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Perdas pós-feriado quase apagam alta da Bolsa em semana que teve Copom e dados dos EUA

Índice tem repique semanal, mas fica longe das máximas depois que o não pagamento da dívida grega e os dados melhores do que o esperado de emprego nos EUA troxeram pessimismo ao mercado

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SÃO PAULO – O repique da Bolsa tão esperado depois das quedas na semana passada realmente veio, mas com as quedas de quarta e desta sexta, ele acabou ficando bem abaixo da máxima. No começo da semana, a recuperação das blue chips após fortes quedas no período anterior levaram a Bolsa a duas altas importantes, de 0,51% na segunda e 2,27% na terça. Nos últimos dois pregões, no entanto, uma correção antes do feriado (de 1,32%) e uma queda hoje (de 1,03%) por conta de dados fracos na economia norte-americana e indefinição na Grécia foram drivers fortes e afastaram o índice do seu maior nível nos cinco dias que se passaram.

Nos últimos 5 dias, o Ibovespa subiu 0,40% e terminou o pregão aos 52.973 pontos. No ponto máximo da semana, atingido no fechamento da terça-feira, o índice chegou a subir 2,8%, a 54.236 pontos. De lá para cá a Bolsa sofreu uma queda de 2,33%. 

Confira os 5 eventos que agitaram a semana na BM&FBovespa:

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1. Emissão de bonds da Petrobras
Em meio à recuperação das blue chips, a Petrobras ganhou um forte motivo para comemorar por conta do sucesso da sua emissão de bonds com vencimento em 100 anos.  A companhia emitiu US$ 2,5 bilhões em títulos e ofereceu os papéis com desconto, a 81% do valor de face e cupom de 6,85% ao ano. A demanda chegou a US$ 13 bilhões e, com a forte procura, o retorno dos papéis que era estimado em 8,85% ao ano caiu para 8,45% ao ano. Ponto para a petroleira, que subiu 2,04% no caso das suas ações ordinárias e 1,87% nas preferenciais na semana. 

2. Relatório de emprego positivo, bolsas caem
O mercado sempre observa com atenção os relatórios de emprego dos EUA à espera de indicações sobre uma recuperação mais forte ou mais fraca da economia do país. Se os dados vêm mais altos do que o esperado as interpretações são de que a chance do Federal Reserve elevar os juros mais cedo este ano aumentem. Neste ponto, o número desta sexta foi bastante claro: a taxa de desemprego nos Estados Unidos subiu de 5,4% para 5,5% em maio, mas o número de empregos criados subiu de 221 mil para 280 mil no mês, bem acima das expectativas de crescimento para 225 mil. Os ganhos por hora de trabalho também subiram mais do que o esperado. Foi 0,3% contra 0,2% esperado e 0,1% no mês anterior.

3. Copom – o aperto segue
O Comitê de Política Monetária fez o que todo mundo no mercado esperava e elevou a taxa de juros em 0,5 ponto percentual, a 13,75% ao ano. Entretanto, o comunicado gerou expectativa por mais altas ao não mostrar mudanças com relação aos últimos divulgados. Resultado, os juros DI subiram hoje e economistas como André Perfeito, da Gradual Investimentos, já veem a Selic chegando a 14,5% em 2015. 

4. IPO: Par Corretora
Foi o primeiro do ano e um sucesso. A Par Corretora (PARC3) subiu 12,73%, a R$ 13,90 em seu primeiro dia de negociação, depois de um processo de abertura de capital atribulado por conta da forte demanda pelos ativos da corretora de seguros controlada pela Caixa Econômica Federal. Na opinião do sócio-gestor da Humaitá Investimentos, Frederico Mesnik, a falta de boas ações no mercado, com perfil mais defensivo, leva investidores a apostar mais forte em companhias com bons prospectos e que operam em setores de demanda mais resiliente, como é o caso do setor de seguros. 

5. Grécia não paga a dívida
Na Europa, as tensões se aprofundaram depois que a Grécia atrasou um importante pagamento de dívida para o Fundo Monetário Internacional que deveria ocorrer na sexta-feira. Foi a primeira vez em cinco anos de crise que a Grécia adiou o pagamento de uma parcela de sua dívida de 240 bilhões de euros em ajuda financeira obtidos junto a governos da zona do euro e ao FMI, mesmo que Tsipras tenha dito no início da semana que Atenas tinha o dinheiro e faria o pagamento. O atraso ocorre ao mesmo tempo que a chanceler alemã Angela Merkel disse que as negociações de um acordo para reformas em troca de dinheiro estão ainda muito distantes de uma conclusão.  

Nesta sexta
Hoje, sexta-feiro (5), o benchmark da Bolsa brasileira caiu 1,03%, a 52.973 pontos, ao mesmo tempo em que o dólar comercial fechou em alta de 0,51%, a R$ 3,1499 na compra e a R$ 3,1506 na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 sobe 0,07 ponto percentual nesta sexta, chegando a 13,65%. Já no caso de contratos mais longos como os DIs para janeiro de 2020, a alta é de 0,05 p.p., a 12,71%. O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 5,931 bilhões. 

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Lá fora, os índices acionários norte-americanos fecharam em queda por conta do relatório de emprego, assim como os europeus. A única exceção foi o Nasdaq, que teve alta de 0,18%, a 5.068 pontos. 

