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SÃO PAULO – No início do ano passado, a elevação do Brasil a grau de investimento prometia dar um impulso extra às ações de small caps. Ao invés disso, o mercado acionário brasileiro sentiu o peso da crise financeira internacional, que penalizou especialmente os papéis de empresas de menor capitalização.
Com o recente rali da bolsa paulista, iniciado em meados de março, as small caps, especialmente as voltadas ao mercado doméstico, voltam ao foco. Em entrevista recente à InfoMoney TV, o gestor da Daycoval Asset, Roberto Kropp, afirmou que, embora já tenham mostrado uma recuperação significativa nos últimos três meses, esses papéis ainda têm espaço para se valorizarem.
A boa performance das small caps no acumulado do ano é visível na valorização de quase 45% do índice BM&F Bovespa Small Cap, cuja carteira atualmente é composta por 59 papéis. Em comparação, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, registra uma valorização menor, de aproximadamente 42%, enquanto o índice de Mid-Large Caps acumula alta de 39%.
Bom histórico
O mercado brasileiro não foi o único a penalizar as small caps durante a crise financeira e a esperar uma melhora com os sinais de estabilização. De acordo com a diretora de investimento da Invesco AIM, Juliet Ellis, desde o início da crise nos Estados Unidos, em dezembro de 2007, até o início de março deste ano, as small caps caíram cerca de 55%. Desde então, já tiveram valorização de mais de 45%, acima do retorno das large caps, de 35%.
“Nós acreditamos que essa performance melhor das small caps está em consonância com o que aconteceu no final de recessões passadas”, explica Juliet. Conforme sua análise, o comportamento ruim das chamadas ações de terceira linha durante as turbulência é típico, assim como sua recuperação ao final das crises.
“Historicamente, as small caps tendem a ser atingidas mais duramente no início dos declínios dos mercados que acontecem durante as recessões, porém elas tipicamente se beneficiam de recuperações mais substanciais. Na verdade, elas lideraram o fim de 10 das 11 recessões desde 1945”, argumenta a diretora. Segundo ela, o retorno médio desses papéis nos 12 meses seguintes às recessões é de 51%, 90 pontos-percentuais acima do retorno médio das large caps.
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Perspectivas otimistas
Embora ainda seja difícil prever o movimento dos mercados, Juliet indica sinais de um possível ponto de inflexão na economia, criando um ambiente favorável à continuidade da forte performance das small caps:
Embora a expectativa de recuperação das small caps seja otimista, Juliet Ellis afirma que isso não importa tanto. Desconsiderando a discussão acerca da probabilidade das empresas de menor capitalização registrarem performance melhor do que a média do mercado, a Invesco AIM recomenda aos investidores de longo prazo a exposição a small caps “como parte de um portfólio apropriadamente diversificado”.