Para Société Générale, bolsas emergentes podem sofrer no início de 2011

Inflação será principal desafio de emergentes neste ano, o que deverá conter o forte ritmo de crescimento

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SÃO PAULO – Analsitas do Société Générale acreditam que 2011 pode não ser tão favorável para os mercados emergentes quanto era previsto há alguns meses, em função questões ligadas o preço das commodities agrícolas, pressão inflacionária e recuperação das economias centrais.

Daniel Fermon e Patrick Legland, lembram que desde o anúncio do QE2 (Quantitative Easing 2) em novembro, os mercados de ações e commodities nos EUA dispararam, entretanto, mercados emergentes como Índia e China já começam a apresentar os primeiros sinais de desaceleração e performance relativamente inferior.

Confira os insights do Socitété Générale 

Rali do mercado de ações continua, mas emergentes devem desacelerar
Perspectiva de inflação impulsiona taxa de juros no Reino Unido; Libra Esterlina fortalecida
Cotação da prata tende a estabilizar-se após 65% de alta em 2010
Bancos centrais podem colocar um freio no forte crescimento dos mercados emergentes
A disparidade entre o mercado de ações e carry trade em países emergentes poderá indicar decepção com as bolsas no primeiro trimestre de 2011
Preferência por posicionamento junto a banco europeus em detrimento dos bancos norte-americanos. Este setor na Europa deve alcançar os bancos dos EUA em janeiro com o enfraquecimento da crise no velho mundo
Novo teste de estresse para os bancos europeus é esperado para março
O valor de mercado dos bancos europeus encontram-se no menor patamar dos últimos 20 anos, tanto na base de comparação absoluta quanto relativa

Este cenário de desaceleração dos mercados emergentes estaria ligado à necessidade destes países de elevarem suas taxas de juros como forma de combate à inflação. Só na China, a dupla projeta uma inflação de 6% em 2011, o que “pode levar o governo a reavaliar a cotação do yuan para conter a tensão de preços”, afirmam.

Inflação é a maior ameaça
Para os analistas, a inflação, que será a principal ameaça para os mercados emergentes neste ano, ainda encontra-se contida na Europa, apesar do pico de 2,2% ao ano recém registrados, maior patamar desde 2008.

Contudo, a maior preocupação no se refere à inflação no continente continua sendo o Reino Unido, que já registra 3,3% de evolução em uma base de comparação anualizada.

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Dado este cenário, o BCE (Banco Central Europeu) deve manter o juro básico em 1%, em razão também da crise envolvendo região, enquanto o BoE (Bank of England) deverá ser obrigado a elevar a taxa básica de juros até agosto deste ano.

Cenário de risco para emergentes
Fermon e Ledland lembram que o preço das commodities agrícolas e metais encontram-se próximos ao maior patamar da série histórica, afirmando que “nós não estamos distantes do ponto no qual o preço dos óleos e das commodities agrícolas pode significar um desastre para as economias emergentes”.

Segundo os cálculos, nós ainda estamos lidando com valores 24% abaixo do nível pré-crise, mas caso a previsão de crescimento de 4% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial em 2011 se confirme, as commodities poderão retornar em breve ao patamar pré-crise.

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Caso o crescimento da economia se dê desacompanhado pelo controle da inflação, há uma grande probabilidade de que seja elevada a taxa básica de juros tanto em países emergentes, quanto nas economias centrais, principalmente o Reino Unido, alerta o Société Générale.

Emprego e crescimento dão o tom da taxa de juros nos EUA
Em um eventual cenário como este, os EUA seriam obrigados a segurar sua o juro básico no nível atual, e apenas poderia considerar a idéia de elevação quando o crescimento e a queda no nível de desemprego dessem sinais claros de recuperação, mas no caso destes fatores virem a apresentar números saudáveis e consistentes, o Fed (Federal Reserve) pode vir a elevar a taxa de juros antes do esperado.