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SÃO PAULO – O mercado de commodities permanece com um horizonte nebuloso. O enfraquecimento da atividade econômica e o aumento do desemprego nos países do hemisfério Norte deixam consequências negativas para a demanda – esperança de recuperação deste mercado.
Em meio a este cenário, a Merrill Lynch divulgou relatório nesta segunda-feira (12) no qual expõe suas perspectivas ao futuro dos bens primários. Na tentativa de explicar a pressão negativa deste mercado, os analistas listam o efeito dominó provocado pelo lado demandante, já que a deterioração do consumo penaliza a projeção de rendimentos das corporações.
Recuperação só no segundo semestre
“A demanda por carros, viagens aéreas ou aço continua em contração, forçando manufatureiras e provedores de serviços a reduzir produções nas plantas e linhas de serviços em todas as regiões do mundo”, diz o banco.
Se o mercado acionário antecipa tendências, o de commodities reflete a economia real, permanecendo ligado à atividade econômica corrente, acredita a Merrill Lynch. Nesse sentido, seus analistas veem inexistência de recuperação no curto prazo, podendo haver a retomada somente no segundo semestre deste ano, período no qual as medidas estatais de estímulo ao PIB (Produto Interno Bruto) começarão a surtir efeito.
Demanda afeta eletricidade
“Na nossa visão, a demanda por eletricidade deverá continuar sofrendo neste ambiente, dada a sua alta correlação com a atividade econômica global”, prevê a Merrill Lynch, ao projetar que a geração de energia no mundo crescerá somente 0,7% neste ano, se recuperando apenas em 2010, período no qual o banco estima incremento de 2,2%. “[…] as duas baixas anteriores mostram que a eletricidade pode ser bem afetada durante uma recessão”, completam os analistas.
Por fim, ênfase para a consonância entre a Ásia e a Europa no tocante à produção de energia. Em território oriental, tanto a China, pelo alto uso do carvão como insumo à eletricidade, como o Japão, dada a baixa demanda industrial pela estagnação das exportações, detêm expectativas de forte baixa na produção energética. Já no velho continente, as projeções são semelhantes à japonesa, ao passo que a indústria responde por grande parte das oscilações no lado de quem usa a energia.