PDG traça plano para normalizar operações a partir de 2015

Após encerrar o quarto trimestre de 2012 com prejuízo de 1,79 bilhão de reais, a construtora e incorporadora apresentou nesta quarta-feira seu novo plano de negócios para os próximos anos

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SÃO PAULO – A PDG Realty (PDGR3) ainda deve enfrentar dois anos de transição antes de retomar um nível de lançamentos saudável, apoiada numa estrutura mais enxuta, e já vê algum ganho de mercado nos primeiros três meses de 2013.

Após encerrar o quarto trimestre de 2012 com prejuízo de 1,79 bilhão de reais, a construtora e incorporadora apresentou nesta quarta-feira seu novo plano de negócios para os próximos anos, tendo a rentabilidade como foco principal.

A estratégia, elaborada após revisão detalhada do orçamento das obras, prevê lançamentos anuais de 5 bilhões a 6 bilhões de reais a partir de 2015. Até lá, não serão traçadas estimativas para lançamentos, que devem evoluir conforme a melhora na capacidade operacional.

“O objetivo é atingir esse nível de 2015 em diante… não vamos ter guidance para antes disso”, disse o presidente-executivo da PDG, Carlos Piani, em teleconferência, explicando que a empresa passará a trabalhar apenas com metas financeiras, como controle custos de obras e orçamento e redução de despesas.

A PDG também não divulgou suas projeções de vendas para o período, mas executivo informou à Reuters que elas devem acompanhar o ritmo dos lançamentos. A companhia fez em 2012 uma ampla reestruturação das operações para tentar retornar à rentabilidade.

Conforme o balanço divulgado na noite de terça-feira, uma revisão nos orçamentos de obras resultou em custos adicionais da ordem de 1,4 bilhão de reais, com reversão de 1,1 bilhão da receita líquida. Além da revisão, ajustes contábeis diversos somaram 506 milhões de reais.

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Piani, entretanto, descartou a possibilidade de novos ajustes e revisões adiante. “Não existem novos ajustes e provisões a serem feitas”, afirmou.

“A gente acredita (…) que com a implementação deste novo modelo de negócios, a gente pode até mapear e buscar oportunidades em relação a estes ajustes que foram feitos”, adicionou o executivo.

O novo plano prevê ainda a concentração nos segmentos econômico e de médio padrão e a redução do número de regiões de atuação, de 17 para 10. A PDG também previu ter retorno sobre patrimônio líquido de 20 por cento ao ano, considerando o ano de 2015 como base.

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“Teremos parcerias de forma complementar… nosso crescimento futuro será essencialmente orgânico”, acrescentou Piani, referindo-se à terceirização de obras, um dos principais fatores responsáveis por estouro de custos no setor. “Com essas medidas, estamos no caminho certo.”

A empresa também seguirá vendendo terrenos não estratégicos, enquanto adquire áreas nas regiões de interesse.

No comando da PDG há cerca de seis meses, após uma rodada de mudanças no corpo executivo, Piani admitiu que a situação encontrada ao assumir o cargo surpreendeu.

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“Não prevíamos algo dessa magnitude, nada próximo a isso… mas de forma alguma isso nos assusta”, disse ele. “Seremos mais uma vez líderes nas regiões onde atuamos”, ressaltou.

Curto prazo
Os primeiros três meses de 2013 já indicam uma recuperação da companhia, segundo Piani.

“O mercado tem reagido e eu acho que a gente está começando de novo a acelerar, ganhar um pouco o espaço novamente de mercado neste primeiro trimestre”, afirmou, adicionando que 2013 será melhor do que 2012.

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No período, a PDG já fez lançamentos no Rio de Janeiro e no Nordeste.

O executivo não acredita em aumento dos preços, apenas em repasse, acompanhando a inflação, ao passo em que a demanda tem se mantido. “Os preços vão continuar constantes em termos reais”, disse.

Vendas e lançamentos despencam
Em 2012, os ajustes realizados se refletiram em fortes quedas nas linhas de vendas e lançamentos da PDG.

No ano fechado, os lançamentos somaram 1,75 bilhão de reais, queda de 80,5 por cento ante 2011, sem considerar a fatia de parceiros nos projetos. Já as vendas atingiram 3,91 bilhões de reais em 2012, 47,7 por cento menores.

A companhia fechou o ano passado com estoque a valor de mercado de 5,16 bilhões de reais.

Dentre as únicas projeções traçadas para os próximos dois anos, a PDG espera realizar entregas de 32.000 a 36.000 unidades neste ano e de entre 22.000 e 26.000 unidades em 2014. Também para 2014, a empresa prevê alcançar geração de caixa operacional de 1,5 bilhão de reais.

As ações da PDG registravam valorização de 5,1 por cento às 14h31, cotadas a 3,12x reais, após terem iniciado os negócios nesta quarta-feira em queda. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,24 por cento.