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SÃO PAULO – Parece certo que a fusão entre Sadia (SDIA4) e Perdigão (PRGA3) será concluída em questão de meses. Na terça-feira (12), veículos de mídia brasileiros redigiram a estrutura da possível nova empresa.
A Perdigão ficaria com 70% do novo conglomerado, cujas ações seriam listadas no Novo Mercado da BM&F Bovespa, enquanto a Sadia se contentaria com 30% do capital social. Especula-se também que o BNDESPar entraria como investidor.
Sobre todo este rumor, a Perdigão apresentou um comunicado ao mercado confirmando que mantém discussões com a Sadia, mas, até o presente momento, não chegaram a um acordo sobre os termos da associação.
Diante deste contexto, os analistas de Link Investimentos, Ativa Corretora, Itaú Corretora e Credit Suisse simularam a fusão entre Sadia e Perdigão, assim como calcularam os múltiplos ganhos pela Perdigão com a compra, com base no preço a ser pago pelas ações da Sadia.
Preço é o que importa
Entre o turbilhão de informações, a equipe do Itaú destaca o preço como a principal variável que deve ser estudada nesta aquisição, como também a participação de cada companhia na nova empresa.
Assumindo que a Perdigão terá 70% do controle da nova empresa e que todas as ações da Sadia sejam convertidas em papéis da Perdigão, o preço a ser pago pelos ativos da Sadia calculado pela corretora fica em R$ 5,50 por papel ordinário e R$ 4,40 por ação preferencial, o que respeita o tag along de 80%.
Já os analistas da Link trabalham com cenário no qual os papéis da Sadia sairiam por R$ 6,00 e os da Perdigão por R$ 36,25, ou seja, participação de 31,2% e 68,8%, respectivamente.
Não fugindo muito desta linha, a Ativa Corretora acredita, com base em uma análise fundamentalista, que a Perdigão ficaria com 67% do combinado e a Sadia com a fatia restante de 33%.
Quem vai subir?
A definição do preço é de suma importância para definir o futuro das ações atualmente. Caso confirmada a proporção 70% – 30%, a Perdigão teria que subir, em termos atuais, cerca de 16% em relação à Sadia, avaliam os analistas da Ativa.
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A visão é compartilhada pela equipe da Link: “verificamos que existe uma grande sensibilidade no preço justo da Perdigão em função da participação futura de cada companhia na nova estrutura”.
A corretora espera que os papéis da potencial compradora tenham um desempenho acima dos da Sadia, a fim de equalizar os múltiplos e viabilizar a fusão.
Futuro promissor
De acordo com a Ativa, a empresa nascerá com status invejável. Tudo indica que o conglomerado será uma das maiores empresas brasileiras em valor de mercado, com ampla possibilidade de se tornar um importantíssimo player internacional no segmento alimentício.
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Todo este otimismo se traduz em números robustos. Segundo a corretora, a empresa deve gerar uma receita bruta de R$ 25 bilhões, sendo 42% provenientes de exportações. Aglomerando o desempenho das duas empresas, o Itaú estima um Ebitda que ultrapassa a casa dos R$ 2 bilhões.
Para o Credit Suisse, os ganhos de sinergia serão facilmente capturados pela nova companhia, o que traz estimativas favoráveis tanto no curto como no longo prazo. Na visão do banco, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) não interferirá nas negociações, fator relevante para a viabilidade da fusão.
Cautela acima de tudo
Apesar dos aparentes benefícios, nada está concreto, lembram os analistas do Itaú, portanto é necessário esperar a definição dos termos do contrato, principalmente o preço por ação a ser pago.
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A equipe do Credit Suisse adverte também quanto à demanda mundial por carne, atualmente reduzida em virtude da crise, o que traz perspectivas negativas às empresas do setor alimentício, principalmente às exportadoras.
À espera da definição, o banco suíço mantém sua recomendação acima da média para os papéis ordinários da Perdigão e abaixo da média às ações preferenciais da Sadia.