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SÃO PAULO – A Fibria (FIBR3) espera que o patamar de preços praticados no mercado de celulose permaneça em níveis altos pelo menos até 2012, segundo afirmou João Elek, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da empresa, a analistas durante teleconferência sobre o resultado do quarto trimestre realizada nesta quarta-feira (16).
A demanda chinesa, que havia ficado abaixo da tendência no segundo e terceiro trimestres, voltou a mostrar recuperação nos últimos três meses do ano passado, mesmo com os preços acima da média apresentada em 2009. Essa retomada deverá reforçar a manutenção dos fundamento ao longo de 2011. Ao final de 2010, os preços eram de US$ 850 por tonelada para a Europa, US$ 900 por tonelada para a América do Norte e US$ 750 por tonelada para a Ásia.
Já o custo caixa de produção de celulose no último trimestre ficou em US$ 430 por tonelada, uma redução de 8% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. Na comparação anual, a relação se inverte, com alta 2% frente 2009, o que no entanto foi ressaltado pela administração da companhia como uma evolução mais amena do que a observada pela inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), de 5,9%.
Redução de custos na mira
Esse resultado, considerado positivo pela Fibria, foi fruto da maior eficiência operacional e também de aproveitamento de sinergias a partir da criação da empresa. A valor presente, a companhia estima que já tenham sido capturados R$ 2,7 bilhões, distribuídos por todas as áreas.
Embora tenha se esquivado de fazer projeções, a companhia afirmou que continuará a fazer esforços operacionais para minimizar a evolução dos preços dos insumos, vislumbrando manutenção do custo caixa de produção em níveis competitivos. Ainda assim, o salário mínimo, por exemplo, deverá sofrer reajuste em termos reais em 2011, e alguns trabalhadores são remunerados de acordo com este piso, disse João Elek.
Assim, a companhia continuará a adotar atitudes para mitigar o potencial aumento de custos, como a revitalização da Fábrica A na Unidade Aracruz, com menor consumo de energia. A empresa também focará na destinação de resíduos sólidos em Jacareí, para aumentar geração de energia renovável a partir da biomassa. Por último, João Ele, citou a expectativa de aperfeiçoamento da operação de transporte de madeira por barcaças.
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De uma forma geral, avaliou o executivo, o mundo continuará a crescer e consumir neste ano. Sem grandes capacidades de produção previstar para entrar em atividade no curto prazo, a perspectiva é de crescimento, e o cenário prospectado é positivo. A celulose de fibra longa, por exemplo, já deverá sofrer novo reajuste de preços no início de março.
Estratégia florestal
A Fibria também afirmou que, em 2011, continuará a investir em sua base florestal. “Encerramos 2010 com um expressivo avanço nas negociações de arrendamento e compra de terras, além de início efetivo do plantio de novas florestas”, declarou a empresa em nota do balanço.
A expansão da Unidade Três Lagoas, por exemplo, é um dos projetos que visam manter o posicionamento de liderança da companhia no segmento de celulose de mercado, com escala e baixo custo de produção. A Fibria pretende realizar um investimento florestal de R$ 400 milhões na unidade em 2011, provavelmente com recursos próprios.