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SÃO PAULO – Assim que houver uma maior estabilização dos mercados internacionais, o dólar pode testar o nível de R$ 2,00 e até mesmo vir abaixo deste patamar, afirmou o Bear Stearns em relatório publicado nesta quinta-feira.
O banco de investimentos destacou que a recente volatilidade nos mercados emergentes vem fazendo a moeda brasileira atravessar um importante teste. E o resultado tem sido uma performance muito boa do real, afirmam os analistas, que lembram do impacto menor da atual turbulência externa sobre os ativos brasileiros vis-à-vis outros períodos de elevada instabilidade.
Real se destaca
Os analistas identificaram que, desde o tombo da Bolsa de Xangai em 27 de fevereiro, o real se valorizou cerca de 2%, a maior valorização entre todas as divisas de seu universo de cobertura.
À luz desta perspectiva, o Bear Stearns reduziu suas estimativas para a taxa de câmbio ao final de 2007 de R$ 2,25 para R$ 2,05. Para o fim de 2008, o banco projeta um dólar cotado a R$ 2,15, sendo que anteriormente a expectativa era de R$ 2,23.
Argumentos
Embasando sua análise, o banco vê uma economia global ainda robusta e um nível de liquidez internacional elevado, dois fatores fundamentais para o comportamento das moedas de países emergentes.
Ademais, os spreads de crédito continuam reduzidos, os preços das commodities permanecem elevados e as taxas de juros em nível global seguem razoavelmente baixas, a despeito do ciclo de aperto monetário recente em nível mundial.
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Valorização do iene não preocupa tanto
Sobre a atual preocupação de que o desmonte das operações de carry trade sobre o iene – em que os investidores tomam dinheiro emprestado no Japão, onde as taxas de juros são mais baixas, e aplicam em ativos cuja remuneração é mais elevada -, o impacto sobre a liquidez internacional será limitado, afirmam os analistas.
Isso porque o fenômeno de liquidez ocorre em nível global, não se restringindo ao Japão ou a uma parcela limitada de países onde se praticam baixas taxas de juros.
Avanços brasileiros
E as notícias favoráveis à valorização do real não se inscrevem apenas no âmbito internacional. Nos últimos anos, a dívida externa brasileira foi reduzida de forma significativa, a conta corrente está superavitária e as reservas internacionais aumentaram bastante, ressalta o banco, o que garante ao Brasil uma maior resiliência para atravessar turbulências do front externo.