Participação das cooperativas de crédito deve aumentar no Brasil

Cerca de 46% das instituições financeiras européias são cooperativas, respondendo por 15% da intermediação financeira

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SÃO PAULO – Em resposta às sugestões feitas pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e pela Fibra (Federação das Indústrias do Distrito Federal), o Conselho Monetário Nacional aprovou neste mês de dezembro a criação de cooperativas de crédito para empreendedores informais ou de micro e pequenas empresas.

Sucesso do cooperativismo

Na opinião do diretor de normas do Banco Central, Sérgio Darcy, é extremamente importante que se encontre mecanismos alternativos de financiamento das pequenas empresas no país, pois só assim será possível garantir o crescimento da economia e a geração de novos empregos.

Darcy lembra que em economias mais desenvolvidas que a brasileira, o cooperativismo é usado há muito tempo como forma de impulsionar pequenos negócios. Na Europa, por exemplo, cerca de 46% das instituições financeiras seriam cooperativas, respondendo pelo equivalente a 15% da intermediação financeira.

Como nas cooperativas os clientes são donos, o acesso ao crédito é muito mais fácil, isto sem falar que as condições de financiamento oferecidas também são mais atrativas do que aquelas oferecidas pelos bancos.

Taxas mais baixas

O vice-presidente do Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), Enio Meinen, acredita que as taxas cobradas pelas cooperativas de crédito sejam equivalentes a 70% e 75% das taxas de mercado. Meinen lembra que não vale a pena cobrar taxas muito altas uma vez que a cooperativa é obrigada a distribuir os lucros entre os associados, que são exatamente as mesmas pessoas que se beneficiam dos financiamentos.

O Sicredi é atualmente o principal sistema de crédito cooperativo da América Latina, reunindo cerca de 130 cooperativas presentes em cinco estados do Brasil (Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo), sendo que a carteira de empréstimos do Sicredi é de R$ 1,3 bilhão.

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Aproximadamente metade deste montante está direcionada a créditos agrícolas, enquanto 25% destinam-se ao setor primário, mas na verdade são empréstimos pessoais. Meinem lembra que a cota mínima para se tornar um sócio é de R$ 20, valor que é mais alto nas cooperativas de categorias profissionais. Por sua vez, a taxa de inadimplência é relativamente baixa de 6%.

Perspectivas favoráveis

O diretor-presidente do Sicredi, Alcinor Pagnussatt, está bastante otimista com relação ao crescimento do setor nos próximos anos, lembrando que a formação de novas cooperativas de crédito está entre as propostas do novo governo.

Em junho de 2003, será lançada, em parceria com a Fiesp (Federação das Industrias de São Paulo), a primeira cooperativa de crédito formada por industriais (pessoas físicas) paulistas. Além de contar com recursos dos sócios, o Sicredi também opera com linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e repasses do crédito rural.
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