Publicidade
SÃO PAULO – Os programas de flexibilização quantitativa do Federal Reserve – QE1 e QE2 -, pelos quais a autoridade monetária dos Estados Unidos tem comprado títulos públicos a fim de injetar dinheiro na economia e estimular uma recuperação mais rápida, não surtiram os efeitos desejados, de acordo com o gestor da Pimco Mohamed El-Erian.
Em entrevista concedida à rede de notícias norte-americana CNBC, El-Erian disse que na verdade tais programas ajudaram mais a estimular as economias dos países emergentes do que a dos Estados Unidos. Segundo ele, tanto o QE1 quanto o QE2 têm sido apontados como responsáveis por um intenso rali nos mercados de ações norte-americanos e pelo aumento das pressões inflacionárias ao redor do globo.
Pisando nos freios
O gestor da Pimco lembra que os programas do Fed contribuiram ainda mais para o excesso de liquidez global, fazendo com que boa parte desse dinheiro migrasse para outros mercados. O Brasil, por exemplo, se tornou um dos principais destinos desse capital, especialmente por conta dos elevados juros praticados por aqui.
A China é outra economia que vem sofrendo com a entrada brusca de capital externo em seu mercado, o que tem obrigado países emergentes a adotar medidas para frear o crescimento. “Eles estão pisando nos freios agora porque a quantidade de fluxo de capital externo está superaquecendo suas economias”, disse El-Erian.
O gestor chamou atenção para a enorme abrangência desses efeitos do QE1 e QE2 nos mais variados mercados. “O QE2 se espalhou para todos os lados. Se espalhou nos mercados de commodities, se espalhou nos outros países e se espalhou um pouco por aqui [nos EUA], onde estamos com pequenos sinais de uma recuperação cíclica. Mas, estamos encontrando uma maneira de não abusarmos de uma recuperação cíclica”, afirmou.
Inflação batendo na porta…
Enquanto os emergentes estão tendo que lidar com os efeitos negativos da elevada quantia de dólares nos mercados, nos Estados Unidos o foco recai sobre a crescente inflação.
Continua depois da publicidade
“Mas, com o PIB (Produto Interno Bruto) em alta anêmica de 1,8% o dilema é diferente – com os preços em alta, mas com elevada taxa de desemprego também, o avanço da dívida pública e o deteriorado mercado imobiliário formam impedimentos para o crescimento [da economia norte-americana]”, disse El-Erian.
QE3 e double-dip não devem acontecer
Sobre a possibilidade do Fed adotar uma terceira rodada de flexibilização quantitativa, um QE3, o gestor da Pimco disse que não é provável que isso aconteça. Além disso, El-Erian afirmou não acreditar em uma recessão “double-dip”, quando a economia do país mostra retração por dois trimestres consecutivos.
“Simplesmente há muita liquidez no sistema”, disse. “Você precisaria de um grande erro monetário ou um não-antecipado choque na economia para cair em recessão”, completou. No entanto, é crescente as pressões para que o governo dos EUA aumente o limita da dívida pública do país para que possa bancar com as despesas dos estímulos econômicos.
Continua depois da publicidade
Em relação a isso, El-Erian disse que se os fazedores de política monetária norte-americanos não atacarem este problema logo, as consequências serão ainda maiores no futuro. “O perigo que nós corremos se continuarmos a ‘chutar a lata rua abaixo’ é de que as instituições, sejam elas privadas ou públicas, como o Fed, se tornem parte do problema e não mais parte da solução”, disse. “Isso é o que queremos evitar”.