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BRASÍLIA, 29 Jan (Reuters) – A reserva de recursos que o Banco de Brasília (BRB) vai precisar provisionar dentro do balanço para cobrir operações feitas com o Banco Master será de “elevada monta” e pode chegar a R$5 bilhões, disse o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, em depoimento à Polícia Federal visto pela Reuters.
O valor é quase o dobro do provisionamento inicial — de quase R$2,6 bilhões — que a própria autoridade monetária havia pedido ao BRB para cobertura de eventuais rombos em operações feitas com o Master, que sofreu uma liquidação extrajudicial em meados de novembro decretada pelo BC.
“Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$2,2 bilhões”, disse o diretor de Fiscalização do BC no depoimento à PF.
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“A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. Será de mais de R$4 bilhões, mais de R$5… a probabilidade é que seja mais de R$5 bilhões de ajuste. Sim, mais de 5 bilhões”, acrescentou.
O diretor de Fiscalização prestou depoimento à PF no final de dezembro no inquérito conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga, entre outros fatos, fraudes nas transações entre BRB e Master.
O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial decretada pelo BC em 18 de novembro, e, no mesmo dia, seu dono, o empresário Daniel Vorcaro, foi preso em uma operação deflagrada pela PF para investigar suspeita de fraudes bilionárias. Vorcaro posteriormente foi solto, mas cumpre medidas cautelares.
Em setembro, o BC havia rejeitado a compra do Master pelo BRB, que fora anunciada em março, após concluir análise acerca da capacidade financeira da instituição para fazer frente ao negócio.
Aquino também disse que desde março o BC apresentou questionamentos por meio de ofícios mostrando a preocupação com o BRB em relação a operações.
“Não necessariamente para mim, mas sim para o meu time, formado pelo supervisor, pelo supervisor, pelo auditor, pelo chefe da divisão que toca o banco”, observou o diretor.
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Questionada sobre o depoimento de Aquino, a defesa de Vorcaro disse em nota que as carteiras de crédito objeto das tratativas com o BRB foram efetivamente substituídas por outros ativos, todos regularmente registrados no balanço da instituição, auditados e precificados de acordo com metodologias formais de classificação de risco, sob supervisão do BC.
Segundo os advogados de Vorcaro, o BRB aprovou a aquisição dos ativos dentro dos parâmetros técnicos e contábeis vigentes à época.
“A defesa de Daniel Vorcaro lamenta que trechos de depoimentos estejam sendo divulgados fora de contexto, segue colaborando integralmente com as autoridades competentes e confia que a apuração técnica completa dos fatos afastará interpretações que não correspondem à realidade”, ressaltou.
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Também procurado, o BRB afirmou que qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados pelo Banco Master.
“Essa avaliação integra a apuração do Banco Central e, também, a investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer com apoio técnico da Kroll. Após o encerramento das apurações será estabelecido o valor do aporte necessário para cobrir eventuais perdas”, ressaltou.
O banco afirmou ainda que, para “suprir possível déficit, já está desenhado um plano de capitalização que será encaminhado ao órgão regulador após a conclusão das análises”, e disse que está em curso a venda de ativos originários do Master e que os recursos podem evitar impactos na provisão.
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O BC não respondeu de imediato a pedido de comentário.