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SÃO PAULO – A volatilidade deve seguir na pauta dos mercados nacional e internacional nesta semana. A indefinição sobre o caso da dívida pública grega e as dúvidas que pairam sobre o ritmo de recuperação das economias devem ditar os rumos das bolsas de valores nos próximos pregões.
Em relatório, a Planner Corretora diz que o período promete ser de volatilidade para a BM&F Bovespa, com as notícias internacionais repercutindo no País, com no caso da Grécia, que ainda não possui um plano definido para sua dívida pública e indicadores econômicos não tão favoráveis em outros países. “O Reino Unido também tem chamado a atenção pelo seu déficit e a votação da proposta de orçamento as vésperas da eleição prometem reforçar a volatilidade nos negócios’, fala.
Além disso, a corretora destaca que na agenda também devem pesar novos indicadores da atividade norte-americana, entre eles do mercado de imóveis que, em sua visão, “sempre mexem com os ânimos do mercado”.
Ibovespa
Como comenta Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora de Câmbio, o mercado está divido entre os que veem um Ibovespa mais cauteloso, em torno de 66 mil pontos, e outros que apostam em um intervalo de oscilação entre 68.500 e os 70.500 pontos.
“Todos acreditam, porém, que apesar da volatilidade por conta das incertezas externas, o balanço corporativo da Petrobras, que veio bem melhor que o esperado, pode injetar ânimo nos mercados. Também nesta segunda-feira, a bolsa será movimentada pela estreia da OSX Brasil”, falou .
As ações da OSX começaram com fraqueza suas negociações no dia, cotadas a R$ 750,00 – desvalorização de 6,25% em relação ao preço fixado em seu bookbuilding.
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“Em relação aos IPOs, cujo movimento ainda não se recuperou, a causa é a aversão ao risco por parte dos investidores globais. Os analistas concordam que não é um bom momento para o ingresso das empresas no mercado”, acrescenta Miriam.
Nos bálticos
A Grécia continua a dominar as atenções internacionais nesta semana. A aversão ao risco gerada na semana passada por conta da demora de uma ajuda financeira e de um plano consistente ao país acabam prevalecendo ainda esta semana.
Como explica a diretora de câmbio Miriam Tavares, da AGK, o tema ganhou fôlego com a decisão da Alemanha de apoiar uma ajuda monetária vinda do FMI (Fundo Monetário Internacional), enquanto países como França e o próprio BCE (Banco Central Europeu) defendem um plano mais doméstico.
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“A discordância da cúpula da comunidade volta a elevar as incertezas em relação a uma possível ajuda, caso necessário, impedindo uma aposta muito positiva para os mercados nesta semana”, comentou Miriam.
A diretora de câmbio fala ainda que, neste contexto, as atenções devem se voltar para o encontro de cúpula da União Europeia na próxima quinta-feira (25), quando se espera um decisão do Conselho Europeu.
Efeito Índia
A notícia divulgada na semana passada de que o governo indiano elevou em 0,25 ponto percentual sua taxa básica de juros é outro fator que deve influenciar o mercado nesta semana, na visão do economista Silvio Campos Neto, do Banco Schahin.
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“Esta ação levantou novamente os temores de que outros países emergentes, que têm sido o principal motor da recuperação global, comecem a apertar suas políticas, contendo parcialmente a retomada destas economias”, fala.
O economista conta que este movimento já repercutiu na semana passada com a queda dos preços das commodities e da bolsa e moeda brasileiras, que possuem forte correlação com os mercados primários.
Assim, com a incerteza de uma nova onda de influência advinda dos apertos monetários e do próprio caso grego, Silvio Campos Neto recomenda a reavaliação do cenário e cautela para esta semana.
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Agenda brasileira: Copom
Para Pablo Bréard, do Scotiabank, a ata do Copom será destaca na agenda brasileira e trará mais detalhes sobre a decisão de manter o juro básico em 8,75% ao ano, mas atentar para alta na próxima reunião dia 28 de abril.
“Olhando adiante, um aumento em até 11% ao ano – no mínimo – até o final do ano é altamente provável”, comenta o analista do banco. Para ele, isso mostra que as condições do cenário doméstico permanecem favoráveis.
Além disso, ele destaca que o aumento da expectativa de inflação, assim como o período eleitoral e as mudanças na diretoria do Banco Central, podem liderar um momento de mais volatilidade no curto prazo.
Confira os indicadores programados no Brasil e nos Estados Unidos nesta semana:
> Terça-feira (23/3)
– Brasil
8h00 – IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) referente à terceira quadrissemana de março (FGV);
9h00 – IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) de março (IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas);
9h30 – IPCA – E entre janeiro e março (IBGE);
10h00 – Nota de Política Monetária de fevereiro (Banco Central).
– EUA
11h00 – House Price Index de janeiro (Federal Housing Finance Agency);
11h00 – Existing Home Sales referente ao mês de fevereiro.
> Quarta-feira (24/3)
– Brasil
10h00 – Nota de Mercado Aberto de fevereiro (Banco Central)
– EUA
9h30 – Durable Good Orders de fevereiro (Departamento de Comércio);
11h00 – New Home Sales de fevereiro;
11h30 – Estoques de Petróleo (EIA – Energy Information Administration).
> Quinta-feira (25/3)
– Brasil
7h00 – IPC referente a terceira quadrissemana de março (Fipe – Fundação Instituto de Pesquisa Econômica);
8h00 – Sondagem do Consumidor de março (FGV);
8h30 – Ata do Copom (Banco Central);
9h00 – Pesquisa Mensal de Emprego referente ao mês de fevereiro (IBGE).
– EUA
9h30 – Initial Claims (pedidos de auxílio-desemprego) da semana.
> Sexta-feira (26/3)
– Brasil
Não haverá indicadores relevantes no País neste dia.
– EUA
9h30 – Terceira prévia do PIB e de seu deflator, todos baseados no quarto trimestre (Departamento de Comércio);
10h55 – Michigan Sentiment de março – versão final (Universidade de Michigan)
Europa e Ásia
Na Europa, o mercado espera a inflação do consumidor da Inglaterra de fevereiro (terça-feira), o PMI (Purchasing Managers’ Index) de março na quarta-feira, o relatório anual do BCE apresentado por Jean-Claude Trichet, presidente do banco, na quinta-feira e o encontro de dois dias do Conselho Europeu para deliberar a questão econômica e política na quinta-feira.
Já na Ásia, a atenção se concentra no BoJ (Bank of Japan), que na semana passada decidiu injetar ¥ 10 trilhões de empréstimos de três meses com o objetivo de impulsionar o consumo e combater a deflação. A balança comercial de fevereiro do país sairá na quarta-feira.