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SÃO PAULO – Existem alguns temas polêmicos por definição. No mundo da economia, a política cambial é candidata ao grupo. Comparando diferenças entre os países emergentes, os analistas do banco Natixis deram sua contribuição ao debate.
Embora diga que a questão sobre a melhor política cambial esteja ainda em aberto, a equipe do banco francês não foge a um posicionamento mais contundente no debate. Em sua visão, o sistema mais robusto é composto pela adoção de uma taxa de câmbio flexível, mas com restrições em relação a fluxos de capital especulativo.
Alguns conceitos
Para começar a entender o complexo debate sobre o câmbio, sempre é bom esclarecer alguns conceitos. Em primeiro lugar, a taxa de câmbio expressa a relação de troca estabelecida entre moedas – real e dólar, euro e iene, rublo e yuan -, ou ainda entre uma moeda e o preço ponderado de uma cesta de divisas.
Todavia, costuma-se adotar como referência a moeda corrente nas relações comerciais e financeiras em plano internacional – o cada vez mais questionado dólar. A partir deste momento, as autoridades de um país tomam a decisão de deixar sua moeda flutuar livremente em relação ao dólar, ou intervêm para controlar seu preço.
Embora simplista, a explicação traz à tona um grande dilema vivido pelos que formulam a política cambial, uma vez que a decisão tomada terá impactos diretos sobre o poder de compra da população, a inflação e o comércio externo, apenas para citar alguns exemplos.
Radicais livres
Mesmo com suas características especiais, a moeda não deixa de ser um ativo, podendo ser compreendida por analogia a qualquer outro bem, cujo valor relativo resulta das interações de mercado entre oferta e demanda.
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Caso os investidores aumentem seu interesse por um país, passam a injetar recursos, como ocorreu de modo destacado no Brasil em 2007 – um dos anos mais positivos da história para o mercado de ações doméstico. Estes investidores despejam seus dólares em troca dos reais brasileiros, o que aumenta a oferta da moeda norte-americana e – com o câmbio oscilando livremente – derruba seu preço.
Entre 2003 e 2008, países que escolheram o câmbio livre passaram “inicialmente por uma fase de crescimento dos fluxos de capital, levando a uma valorização excessiva real e perda de competitividade”, afirma o Natixis, que aponta países como Coreia do Sul, Índia e Polônia como outros exemplos, além do Brasil.
Com a crise, houve o movimento oposto. De modo brusco, as moedas emergentes perderam valor em relação ao dólar, em função da massiva e rápida fuga de capital estrangeiro. Segundo os analistas, a resposta está na vulnerabilidade à reversão brusca da atitude dos investidores.
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Encurtando a rédea
Outros países preferiram adotar política diferente, ao intervir no mercado para controlar a taxa de câmbio. Para isto, ou deixam suas taxas de juro em linha com a adotada no país da moeda a que sua divisa está atrelada – o que traz severos problemas por conta das diferenças entre as economias, como taxas de crescimento e níveis de preço – ou mantém o juro básico em patamar muito elevado.
Isto visa preservar o país atraente aos investidores, sustentando o fluxo de capital estrangeiro e a oferta da moeda de referência, mas acarretando graves efeitos colaterais em relação ao endividamento público – definido, em última instância, pela taxa básica de juro.
Este segundo exemplo ocorreu com países como Hungria, Bulgária, assim como na ainda autônoma Hong Kong.
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Escolha difícil
O caminho da adesão por completo a uma referência monetária, como a dolarização, é rejeitada pelos analistas do Natixis, pois a política monetária praticada nos países desenvolvidos atualmente – extremamente expansionista – seria insustentável frente às taxas de crescimento e de inflação mais elevadas nos países emergentes.
“A solução mais razoável é talvez adotar taxas de câmbio flexíveis, mas com restrições sobre fluxos especulativos ou de curto prazo”, conclui o time do Natixis. Para isso, a alternativa é aumentar o controle por meio de impostos, tanto sobre depósitos quanto sobre rendimentos. Uma resposta simples, para questão tão complexa.