Apesar do número forte de criação de empregos, o presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, disse que está preocupado com o mercado de trabalho. Ele acredita que os ganhos em novas vagas podem mascarar uma produtividade fraca e níveis ainda altos de empregos de meio período e desemprego de longo prazo. Dudley afirmou ainda esperar que o Fed esteja em posição de elevar os juros neste ano – mas apenas se o crescimento se recuperar da fraqueza no primeiro semestre, e se houver mais avanço em reduzir a taxa de desemprego e outras medidas a fraqueza do mercado de trabalho.

Para o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, a queda do índice hoje só não é maior porque o mercado já havia se antecipado, registrando fortes baixas nos últimos tempos. Na quarta, por exemplo, diversos investidores zeraram posições compradas antes do feriado, o que resultou em perdas de 1,32% para o benchmark. Este movimento fez com que o impacto no mercado hoje fosse suavizado mesmo com os diversos drivers de queda na Bolsa.  

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,52, -2,24%PETR4, R$ 12,56, -2,10%) registraram queda entre 1,5% e 2,2% nesta sessão, digerindo o feriado negativo na Bolsa de Nova York. Ontem, os ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras relativos aos ativos preferenciais tiveram baixa de 3,06%, a US$ 7,92, enquanto os equivalentes aos ordinários registraram queda de 3,29%, a US$ 8,53, em um dia de recuo do preço de petróleo, com o brent fechando em baixa de 2,68%, a US$ 58,04 o barril na véspera. Hoje, o dia é de leve recuperação para o brent, com alta de 1,84%, a US$ 63,17. 

As informações de que a OPEP não deve segurar a produção influenciam na queda do preço do petróleo. O Iraque, mesmo com combates se espalhando por todo o país, está se preparando para aumentar as exportações neste mês. O Irã quer que a organização também abra espaço para suas exportações.

Quem também teve perdas na sessão foi a Vale (VALE3, R$ 20,60, -1,39%VALE5, R$ 17,61, -0,28%). Ontem, a BHP Billiton e a Rio Tinto também registraram queda, apesar da alta do preço do minério de ferro. Ontem, os papéis registraram baixa repercutindo o cenário mais negativo internacional, principalmente com o noticiário grego e os dados norte-americanos. O minério de ferro spot no porto de Qingdao caiu 0,49%, a US$ 64,45. 

Também do lado das quedas, as ações do setor telefônico tiveram fortes perdas. A TIM (TIMP3, R$ 9,77, -4,03%), que tinha registrado três dias de altas seguidas em meio aos rumores de fusão com a OI (OIBR4), voltou a registrar baixa. O papel ganhou força na última semana entre notícias de que a Oi estaria se fortalecendo para fase de consolidação após receber reforço de R$ 17 bilhões da Altice e, assim, avaliaria uma união entre a TIM ou fatiamento desta última entre a Oi, Telefônica e Claro. As ações da Vivo (VIVT4, R$ 43,43, -3,23%) caíram, assim como as da Oi (OIBR4, R$ 6,59, -3,09%). 

Já nos destaques de alta, as units da Santander (SANB11, R$ 16,01, +0,95%) após os ADRs subirem na véspera em meio à notícia da última quarta-feira de que o banco ganhou uma causa de R$ 4,8 bilhões na Justiça que vai proporcionar um lucro extraordinário no segundo trimestre do ano. Com todo esse dinheiro afetando positivamente seu balanço, o banco aproveitou para anunciar um reforço de provisão de R$ 1,6 bilhão. Boa parte desta provisão adicional deve ser usada para se prevenir contra calotes, em meio à crise gerada pela Lava Jato e o crescente número de recuperação judiciais.

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As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 CSNA3 SID NACIONAL ON6,16-5,23+19,20
 HGTX3 CIA HERING ON EJ13,17-5,12-32,97
 CCRO3 CCR SA ON15,56-4,13+1,32
 TIMP3 TIM PART S/A ON9,77-4,03-15,64
 GOAU4 GERDAU MET PN7,90-3,78-29,49

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 ESTC3 ESTACIO PART ON18,21+3,47-22,19
 FIBR3 FIBRIA ON44,31+3,19+37,16
 CMIG4 CEMIG PN14,23+2,08+11,76
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA16,42+1,99+47,22
 BRFS3 BRF SA ON66,40+1,84+5,45

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN12,56-2,10452,52M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED33,15-2,39387,25M
 VALE5 VALE PNA17,61-0,28323,08M
 ABEV3 AMBEV S/A ON EJ18,65+1,36264,47M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ27,54-2,34224,01M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON11,76-0,09209,32M
 BRFS3 BRF SA ON66,40+1,84182,05M
 CIEL3 CIELO ON40,46-0,81180,30M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN82,89-0,49158,56M
 PETR3 PETROBRAS ON13,52-2,24154,74M

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Plano do BNDES
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou detalhes sobre o plano de incentivo de emissão de debêntures e outros instrumentos de renda fixa em financiamento de projetos para empresas com faturamento anual superior a R$ 1 bilhão por meio do acesso a um porcentual de até 50% a recursos do banco de fomento ao custo da TJLP. 

A ideia é reduzir a participação do financiamento do BNDES de custo mais baixo, a partir de uma maior participação do mercado de capitais. Ramundo destacou que a iniciativa não está diretamente relacionada aos leilões de concessões, que “serão objeto de regramento específico”.