Pequenos empresários sofrem com a falta de tempo

Ter o próprio negócio e não conseguir administrar o tempo pode significar agenda lotada e noites mal dormidas, isto sem falar nos conflitos familiares

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SÃO PAULO – As manhãs de segunda-feira do empresário Francisco de Alencar Orlani, 43, já viraram um ritual sagrado. Acorda às 7h30, toma o café da manhã ao lado do jornal e de Clovis, seu cão labrador, e segue para o clube às 8h30, onde permanece até às 11h30.

Nesse intervalo, Orlani participa com outros colegas de campeonatos de tênis, e ainda aproveita o almoço para colocar a conversa em dia com os parceiros do esporte. Apenas nesse ano foram feitos quatro torneios, dos quais o empresário ficou em primeiro lugar em dois deles.

“Acabei com o problema do domingo à noite. Mal vejo a hora de chegar a segunda-feira para poder jogar meu tênis”, conta Orlani, proprietário de uma pequena fábrica de embalagens promocionais. Durante a semana, ele ainda pratica seu esporte preferido nas quartas à noite, nas sextas e aos sábados.

Com um exemplo desse, semelhante a um comercial de margarina, não é de se estranhar que milhares de funcionários sonhem com o dia em que poderão virar patrão, ganhar muito dinheiro e ter tempo para fazer o quiser. Infelizmente, o caso do empresário é uma exceção no mundo dos donos do próprio negócio, que na verdade são aqueles que mais trabalham dentro de uma empresa.

Fase de implantação

Trabalhar 15 horas por dia é uma atividade comum a muitos proprietários de micro e pequenas empresas. Possuir seu próprio negócio pode equivaler a não ter tempo para nada, passar madrugadas em frente a um computador, viajar com freqüência para visitar clientes e sair nos finais de semana atrás dos inadimplentes que passaram cheques sem fundo. Uma vida assim é bem distinta daquela idealiza pelos que buscam
a independência em forma de uma pequena empresa.

“No começo foi fácil porque o movimento era pequeno”, conta Stella Lemos, 51, dona de uma boutique feminina na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo. “Mas desde
que a gente começou a vender mais, saio da loja e vou direto conversar com fornecedores. Chego em casa às 10h00 da noite e trabalho até no final de semana”.
Além da falta de tempo, outro problema da vida de Stella são as constantes reclamações do marido, que passou a vê-la com menor freqüência.

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Na fase de implantação do negócio, a quantidade de trabalho vai depender do grau de familiaridade que se tem com o ramo da atividade. Os marinheiros de primeira viagem certamente serão os que vão sofrer com a falta de experiência e passarão noites sem dormir para se adaptar ao dia-dia da nova empresa. Já aqueles que conhecem bem o setor no qual irão atuar terão menores dores de cabeça e poderão gozar de certa
tranqüilidade durante esse período de implantação.

Plano de negócios

O primeiro drama de qualquer empresário está relacionado à possibilidade de sucesso ou ao fracasso de seu investimento. No Brasil, em função dos juros elevados, investir em um novo negócio tem um custo bastante alto, e nesse sentido, minimizar as chances da empresa ir por água abaixo deve ser a preocupação inicial do empresário.

Conhecer bem o mercado, saber quem são os concorrentes, trabalhar com bons fornecedores, e conseguir chegar até os potenciais clientes faz parte do plano de negócios, que nada mais é do que um estudo de viabilidade econômica de uma
empresa.

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Através do plano de negócios, o empreendedor consegue enxergar se estará ganhando dinheiro ao abrir a nova empresa, ou ao contrário, se estará obtendo prejuízo. Ganhar dinheiro não é o mesmo que ter receitas maiores que as despesas. O cálculo envolvido é bem mais complexo que isso.

Portanto, para maximizar as chances de obter sucesso com o dinheiro investido, nada melhor que estar assessorado de um bom profissional nessa área. Quanto mais detalhado for seu plano de negócios, menor será a probabilidade de estar embarcando numa fria.

Delegar tarefas

A falta de tempo para atividades de lazer é uma das principais reclamações da maioria dos empresários. Ao serem questionados quanto ao motivo dessa escassez de tempo livre, a resposta é sempre a mesma: “trabalho sozinho e não posso confiar nos funcionários”.

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Não ter sócios para dividir as tarefas ou mesmo não poder delegar trabalho aos funcionários é motivo de sobra para acabar com o sono de qualquer empresário. Sobrecarregados, os donos do próprio negócio sofrem de estresse, problemas familiares e falta de auto-estima.

Da mesma forma que numa grande corporação, o presidente da empresa é o que mais trabalha em todo o grupo em decorrência da importância de seu trabalho. Ser o primeiro a chegar e o último a sair é característico do dia-dia dos empresários.

A vantagem que os presidentes das grandes empresas levam em relação aos pequenos empreendedores – fora os altos salários – é a possibilidade de se dedicar a tarefas mais específicas e concentrar-se no que fazem melhor: analisar com cuidado a situação da companhia e traçar novas estratégias.

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Distribuir tarefas precisa ser encarado como uma atividade corriqueira de qualquer empresa. É impossível resolver todos os problemas sozinho. Afinal, o dia tem apenas 24 horas e nosso corpo exige cuidados com a alimentação e com o sono. O bom empresário é aquele que além de enxergar novas oportunidades, consegue delegar tarefas a outras pessoas e coordenar o grupo de acordo com suas estratégias.

Poder contar com a ajuda dos funcionários é fundamental para qualquer empresário. Além de aumentar a produtividade da empresa, ele ainda ganha um tempinho a mais na agenda e pode dedicar-se ao lazer, à saúde e à família.