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As reações ao pedido de prisão preventiva do ex-presidente Lula da Silva pelo Ministério Público de São Paulo, considerado precipitado e sem fundamentos jurídicos até pela oposição (por exemplo: o deputado paulista Carlos Sampaio, um “oposicionista quase radical” pediu prudência) indicam que o os promotores responsáveis pela investigação do do triplex do Guarujá foram precipitados em sua ação, com argumentos frágeis demais. Também se pediu a quebra do sigilo bancário de Lula e a apreensão de seu passaporte.
É opinião quase unânime que o pedido deverá ser rejeitado pela juíza Maria Priscilla Ernandes Oliveira, da 4ª Vara Criminal, o que dá a Lula, em momento delicado para ele, argumento mais sólido para reforçar a tese que vem defendendo, juntamente com o PT, que está sendo vítima de perseguição por parte do Judiciário, tanto em São Paulo quanto em Curitiba.
Prevê-se ainda que, com esse novo quadro, os advogados de Lula tentarão, mais uma vez, anular o processo contra ele que corre na capital paulista. Pedidos idênticos anteriores foram rejeitados no STF.
Depois dessa notícia, divulgada no fim da tarde, voltou à baila a conversa da indicação do ex-presidente Lula para um ministério de Dilma, para ganhar foro privilegiado e livrar-se de atos como do MP de São Paulo e também dos investigadores do Paraná. Com foro privilegiado,seus processos passariam a correr em Brasília.
Cedo, Lula contou a amigos que Dilma ofereceu a ele o ministério que quiser – e comunicou que não aceitaria a oferta, o que teria sido comunicado à presidente à noite. Depois da ação do MP, seria, como se diz na gíria, “dar bandeira demais”, confessar que o objetivo da nomeação é simplesmente blindar o ex-presidente e não o argumento de que ele será importante para a coordenação política do governo e para ajudar a aprovar as medidas de retomada na economia.
Há, porém, quem ache, que depois de passado o impacto inicial desse pedido de prisão, com a condenação generalizada da ação do MP de São Paulo, Lula tenha recebido, gratuitamente, uma boa explicação para aceitar o ministério, além dos “serviços” que poderá prestar a Dilma: é preciso proteger mesmo o ex-presidente da “perseguição política” do Judiciário nos estados. Há petistas que acham Lula não deve aceitar de modo algum: ele corre o risco de afundar junto com Dilma.
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Logo que veio a notícia, espalhou-se também a preocupação quanto à influência que o ato do MP paulista (e até uma prisão, improvável, de Lula) poderia ter sobre as manifestações de domingo, da oposição, contra o governo. Antes disso, os organizadores de uma manifestação paralela, também no dia 13, a favor de Dilma e Lula, haviam desistido de levar adiante a proposta. Agora, se pergunta: isso não vai novamente acirrar os ânimos?
Mesmo sem o cargo de ministro, Lula já está agindo como uma espécie de assessor especial, poderoso, da presidente Dilma Rousseff. À tarde, ele recebeu no Instituto Lula, em conversa reservada, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que veio a São Paulo especialmente para esse encontro. Seguramente não conversaram abobrinhas. Nelson Barbosa e sua política têm sido duramente criticados pelo PT nos últimos tempos.
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Sem reformas, medidas drásticas na economia
Ontem, o ministro da Fazenda voltou a defender suas propostas – falou em “medidas drásticas” se não houver as reformas, com a da Previdência, que o PT quer que Dilma guarde na gaveta, pelo menos por enquanto, pelo menos até a eleição municipal. Informa a “Folha de S. Paulo” que assessores da presidente Dilma já estão achando que o ministro está dando indicações de que poderá sair do governo se sua política for alterada.
Por seu turno, noticia “O Estado de S. Paulo” que o Ministério da Fazenda, diante da possibilidade de não ter a CPMF aprovada este ano (arrecadação prevista de R$ 11 bi se votada até maio), estuda o aumento de outros impostos. Os alvos seriam o IPI e o IOF, que podem ser reajustados sem aval do Congresso Nacional. É comprar briga com o empresariado, já bastante incomodado.
Na “Folha”, a jornalista Mônica Bergamo, diz que Dilma já está resignada com o diagnóstico, feito até por ministros, de que o governo dela pode não chegar ao final. “Eu tenho que combater o bom combate, ganhar ou perder é o resultado”, ela tem afirmado. Para mais um aborrecimento da presidente, ministro do TCU pediu a inclusão dela no processo sobre a compra da refinaria da Pasadena, nos Estados Unidos.
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Na arena política, onde se joga o impeachment da presidente, a grande preocupação do Palácio do Planalto passou a ser, desde a noite da quarta-feira, a reaproximação do PMDB com o PSDB, em jantar de caciques dos dois partidos na casa do senador Tasso Jereissati (PSBD-CE). Presente estava Renan Calheiros, o peemedebista com o qual Dilma mais conta para defendê-la no Senado das ofensivas da Câmara de Eduardo Cunha.
Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, de hoje, o vice-presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, respectivamente presidentes de PMDB e PSDB, já negociam uma aliança entre os dois partidos. Parte do alcance de tal aproximação será medida na Convenção Nacional do PMDB, amanhã, quando Temer será reconduzido à presidência da legenda e grupos do “PMDB de oposição” deverão propor o imediato afastamento do governo.
Outros destaques dos
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jornais do dia
– “Tesouro toma dívida com maior juros em sete anos” (Folha)
– “BC europeu aciona munição e deixa juros ainda mais negativos” (Folha)
– “Para analistas, Selic cai ainda este ano” (Estado)
– “Venda do varejo cai 1,5% em janeiro” (Estado/Valor)
– “Crise encerra festa de inauguração das montadoras” (Valor)
– “Braskem vira moeda de troca da Odebrecht” (Folha)
– “Anac que permitir que empresa aérea cobre bagagem” (Folha/Estado/Globo)
– “MPF investiga se Cunha recebeu propina em 13 contas no Exterior” (Globo)
– Supremo dá perdão a dois petistas [João Paulo e Delúbio] no mensalão” (Folha/Estado)
– “Ex-diretor da Petrobras [Zelada] foi indicado por Temer, diz Delcídio” (Folha)
LEITURAS SUGERIDAS
Vinicius Torres Freire – “Desespero na Fazenda” (diz que, em meio ao naufrágio do governo, Nelson Barbosa, já bem isolado, faz discurso dramático sobre reformas) – Folha
Pedro Luiz Passos – “Um gesto de realismo” (a renúncia da presidente Dilma seria o primeiro passo no processo de recomposição política do país) – Folha
Editorial – “Sobra inflação, falta governo” (diz que os dirigentes do BC cometerão irresponsabilidade se afrouxarem o controle da moeda e do crédito) – Estado
Celso Ming – “Compras adiadas” (diz que as condições do comércio varejista estão bem pior do que se imaginava) – Estado
Claudia Safatle – “É hora de desinflacionar a economia” (diz que o Banco Central só deverá cortar juros quando ancorar as expectativas) – Valor