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A Heineken divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2024 (4T24) na manhã desta quarta-feira (12) e viu suas ações dispararem na Europa – trazendo algumas leituras para as ações de empresas da Bolsa brasileira, dada a participação da gigante cervejeira no mercado doméstico. Especificamente, há leituras para a Ambev (ABEV3), que mostra que a concorrência segue acirrada no setor de bebidas e reforçando a cautela dos analistas com ABEV3. .
No nível consolidado, as receitas da Heineken cresceram organicamente 4,7% em relação a 2023, com uma expansão de 1,8% em relação ao ano anterior nos volumes de cerveja. Olhando para todo o ano de 2024, os volumes consolidados aumentaram 1,6%, com os volumes premium subindo 5,2% em relação ao ano anterior e a marca Heineken subindo 8,8% em relação ao ano anterior.
No Brasil, as receitas orgânicas de 2024 cresceram em um dígito médio, com os volumes de cerveja crescendo em um dígito baixo.
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A marca Heineken no Brasil cresceu volumes entre 10 a 15%, enquanto a Amstel apresentou crescimento de volume de um dígito em relação ao ano anterior, tornando-se uma das 5 principais marcas do país. Assim, aponta o Bradesco BBI, a Heineken supostamente angariou fatia em valor ao longo do ano e participação em volume no segundo semestre, apesar do baixo desempenho no segmento econômico.
A administração da Heineken comentou que, para apoiar o crescimento das marcas Heineken e Amstel, a empresa tem um cronograma para abrir uma nova cervejaria no Brasil em 2025. A visão também é de que, apesar da depreciação do real, o lucro operacional da empresa no Brasil “expandiu significativamente”, beneficiando-se do mix de portfólio e da economia alcançada com a mudança para uma maior dependência da cadeia de suprimentos local.
O BBI ressalta que a Heineken não divulgou seu desempenho de volume no Brasil no 4T24, mas a impressão dos analistas é que pode ter superado ligeiramente o desempenho esperado de queda de 1% em volume para a cerveja da Ambev no trimestre.
A companhia também iniciou 2024 com um desempenho mais forte (volumes em alta de um dígito no 1T24), que foi diluído com o passar do ano, provavelmente impulsionado pela concorrência com a Petrópolis no segmento econômico e um ritmo mais lento de consumo para a indústria como um todo. O desempenho da receita líquida da Heineken em 2024 (crescimento orgânico de um dígito) também está alinhado com a expectativa da casa para a Ambev (aumento anual de 4%).
Ainda assim, o portfólio da Heineken tem sido cada vez mais inclinado para premium e mainstream (marcas mais populares), e tanto a Heineken quanto a Amstel tiveram um bom desempenho. “Acreditamos que a confirmação de que a tão esperada nova cervejaria da Heineken deve iniciar suas operações em 2025 sinaliza que a concorrência do setor deve permanecer acirrada”, avalia o BBI.
No início deste ano, a administração da Heineken destacou que as margens no Brasil já estão na média do grupo quando se normaliza a receita de licenças contabilizada na matriz, o que significa que os preços podem ter um papel secundário quando se pensa na estratégia de crescimento da empresa daqui para frente, especialmente à medida que o crescimento do setor desacelera.
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“Em vez disso, continuamos acreditando que o caminho da Heineken para a expansão da receita e dos resultados no Brasil se originará cada vez mais de seu mix de produtos (foco em premium e mainstream), do mix de canais (aumentando a penetração no local) e no mix de embalagens (promovendo a penetração de retornáveis), em vez de preços, que podem continuar visando os principais centros de lucro da Ambev no país.
O BBI vê ABEV3 sendo negociada a um múltiplo P/L (de preço sobre lucro) mais atraente de 10,5 vezes para 2025. Contudo, com o crescimento do setor provavelmente desacelerando e as pressões de custos iminentes, ainda há dificuldades para ver os elementos que poderiam impulsionar uma história de crescimento mais consistente e/ou desencadear uma reclassificação das ações e, como tal, o banco mantém recomendação apenas neutra para a ação.
Já o Itaú BBA aponta que os números relatados da Heineken parecem indicar um desempenho semelhante ao da Ambev no ano.
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O banco espera que a divisão de cervejas do Brasil da Ambev registre um declínio de volume de 2,0% ano a ano no 4T, levando a um crescimento anual de 1% em 2024. Em termos de receita líquida, espera um crescimento de 6,6% no ano.
“De acordo com a Heineken, a participação de valor da empresa aumentou ao longo do ano no mercado brasileiro, com ganhos de participação de volume no segundo semestre. Isso pode levar a uma leitura de ganho de participação de mercado no 4T quando comparado com a Ambev. Além disso, prevemos mais pressões de volume para acompanhar o aumento da planta de Passos da Heineken ao longo de 2025”, avalia o BBA.
Cabe ressaltar que a expectativa do mercado nas últimas semanas era de resultados fracos para a Ambev, com volumes em queda e preços pressionados, o que inclusive levou a cortes de recomendação por alguns bancos.