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SÃO PAULO – Investigando a trajetória dos mercados, os principais cases de sucesso sempre revelam por trás uma estratégia de value ou growth investing. Que o diga Benjamin Graham e Warren Buffett, alguns dos principais expoentes da estratégia de valor. A busca pelo potencial de crescimento das companhias, no entanto, remete a nomes como T. Rowe Price Jr. e William O’Neil. Não há quem não recorra à velha “regra da mão” para lembrar dos meses que possuem 31 dias no ano. Ou, voltando aos tempos de escola, das famosas frases para memorizar a tabela periódica ou os planetas que compõem o sistema solar. “Minha vó tem muitas jóias, só usa no pescoço”, ou Mercúrio, Vênus,Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Faz tanto tempo que Plutão já foi até excluído do sistema solar. Como a frase do sistema solar, CANSLIM é a sigla responsável pelos sete princípios básicos do investimento à moda O’Neil. Para ele, procurar ações que satisfizessem estes tópicos é garantia de retornos significativos. Para se ter uma ideia, associa-se a O’Neil uma impressionante rentabilidade anual de 26,4% – de acordo com informação do Jornal de Negócios de Portugal -, o que o coloca ao lado dos mega-investidores mais famosos, como George Soros ou Buffett. Para reforçar a eficiência da sigla, a AAII (American Association of Individual Investors) aponta que, entre 1998 e 2008, a carteira de ativos que seguiu o CANSLIM conseguiu rentabilidade de 1.350% na média, contra desvalorização de 6% do índice Standard & Poor’s 500 no mesmo período. Nas contas da AAII, os 26,4% de rentabilidade anual atribuídos a O’Neil transformariam US$ 5.000 em US$ 1.000.000 em pouco mais de 21 anos.
Ao primeiro cabe a autoria, o pioneirismo, de certa forma a “paternidade” da estratégia growth. Mas a história em questão é a de Bill O’Neil, uma história um pouco mais recente, mais ligada ao desenvolvimento da obra. “O que parece muito caro e arriscado para a maioria geralmente anda mais para cima, enquanto o que parece baixo e barato geralmente vai mais para baixo”.
A citação faz clara crítica à estratégia de valor, da busca pelos papéis com múltiplos baixos. Seja caro ou barato, O’Neil procurava potencial de crescimento acima de tudo, e fez isso da maneira mais intuitiva possível.
Regra da mão
Voltando aos investimentos, tudo isso faz parte do que a psicologia cognitiva chama de Mnemônica – ou mecanismos de auxílio à memória. Bill O’Neil transformou sua trajetória no mercado elaborando uma ferramenta destas. Seu CANSLIM, segundo o próprio, o levou ao topo como corretor da Hayden, Stone & Company, isto em meados de 1960.
Mas seu apetite como growth investor conseguia ir além, chegando a ser mal interpretado pela instituição. A partir daí surge a William O’Neil & Co., uma maneira de por em prática o CANSLIM de maneira mais efetiva. Além do desenvolvimento da estratégia growth, O’Neil se notabilizou pela fundação, em 1983, do jornal Investor’s Business Daily, voltado a investidores. Na origem, mais um instrumento para divulgar seu CANSLIM.
CANSLIM
C
A
N
S
L
I
M
Current Earnings – é o lucro corrente por ação apresentado pela companhia. Na avaliação de O’Neil, os resultados divulgados devem apresentar crescimento de 25% ou mais no lucro por ação da empresa na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
Annual Earnings – o lucro por ação anual, que precisa apresentar taxa de crescimento de 17% ou mais nos últimos três anos.
New product – representa o novo. Para O’Neil, a companhia em questão precisa oferecer uma inovação de produto, service ou mudança de gestão. O novo também pode ser um novo recorde de cotação das ações.
Supply and Demand – como o mercado é regido pela relação entre oferta e demanda, a procura dos investidores pelo ativo pode ser representada pelo volume diário de negócios, especialmente durante períodos de tendência ascendente da ação.
Leader or Laggard? – líderes contra retardatárias. A ideia é segurar as ações que tenham obtido performance superior à média do mercado e se livrar dos papéis com desempenho inferior.
Institutional sponsorship – representa a demanda de investidores institucionais por aquele papel. Procure companhias durante o período em que investidores institucionais, como grandes bancos de investimento ou fundos, estão comprando. Se conseguir, a ideia é comprar antes deles.
Market Direction – Não dá para contrariar as tendências. Quando o movimento dos índices é claramente de bear market, melhor fica fora do mercado, pois a maioria das ações tende a seguir a tendência. O’Neil prefere investir durante períodos de tendência bem definida dos mercados.