise fiscal no país, com o sentimento de que existe um risco de contágio para economias mais relevantes globalmente, com destaque para a Espanha.

Além disso, o pânico foi impulsionado por possíveis ordens erradas nos Estados Unidos emitidas na quinta-feira (6), com magnitude intensificada pelos algotrades, as negociações em alta frequência operadas por estratégias baseadas em algoritmos e executadas por computadores. Para Eduardo Munhoz, analista da TCX, há “algo estranho” nisso, afirma, ao questionar como uma bolsa como a norte-americana não tem mecanismos para evitar esse tipo de erro.

É hora de comprar?
E Munhoz está pessimista. Embora acredite que os próximos pregões possam trazer alguma alta, em função das quedas intensas observadas ao longo dessa semana, o operador aposta em uma bolsa oscilando entre os 55 mil e os 60 mil pontos no médio prazo, com maior proximidade do patamar mais baixo.

Se a perspectiva é de intensificação no movimento de desvalorização do índice, então ainda não é chegado o momento de comprar? Munhoz e Barcelos acreditam que não, ao menos enquanto o Ibovespa sustentar os 62 mil pontos.

Para Barcelos, é melhor esperar cair mais um pouco, pois o noticiário econômico europeu deve continuar pesando sobre o índice. Em sua visão, no entanto, uma queda para um patamar inferior aos 60 mil pontos pode levar a pânico, pois é aí que se encontra um suporte que deve manter o mercado ao menos estável.

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Barcelos sugere ações mais defensivas e alocação de cerca de um terço do capital aplicado em renda fixa, de modo que o investidor aproveite esse momento de pânico, mas apenas quando o mercado chegar mais perto desse suporte.

Foco em indicadores, mas dessa vez na Europa
Em um cenário de tamanha instabilidade, a agenda de indicadores econômicos, na visão do analista, deve seguir, em certa medida, de escanteio, como ocorreu nesta sexta-feira (7), em que o Employment Report, mais importante termômetro do mercado de trabalho norte-americano, apresentou criação de 290 mil vagas, número superior a expectativa, e mesmo assim não houve impaco benéfico no mercado.

Ainda assim, Barcelos acredita que talvez alguns números mais específicos do continente europeu, como o PIB (Produto Interno Bruto) da Zona do Euro e da Alemanha, que sairão na próxima quinta-feira (13), podem ser mais relevantes do que a agenda intensa de divulgação de resultados corporativos no cenário doméstico.

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Para corroborar sua tese, cita a quase inexistência de reflexos do balanço divulgado pela CSN (CSNA3) em seus ativos.

Oportunidades rápidas
Já Eduardo Munhoz pensa de forma levemente diferente. “Como tudo de ruim ocorreu nessa semana, resultados razoáveis vão ajudar o pessoal a se animar um pouco, mas são oportunidade bem rápidas”, declara.

E, conforme países e instituições liberem verbas de ajuda à Grécia, como fez o Brasil nesta sexta, o mercado pode subir um pouco. No entanto, sua visão negativa para o futuro baseia-se na perspectiva de que vem por aí problemas maiores.

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Por isso, ele acredita que o pequeno investidor pode esperar mais um pouco para sair comprando ações. Além disso, ele sugere a escolha de papéis que tenham caído bastante na comparação com a semana anterior e que o investidor queira guardar para o longo prazo.

Petrobras
Uma ação que Munhoz faz uma análise mais de perto, dentre as blue chips, é a Petrobras (PETR4). Em sua visão, como os papéis da companhia já vinham de um movimento de realização, não aproveitando a alta observada pela maioria dos ativos, pode ser que as ações da estatal façam agora o caminho inverso e parem antes do que outros ativos de cair, mesmo antes de sair a tão esperada capitalização.