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SÃO PAULO – Predominantemente agrícola, Fortaleza de Minas (MG) passou a ter a sua economia impulsionada pelo níquel a partir de 1986, com a instalação de uma unidade de exploração do elemento por uma multinacional inglesa, o que gerou empregos e moveu a economia da região. Em 2003, a unidade foi vendida para a Votorantim Metais.
Vinte oito anos depois do início da exploração, o cenário que desenha para a cidade não é nada positivo. Após a planta da unidade de níquel ser fechada em setembro do ano passado, a companhia anunciou a demissão de 400 trabalhadores sendo que, em janeiro, a Votorantim firmou acordo com o Ministério Público do Trabalho de Pouso Alegre para regularizar as demissões. Com esse grande número de trabalhadores fora do mercado de trabalho e/ou procurando emprego em outras cidades, a arrecadação do município despencou e ele teve, assim, que se adaptar à nova realidade.
Com 4,3 mil habitantes, a maior parte da arrecadação do município vinha da mineradora, que gera cerca de R$ 120 mil por mês em tributos. Desde agosto de 2013, a prefeita Neli Leão decretou estado de emergência, conforme destacado pelo site G1, mesmo antes do fechamento da fábrica. Em meio à queda do preço do níquel, a Votorantim Metais já havia dado férias coletivas a funcionários e demitidos muito deles em meados do ano passado.
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E isso se refletiu nas contas do município. Somente de ICMS, a arrecadação caiu de R$ 3,13 milhões em 2012 para R$ 2,61 milhões em 2013 e outros tributos também tiveram forte queda. Com isso, a prefeitura cortou despesas até mesmo em áreas prioritárias, como educação e saúde, enquanto recém-contratados foram dispensados.
Procurada pelo InfoMoney, a Votorantim Metais informou, por meio de sua assessoria, que suspendeu temporariamente as atividades de produção de matte de níquel da Unidade Fortaleza de Minas devido à perda de competitividade da planta.
A companhia destacou ainda que a decisão de fechar a planta, anunciada em 25 de setembro de 2013, foi baseada em estudos de viabilidade econômica, realizados durante um longo período.
“Esses estudos indicaram, entre outros pontos, que a oscilação dos preços atuais do níquel e taxas cambiais ao longo dos últimos anos, associados à gestão de abastecimento de matérias primas e a atual política tributária têm levado os resultados econômico-financeiros da unidade a níveis bastante desfavoráveis, o que inviabilizam o empreendimento temporariamente”, destacando ainda que o esgotamento da mina também foi um fator que influenciou a suspensão temporária da unidade.
Conforme informações divulgadas pela imprensa nas últimas semanas, dentre as opções que estão sendo avaliadas pela Votorantim, estão a produção de outro produto e a venda de unidade de indústria para outra companhia. Sobre o assunto, a Votorantim Metais esclareceu que estudos de viabilidade e retomada do empreendimento são realizados periodicamente.
A companhia também afirmou que, ao longo da atuação da empresa em Fortaleza de Minas, foram realizados investimentos de quase R$ 5 milhões em programas de fomento à cadeia produtiva da região, modernização da gestão pública, melhoria da educação e valorização dos direitos da criança e do adolescente e que foram investidos mais de R$ 2 milhões em capacitação e qualificação dos empregados. “E, ciente do seu papel como ator social, mesmo com a suspensão temporária das atividades na região, a Votorantim Metais dará continuidade a essas iniciativas sempre visando à contribuição para o desenvolvimento local”, destacou a companhia.
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Novos empreendedores na cidade
Com o fechamento da fábrica da Votorantim Metais, outros players do mercado estão entrando na cidade, conforme apontou o site Clic Folha. A mineradora Morro Azul está ampliando os seus investimentos na cidade.
Nesta semana, aponta a publicação, diretores da empresa receberam lideranças políticas da região, entre as quais o deputado estadual Cássio Soares, a prefeita do município, Neli Leão do Prado, o prefeito de Pratápolis, José Eneido Modesto, e vereadores. O município vê com bastante interesse a chegada da mineradora na região, já que aumentaria as vagas de emprego e ainda pelo aumento do repasse recebido do governo federal, a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) destinada aos municípios que fazem esse tipo de exploração.