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SÃO PAULO – Em um mês em que as atenções estiveram divididas entre o cenário internacional, com o preço do petróleo atingindo novo recorde em Nova York, e as perspectivas para a economia doméstica, o mercado brasileiro como um todo deu continuidade ao movimento de correção que havia sido apresentado em junho. Neste sentido, o noticiário positivo, sobretudo aquele vindo do cenário externo, acabou sendo predominante.
O principal fator de otimismo no que se refere à economia brasileira ficou por conta da desaceleração da inflação tanto no atacado quanto no varejo, de acordo com os índices de preços referentes às últimas semanas de julho. Além disso, os sinais de maior recuperação da economia doméstica, com a forte elevação da produção industrial e a queda da taxa de desemprego, também foram fatores que influenciaram positivamente.
Preço do petróleo atingiu novo recorde em julho
O mercado de petróleo continuou, em julho, atraindo bastante as atenções dos investidores, já que após o forte recuo da cotação da commodity em junho, o preço do barril voltou a disparar. Neste sentido, o preço do barril tipo Brent, negociado no mercado de Londres, encerrou o mês cotado a US$ 40,03, o que representa uma expressiva alta acumulada de 16,03% no período.
Este forte aumento reflete, basicamente, uma maior preocupação dos investidores com relação à oferta mundial de petróleo, especialmente depois que as autoridades russas proibiram a petrolífera Yukos de comercializar o seu petróleo produzido. Além disso, a ocorrência de novos atentados terroristas no Iraque trouxe, novamente, maior preocupação ao mercado.
Para se ter uma idéia, em Nova York, a alta registrada em julho pelo preço do barril de petróleo foi da ordem de 18,5%. Dessa maneira, o preço do barril de petróleo encerrou o mês no patamar de US$ 43,8, o maior nível em 21 anos.
Inflação desacelera no final do mês
No cenário doméstico, por sua vez, o destaque ficou para a desaceleração inflacionária registrada tanto no varejo, quanto no atacado, nas últimas semanas do mês. Para se ter uma idéia, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe apurou uma alta de 0,63% na terceira quadrissemana de julho, abaixo da variação positiva de 0,82% apurada na segunda quadrissemana e da elevação de 0,83% na primeira quadrissemana do mês.
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Percebe-se, assim, que os preços no varejo cresceram sim ao longo do mês, mas em proporções cada vez menores, fato que justifica o maior otimismo do mercado. No atacado, esta mesma tendência também pôde ser constatada, já que o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) registrou elevação de 1,31% em julho, abaixo da alta de 1,38% apresentada em junho. A menor alta do índice refletiu uma desaceleração dos preços tanto no atacado quanto no varejo.
Bolsa foi melhor investimento pelo segundo mês seguido
Diante deste contexto, a bolsa foi, pelo segundo mês seguido, o melhor investimento em julho, com o Ibovespa, o principal índice da bolsa paulista, acumulando forte ganho de 5,61%, o que, em termos reais, descontando-se a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), representa uma alta de 4,24%. Ainda assim, se formos considerar o acumulado do ano, os investimentos na bolsa ficam para trás, com ganhos de apenas 0,45%.
Em termos reais, contudo, a situação é ainda pior, já que o Ibovespa acumula forte queda de 7,15% neste período, com os investidores aproveitando para embolsar parte dos ganhos registrados em 2003, quando o índice registrou uma expressiva alta nominal de 97,34%. Mas o título de pior investimento do ano fica mesmo com o Ouro BM&F, que acumula perdas nominais de 1,55% em 2004 e queda real de 8,99% no período.
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Dólar Ptax foi o pior investimento
Por outro lado, o dólar Ptax foi o pior investimento em julho, acumulando uma queda de 2,60% no mês. Descontando-se a alta de 1,31% registrada pelo IGP-M no período, o dólar Ptax apresentou uma perda real de 3,86% no mês. O dólar paralelo, por sua vez, encerrou o mês com perdas de 0,75%, o que representa uma queda real de 2,03% no período.
Confira a rentabilidade dos principais investimentos na tabela abaixo:
| Investimento | Julho | Real* | 2004 | Real** | Ibovespa | 5,61% | 4,24% | 0,45% | -7,15% |
| CDI*** | 1,28% | -0,03% | 8,94% | 0,70% | CDB **** | 1,23% | -0,08% | 9,03% | 0,79% |
| Poupança | 0,70% | -0,60% | 4,59% | -3,32% |
| Dólar Paralelo | -0,75% | -2,03% | 6,76% | -1,31% |
| Dólar Ptax | -2,60% | -3,86% | 4,76% | -3,16% |
| Ouro | -1,30% | -2,58% | -1,55% | -8,99% |
| IGP-M | 1,31% | 8,18% |
* Deduzida a inflação pelo IGP-M que ficou em 1,31% em julho
** Deduzida a inflação pelo IGP-M acumulada em 2004, de 8,18%
*** Taxa Efetiva Andima
**** Taxa pré 30 dias