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SÃO PAULO – Personagens do Mercado sempre se atenta para as figuras que marcam ou de alguma forma marcaram o ambiente dos investimentos. Alguns nomes são muito conhecidos, outros menos. Falando de desempenho, inevitavelmente surgem à mente nomes como George Soros e Warren Buffett. Jim Simons aparece para poucos.
Mas Simons é unanimidade. Mesmo sem a mesma fama de muitos outros, é um estrategista imbatível quando se colocam os números na mesa. A menor exposição pode ser atribuída ao fato de Simons não gostar dos holofotes. Ele não comenta sobre suas estratégias e, de certa forma, vai contra os princípios tradicionais de Wall Street.
O melhor do mundo
Hoje aos 71 anos, o investidor é sócio-presidente da Renaissance Technologies, hedge fund especializado em fundos quant. Sua performance é impressionante. Desde sua abertura em 1988, o Medallion Fund, mais antigo produto da Renaissance, acumula retorno anual de 35,6% até o ano passado. O Medallion não opera ações, mas Treasuries, câmbio, commodities e derivativos.
Segundo matéria da EuroMoney datada de março de 2008, o Medallion rendeu 2.480% a seus cotistas em um período de 11 anos encerrados no final de 1999. De longe a melhor performance dentre todos os fundos semelhantes. Em segundo lugar aparece o Quantum Fund de George Soros, que conseguiu 1.700% no mesmo período.
Isto até 2008. Aí que a habilidade de Simons como gestor é reforçada. No ano em que praticamente todos perderam no mercado, a Renaissance Technologies lucrou US$ 2,5 bilhões, com impressionante retorno de 80% do Medallion. Com este desempenho, liderou o ranking de 2008 dos melhores gestores de fundo da Alpha Magazine, que considera as taxas de administração cobradas.
Máquina à frente nas decisões
Mais intrigante é a maneira que a Renaissance opera. A firma sediada na pequena cidade de East Setauket, no estado de Nova York, conta com aproximadamente 200 funcionários. Destes, apenas dois são formados em finanças e possuem carreira em Wall Street. O restante são estudiosos de astrofísica, matemática, linguística, ciência da computação ou estatística. Cerca de um terço é Phd em sua área.
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Simons é referência quando se fala em fundos quantitativos. Utiliza softwares avançados para a tomada de decisões, fator que limita a exposição das operações às oscilações emocionais de seu gestor. Entre as modalidades difundidas por seus fundos, destaque para os “high frequency”, modelos que se adaptam em tempo real a qualquer oscilação diária do mercado, propondo uma série de alternativas ao investimento instante por instante.
Os esforços dos mais de 200 cientistas da Reinassance vão para o desenvolvimento de modelos matemáticos complexos, cuja proposta é analisar e executar as ordens automaticamente. A cada variação do intraday, alguns de seus modelos geram centenas de respostas em segundos, incorporando qualquer informação ou variável. As ordens são soltas não por gestores, mas pelos computadores.
A fórmula secreta
Como James Harris Simons não comenta sobre suas estratégias, alguns chegam a questionar a possibilidade de, lá na frente, seu fundo se provar uma nova pirâmide Madoff. Mas o Medallion, por exemplo, já foi fechado para novos aportes, atualmente administrando mais de US$ 7 bilhões. Atualmente, trabalha com recursos apenas de Simons e seus funcionários. Caso alguém saia prejudicado, serão eles mesmos.
Em 2003, dois funcionários que haviam trabalhado na Renaissance revelaram alguns segredos de Simons. Seus modelos utilizam informações dos livros de ofertas, de ordens que ainda não haviam sido executadas. Como exemplo, identifica uma grande venda de determinado ativo e formula opções centavos antes, usando aquela ordem para cobrir simultaneamente sua posição.
20 anos à frente
Fica nisto. A ausência de maiores informações também responde ao fato dos empregados de Simons não terem do que reclamar. Poucos deixaram a Reinassance até hoje, seja pelos bônus milionários, seja pela simplicidade, pelo bom humor ou pela preocupação demonstrada com seus funcionários. O curioso restante de Wall Street trata o gestor como mito.
A possibilidade de sempre bater o mercado é vista com muito ceticismo. Ao longo dos anos, alguns argumentos pesam contra esta tese, como a performance ruim de Buffett em 2008, a queda do LTCM – Long Term Capital Management – no final da década de 1990, ou a pausa de Soros alguns anos atrás. Enquanto não se prova o contrário, Simons segue na frente dos índices.