Paulistano compra imóvel de luxo para fugir da crise

Valor geral dos lançamentos subiu 22,5% nos primeiros sete meses, por conta de unidades de 3 e 4 dormitórios

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SÃO PAULO – Se o brasileiro quiser um presidente de esquerda, vai ter que pagar caro por isso. A afirmação feita pelo economista norte-americano Milton Friedman pode explicar um pouco a atual situação enfrentada pelo mercado financeiro no Brasil. Diante dos resultados das pesquisas eleitorais, assistimos a uma enorme fuga de capital, maior dificuldade para empresa e setor público em renegociar suas dívidas, captação negativa nos fundos de investimentos, e elevação do dólar.

Em função da crise no mercado financeiro, o senso comum manda procurar ativos reais, que apresentem maior segurança e tranqüilidade para o investidor. E é isso que vem ocorrendo, pelo menos no que diz respeito ao mercado imobiliário paulistano. Segundo a publicação do Secovi-SP, Sindicato da Habitação de São Paulo, referente aos primeiros sete meses deste ano, apesar do número de lançamentos ter diminuído em 23% relação a 2001, o valor agregado apresentou um salto de 22,5%.

Valor geral de lançamentos sobe para R$ 2,1 bilhões em julho

Segundo a pesquisa do Secovi-SP, entre janeiro de julho desse ano foram lançadas 9.732 unidades, um número 23% menor em comparação com o mesmo período do ano passado. Por outro lado, o valor geral global lançado passou de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,1 bilhões, representando um aumento de 22,5%. Pelos dados, podemos deduzir que o paulistano está procurando imóveis de padrão mais elevado, com maior qualidade e maior preço.

O preço médio das unidades sofreu um forte aumento, com destaque para os apartamentos de 3 dormitórios, cujo valor médio subiu para R$ 180,4 mil, um crescimento de 41,6%. Por sua vez, os apartamentos de 2 dormitórios aumentaram para R$ 89,5 mil (32%), ao passo que os de quatro dormitórios ou mais subiram em média 10%, atingindo R$ 577 mil. O preço médio de todos os apartamentos teve alta de 60% no período, passando para R$ 260 mil, em função do crescimento da participação dos imóveis de alto padrão no total disponível.

Atualmente a proporção de unidades de padrão elevado gira em torno de 20% do total, em contraste com a média tradicional de 11%. Entre os lançamentos, os apartamentos de 3 e 4 dormitórios corresponderam a aproximadamente 49% do total. “Como as aplicações financeiras não estão rendendo nada, tem gente que está comprando imóveis mais caros como opção de investimento”, afirma Jorge Ulrich Schein, empresário do setor imobiliário.

Mercado continua em baixa

Pela previsão do início do ano ter apontado para um aumento das vendas de imóveis, o número de unidades comercializado apresentou queda de 11,5% nos primeiros sete meses do ano. O Secovi-SP espera que essa taxa fique em 10%, em função do aquecimento do mercado que se verifica no final do ano. A crise não está permitindo que o mercado consiga reagir, sobretudo nos segmentos mais populares, que necessitam da liberação de linhas de financiamento para fechar negócio.

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Imóvel barato vale mais que o caro

Atualmente a oferta no mercado imobiliário ainda é superior à demanda, o que é refletido no excesso de unidades vazias pela cidade. Nesse sentido, quem está procurando um imóvel como alternativa de investimento, o sucesso da aquisição irá depender das características do imóvel e de sua localização. O valor dos aluguéis raramente atinge 1,0% do preço dos imóveis; em média, os contratos são assinados por uma taxa entre 0,5% e 0,7% do valor a unidade.

A melhor dica para os investidores que querem maximizar o retorno de suas aplicações é a diversificação. Esse conceito, bastante aplicado no mercado acionário, também vale para o imobiliário. Ao invés de adquirir um imóvel de alto padrão, em muitos casos vale mais a pena optar por imóveis de menor valor, que apresentam uma velocidade de locação maior, e um retorno sobre o valor investido também superior.