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O fechamento de 23 mil vagas de trabalho nos Estados Unidos, apontados no payroll, e a revisão de dados dos meses anteriores, que também mostrou menos vagas de emprego do que as anunciadas anteriormente, apontam que o mercado de trabalho está bem menos aquecido do que o esperado, o que diminui a pressão sobre alta de juros.
O mercado projetava a criação de 80 mil a 85 mil vagas em junho. As revisões dos meses anteriores retiraram 103 mil empregos dos dados. O saldo de maio foi revisado de 129 mil para 63 mil vagas, e o de junho caiu de 57 mil para apenas 20 mil.
“Os números reforçam a percepção de que o mercado de trabalho americano pode estar desacelerando em um ritmo mais intenso do que o esperado, o que coloca em dúvida a necessidade de um novo aumento de juros pelo Federal Reserve na reunião de setembro”, avalia Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP.
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Menor pressão sobre alta de juros
O conjunto de dados afeta diretamente a rota da política monetária do Federal Reserve (Fed). Segundo Andressa Durão, economista do ASA, o relatório enfraquece o argumento hawkish para uma alta da taxa de juros em setembro.
Antes da divulgação, as apostas do mercado estavam divididas, considerando a possibilidade de um aumento residual de juros devido a declarações recentes de membros da autoridade monetária, como Kevin Warsh. Agora, consolida-se a visão de que os juros devem ser mantidos, com a atenção dos investidores voltada para a divulgação do índice de inflação (CPI) na próxima semana.
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, pontua que a precificação atual do mercado aponta para a manutenção das taxas em setembro, com um possível aumento de 0,25 ponto percentual em outubro, sendo este o único movimento esperado para o restante de 2026.
Por outro lado, André Matos, CEO da MA7 Capital, avalia que a contração das vagas “praticamente força o Federal Reserve a cortar os juros por lá”, a fim de estimular a economia.
A perspectiva de uma política monetária menos restritiva nos Estados Unidos gera reações imediatas nos ativos financeiros globais.
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A redução nas expectativas de alta de juros derrubou os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, diminuindo a atratividade do capital internacional para os EUA. Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da Stonex, explica que esse movimento enfraquece o índice do dólar (DXY), e que o real acompanha essa tendência de perda de força da moeda norte-americana, gerando pressão baixista sobre a taxa de câmbio.
Para o mercado brasileiro, o cenário abre um caminho positivo a médio prazo, tornando os ativos locais mais atraentes para o investidor estrangeiro.
Empregos públicos, varejo e educação em queda
No recorte setorial, a queda no emprego foi puxada pelo governo, que registrou a perda de 53 mil vagas, seguido por comércio varejista, educação e logística. Em contrapartida, o setor de saúde seguiu como ponto de resiliência, ainda que crescendo a um ritmo mais lento. Pelo lado da renda, os ganhos médios salariais por hora também mostram arrefecimento, passando de 3,4% para 3,2% no acumulado de 12 meses. O valor ficou abaixo da projeção de 3,5% do mercado, indicando que a tendência recente não traz preocupações inflacionárias de curto prazo.
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Redução salarial
A desaceleração salarial também reflete mudanças estruturais no mercado de trabalho. Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, ressalta que estudos recentes apontam que a inteligência artificial não está gerando um desemprego em massa, mas tem pressionado a renda. Profissionais recém-contratados ou em fase de renovação de contrato estão “cada vez mais impactados negativamente pela inteligência artificial”.
Taxa de desemprego cai
Apesar da destruição de vagas, a taxa de desemprego recuou inesperadamente para 4,1% em julho, alcançando o menor valor desde junho de 2025. A expectativa do mercado era de que a taxa ficasse em 4,2%. Essa aparente contradição é explicada por uma redução significativa na oferta de mão de obra. A taxa de participação na força de trabalho caiu pelo segundo mês consecutivo, atingindo 61,4%, o patamar mais baixo desde maio de 2020.
A composição dessa força de trabalho em encolhimento sofre influências diretas das atuais políticas governamentais. “A política migratória do governo Trump contribui para isso”, destaca André Valério, economista sênior do Inter. Em julho de 2026, a agência de imigração americana (ICE) registrou um recorde histórico para um único mês, com a deportação de 51 mil indivíduos, totalizando 407 mil deportações no ano. Com a redução expressiva da imigração, o nível neutro de criação de empregos — aquele necessário para não alterar a taxa de desemprego — encontra-se atualmente em terreno negativo.
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“O ponto central não é a ponta, é a tendência: a taxa de desemprego só não sobe porque as pessoas estão saindo da força de trabalho, movimento que já acumula magnitude relevante e não caracteriza um mercado saudável. Junho poderia ter sido ruído, mas os dados de julho mostram uma situação mais frágil”, avalia o Bradesco.