Passado o ápice da crise, The Economist discorre sobre os impactos na América Latina

Periódico vê mudanças leves na região, com elogios ao Chile e críticas à Venezuela; quanto ao Brasil, falta preparo para crescer

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SÃO PAULO – A despeito de conceitos, idéias e análises, aparentemente a crise financeira não mudará de forma drástica o ambiente corporativo na América Latina. Pelo menos é o que indica a tese da revista The Economist, na qual seus analistas defendem que haverá efeitos diminutos do colapso na região, tanto no curto quanto no médio prazo.

“A média para a América Latina se deteriora levemente no nosso período de previsão”, discorre o periódico, baseado nas estimativas do quatriênio 2009-2013. Nesse sentido e, com o uso de suas próprias escalas, os analistas estimam declínio médio aproximado de 1,5% no cenário corporativo latino-americano.

Falta preparo para crescer

Iniciando por um olhar doméstico, o periódico acredita que o Brasil, assim como o México, permanecem virtualmente intactos entre 2004 e 2013, com alterações apenas marginais. Conforme os analistas, a atratividade dos investimentos para ambos países depende tanto da magnitude quanto do tamanho de seus mercados internos.

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“Para o Brasil, a sua rede extensa de tratados de livre comércio e um mercado doméstico amplo asseguram a atratividade do local”, afirma a The Economist, embora alerte para o panorama deteriorado no decorrer dos próximos dois anos, com “condições econômicas extremamente fracas”.

Além disso, cabe ressaltar empecilhos adicionais vistos no Brasil, como a regulação do mercado de trabalho e a complexidade tributária, além das deficiências de infraestrutura logística. Para os analistas, “estes fatores impedem o país de mover posições acima no ranking global”. O Brasil ocupa a trigésima nona posição da listagem, que detém 82 membros.

Estado interventor, ambiente fraco

Na estatística, a média coletada de uma amostra pode esconder extremos importantes. Do lado negativo, a The Economist chama a atenção para os ambientes desfavoráveis vistos no tripé Venezuela, Equador e Argentina, dado que estes países “compartilham um risco maior de presenciarem crises financeiras”.

Em pormenores, a revista critica a incerteza do panorama venezuelano, em parte explicada pelas estatizações recentes do presidente Hugo Chávez. Quanto ao Equador, preocupações acerca da nova constituição e as possíveis decorrências sobre as corporações retêm os maiores riscos listados pelos analistas.

No tocante à Argentina, a desaceleração do comércio internacional, aliada à deterioração das condições financeiras e fiscais do país, diziam as perspectivas otimistas no horizonte. “As incertezas crescentes no campo político também fortalecem os perigos de um novo default soberano”, completam os analistas, ao lembrarem da moratória de 2001.

Reservas acumuladas

Por outro lado, a The Economist olha com viés positivo para as economias de Chile e Peru. Para fundamentar o otimismo, os analistas elogiam o acúmulo de reservas fiscais por países que aproveitaram o boom das commodities nos últimos anos, enxergando-os numa posição melhor para realizarem posteriormente medidas fiscais anticíclicas e flexibilização na política monetária.

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“Apesar de sofrer algum enfraquecimento, o Chile continuará liderando a região, em termos de atratividade dos investimentos reais”, discorre a revista, ao explicitar sua preferência pelo país e colocá-lo em décimo quinto na escala global dos mercados. Já para o Peru, os analistas creem que o desenvolvimento de uma política amigável com os investidores favorece a entrada de recursos na nação.