Pedidos de execuções hipotecárias nos EUA avançam 81% em 2008

Número de propriedades que receberam avisos de leilão ou que foram executadas atingiu 2,3 milhões no ano passado

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SÃO PAULO – Fator que tem sido ressaltado pela comunidade econômica como um dos centros do problema financeiro norte-americano, as execuções hipotecárias cresceram a um ritmo acelerado em 2008.

Terminado o ano, a RealtyTrac, negociante online de hipotecas, anunciou que o número de pedidos de execuções aumentou 81% no período, devido ao declínio no valor dos imóveis, à menor oferta de crédito e à recessão norte-americana. Somente em dezembro, os requerimentos cresceram em 41% em relação ao mesmo mês de 2007.

Com esses avanços, o número de propriedades que receberam avisos de inadimplência, de leilão ou que foram executadas por bancos chegou a 303.410 em dezembro e 2,3 milhões no ano passado, atingindo a pior marca anual desde que a RealtyTrac começou a pesquisa, há quatro anos.

Esforços para prevenir execuções

Tanto o mercado quanto os políticos norte-americanos têm pedido maiores esforços do governo e dos bancos na prevenção de execuções hipotecárias. No início do mês, o painel do Congresso responsável pela supervisão da aplicação dos recursos do TARP (Troubled Asset Relief Program) criticou o Tesouro por não ter utilizado nenhuma fatia do pacote de US$ 700 bilhões para ajudar os mutuários a refinanciarem as hipotecas.

Menos de uma semana depois, o vice-presidente do Federal Reserve, Donald Kohn, afirmou a importância da utilização dos recursos do pacote na prevenção dessas execuções, em discurso diante da Casa dos Representantes dos EUA. Segundo ele, “apesar de muitos esforços estarem em andamento para combater o problema, é necessário fazer mais”.

Dentre todos os esforços sendo realizados para combater o aumento do número de execuções hipotecárias, um dos que tem gerado maior polêmica é o projeto de lei que permite a redução de dívidas de hipotecas de indivíduos em julgamento de falência. A legislação já conta com o apoio manifesto do Citigroup, porém ainda enfrenta oposição de grande parte das instituições financeiras.