Perfil da dívida pública segue ruim, com mais de 40% vencendo em até 12 meses

Em outubro a proporção da dívida mobiliária federal vencendo em até um ano superou 40% pelo terceiro mês consecutivo

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SÃO PAULO – O elevado grau de incertezas no futuro da economia brasileira continua sendo refletido no perfil da dívida pública, dado que uma parcela significativa deste total vence em um período de até um ano.

De fato, a proporção da dívida pública federal mobiliária interna (DPMFi) que vence nos próximos doze meses foi de 40,04% no final de outubro, proporção ligeiramente inferior aos 41,10% registrados em setembro, mas ainda bastante superior aos 25,59% do final do ano passado.

Terceiro mês consecutivo acima de 40%

Após ter atingido apenas 23,62% da DPMFi em março, a parcela que vence em até um ano mostrou tendência crescente durante os últimos meses, rompendo a barreira dos 40% em agosto, patamar que foi superado desde então. Isso mostra o retrocesso nas intenções de estender o vencimento médio da dívida, dado que este patamar equivale aos níveis do início de 2001.

Diferença está na dívida corrigida pela Selic

A maior proporção de endividamento de curto prazo fica com a parcela da dívida pré-fixada, que atinge 99,01%, contra 96,73% no início do ano. Já na parte corrigida pela taxa de câmbio, a proporção que vence em até 12 meses foi de 38,7% no final de outubro, frente a 40,57% no final de dezembro de 2001.

A grande diferença ficou com o endividamento corrigido pela taxa Selic. Enquanto no final do ano passado a proporção que vencia em até 12 meses era de 10,69%, no final de outubro este patamar atingiu 41,33%. Vale lembrar que esta parcela é a maior da DPMFi, correspondendo a 42,86% do total de R$ 632,10 bilhões.

Já em relação ao total de R$ 253,08 bilhões que vencem nos 365 dias a partir de outubro, a proporção sobe de forma significativa, atingindo 56,97%.

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Dificuldade de colocar LFTs mais longas explica mudança

A baixa demanda pela LFTs de prazo mais longo nos leilões recentes explica grande parte da diferença de prazo médio no endividamento corrigido pela Selic. Refletindo este fato, o prazo médio desta parcela da dívida caiu de 36,39 meses no final do ano passado para 25,26 meses em outubro de 2002.

Por outro lado, o prazo médio da parte da DPMFi corrigida pelo dólar subiu de 25,36 meses para 31,96 meses no mesmo período, enquanto na parcela do endividamento indexada por índices de preços o prazo também aumentou, passando de 68,45 meses para 79,55 meses.