Perspectivas 2004: mercado de capitais comemora recordes e prevê novas altas

Brasil tem 11 empresas entre as 20 que mais lucraram na América Latina no 1° trimestre; dividendos devem bater recorde este ano

SÃO PAULO – O mercado de capitais brasileiro tem muito o que comemorar em 2004. Dados da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) indicam que as empresas brasileiras de capital aberto nacionais registraram 11 dos 20 maiores lucros da América Latina e devem bater recorde de distribuição de dividendos em 2004.

Petrobras registra maior lucro da América Latina

No primeiro trimestre deste ano, o Brasil foi o país com maior número de empresas no ranking dos maiores faturamentos da América Latina. Em seguida, apareceram o México, com sete companhias listadas, e a Argentina e o Chile, com uma empresa cada.

A Petrobrás foi a empresa líder nesta colocação, com lucro de US$ 1,366 bilhão. Mesmo quando consideradas as empresas dos Estados Unidos, a estatal petrolífera brasileira mantém destaque, com a 23ª colocação.

Os desempenhos da Eletrobrás – que saltou do 740° lugar, no ano passado, para o 12° nos primeiros três meses deste ano, – e do Itaú – que ocupou o 7° lugar, como o banco que mais lucra na região – também chamaram a atenção.

Dividendos devem bater recordes seguidos

Um dos principais efeitos deste crescimento dos lucros das maiores empresas de capital aberto do País é o aumento dos pagamentos de dividendos das mesmas. Das mais de 300 empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo, 52 têm distribuído dividendos aos seus acionistas consistentemente todos os anos.

Para o fechamento de 2004, a Bovespa espera que seja distribuído o maior volume de dividendos dos últimos dez anos e para 2005 é previsto novo recorde. Esta tendência seria fruto, sobretudo, da melhora dos resultados das 500 maiores empresas do país.

Abertura de capital é tendência crescente

Como conseqüência desse cenário positivo para o mercado de ações, a expectativa é de que um número recorde também de empresas abra capital este ano. A estabilização da economia e as medidas de aperfeiçoamento das regras de gestão do mercado de capitais devem ser as principais responsáveis por esse incremento.

O atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está entre os otimistas ao afirmar que “recebi informações de que o número de empresas que está se preparando para abrir capital é crescente”.